Mais um retorno

Por Diniz.DL | 1/27/2011 09:37:00 AM em , , | comentários (1)

Dona Ruth Guimarães escreveu em suas Crônicas Valeparaibanas que "A coisa mais linda nas viagens é voltar pra casa". Não importa o que se veja mundo a fora: monumentos, relíquias ou tesouros naturais, nada disso parece pesar tanto quanto o regresso.

Mesmo que sejamos jovens e fiquemos um ano longe de casa "conhecendo o mundo", há sempre um momento em que o destino é o lar, a casa da gente, com nossos familiares, nossas coisas e nossos velhos e rotineiros hábitos. Isso ajuda o corpo e a alma a se recuperarem para a próxima viagem, pois é nessa fase aventureira que iniciamos a longa busca por sentido na vida e identidade pessoal.

A afirmação dessa identidade, ao menos para mim, parece culminar na velhice, quando o ímpeto pela busca exterior se apazigua e passamos a contemplar os tempos deixados para trás, num exercício que, se descontrolado ou intenso, pode levar à melancolia e, portanto, deve ser acompanhado da alegria que é a vida mesma. Na melhor idade, deveríamos aprender a encontrar em nós mesmos o lar, o destino de todas as viagens, de nossas buscas.

O sentido da vida se encontra no retorno à origem, na volta pra casa, mas, como a islandesa Björk escreveu numa de suas canções: "se viajar é procurar e lar é o que encontramos, não vou parar - vou caçar". A volta pra casa encerra um ciclo, nunca a jornada.

A jornada só tem fim na mitologia, quando o herói completa seu périplo que, segundo Joseph Campbell, envolve a saída deste mundo, com a passagem pelo seu limiar e então a investida ao fundo da realidade mágica, onde encontrará a esposa, o artefato mágico ou seja lá o que for que lhe poderá trazer a felicidade. Mas o grande desafio da jornada do herói é o retorno e muitas histórias retratam o quanto essa fase pode ser traiçoeira - se levada a cabo, pois o herói pode ainda permanecer no mundo mágico e abandonar seu reino de origem.

Mas o herói que retorna com a esposa ou o poder tomado do mundo da magia, traz para seu lar a bem-aventurança e a felicidade. A origem é o sentido de todos os esforços humanos. O lar (ou a casa) é, em verdade, o próprio ser humano.

Então preparemos todos nossas malas, viajemos mundo afora e conheçamos novas realidades. O espírito há de se enriquecer ainda mais se, no retorno, encontrarmos a velha e conhecida casa com seus móveis, suas pessoas e nossa vida verdadeira nos esperando. E de volta trazemos todas as riquezas do mundo na bagagem de apenas uma miligrama que tem a tonelada do bem viver.


PS: é bom estar de volta.

Para viver[:] poesia

Por Diniz.DL | 10/24/2010 03:23:00 PM em , , | comentários (2)

Durante a semana que passou uma pergunta rondou o Grupo VALEFOCO e alguns estudantes e colaboradores do Senac de Guaratinguetá: o que é poesia? Respostas foram sugeridas, caminhos indicados e eu, pessoalmente, permaneço à margem da discussão e continuo sem saber ao certo o que é essa tal poesia.
Rima pobre, rima rica, versos decassílabos, métrica, concretismo, jurandismo... tudo isso me escapa e imagino que não faz parte do saber cotidiano da maioria das pessoas. Professores de literatura e alguns escritores mais afortunados podem muito bem entender de tudo isso, mas não o resto de nós, mortais de fora das academias.
Mas (e este é um "mas" muito importante), não é bem assim que a banda toca. Aliás, o tocar da banda pode ser poesia, ao que tudo indica. Poesia é, antes de qualquer outra coisa, abrir o espírito ao mundo que nos cerca e deixar que ele nos encante, nos revolte, nos emudeça, nos faça gritar a plenos pulmões. Cada pequeno evento que testemunhamos é imenso de poesia: a infinitude do universo contida no som de uma gota de chuva atingindo a janela de vidro entreaberta numa tarde de domingo na pausa entre uma frase e outra numa conversa de amigos - aí há poesia!
A poesia, me parece, está na capacidade do ser humano em se deixar emocionar. E se a emoção puder ser vertida em palavras, se essas palavras puderem se tornar versos, se esses versos tornarem-se poemas e se esse poema tocar a alma do poeta e do seu leitor, aí sim encontraremos poesia.
Poesia não é academia, não tem regras, não tem lei: ela tem ritmo, tem equilíbrio e tem sentimento - coisas que falam ao espírito das pessoas, não necessariamente à razão. Traz consigo imagens belas, grotescas, sublimes, chocantes e cotidianas, mas sempre com um "não-sei-bem-o-quê" que nos toca. E, como afirmou o amigo Jurandir Rodrigues, ela comunica algo de universal sobre o cerne do que é ser humano.
Em contrapartida, o ser humano, isso a que se pode chamar de condição de nossa existência, é extremamente dependente da poesia: por meio dela suportamos as dores de um amor terminado, gritamos contra as injustiças do mundo e, quando a inteligência e a criatividade permitem, protestamos contra os desmandos de nossos irmãos sem que eles percebam.
Há algo de simbiótico entre a poesia e a humanidade e esta não existiria sem aquela. Se no fim da semana que passou apenas uma pessoa tiver chegado a uma percepção semelhante, fico convicto de que o trabalho dos poetas caminha na direção certa: uma alma salva vale por um milhão.

Em nosso tempo...

Por Diniz.DL | 10/15/2010 09:23:00 AM em , , | comentários (0)

Eu não rezo. Costumo conversar muito comigo mesmo, com as plantas e com os animais (inclusive os humanos), mas não sou panteísta - penso eu. Muito me interessa conhecer as crenças das pessoas e aprender um pouco mais sobre as várias denominações religiosas que existem. Mas não me interessa tanto saber se fulana ou sicrano comungaram na missa de domingo antes de continuar a campanha "em favor da vida, da família e da liberdade".
O discurso dos candidatos assumiu um tom absurdamente reacionário, em diversas ocasiões, e as lideranças religiosas buscam compromissos de candidatos na manutenção daquilo que eles acreditam ser o correto - a tal "Verdade" (letra maiúscula e embasado nalgum livro sagrado sem revisão editorial há quase dois mil anos).
Temas como união de pessoas do mesmo sexo, legalização de drogas, liberdade de expressão e religiosa e o aborto são de grande relevância no âmbito religioso e as opiniões das pessoas que representam a parcela temente a algum deus podem e devem ser manifestas e levadas em consideração. O que não se pode admitir é a hipocrisia de se buscar uma aproximação com ditas facções religiosas (a nomenclatura diz somente com as cisões dentro das crenças, não fazendo alusão a movimentos terroristas ou criminosos), ainda mais quando se percebe nisso um interesse eleitoreiro.
Programas de partido e de governo foram reescritos, discursos no horário eleitoral quase ganham tom de pregação e são enaltecidos valores que até pouco tempo não teriam tanta relevância.
A discussão daqueles temas listados acima não é monopólio da fé e o Estado não pode assimilar tal perspectiva. Há que se possibilitar a abertura do debate e considerar o que toda a população anseia. No caso que considero menos polêmico, a união civil de pessoas do mesmo sexo, não vislumbro qualquer impecilho à inovação legal. A lei brasileira pode normatizar tal união, especialmente a fim de resguardar os direitos dos conviventes e, talvez, até mesmo possibilitar a adoção e regulamentar a guarda da criança, sem que seja afetado o Direito Canônico - a lei brasileira não poderá, assim, forçar a Igreja a casar pessoas do mesmo sexo... e fica cada um na sua.
Poderia ainda ser o caso de ouvir o que a população tem a dizer, convocando referendos ou plebiscitos e determinando, de forma patente, o que demanda a maioria da população em temas mais polêmicos como a legalização de drogas ou o aborto.
No fim das contas, cabe ao eleitor depositar sua fé nalgum dos candidatos e esperar que eles sejam caridosos o bastante com o povo brasileiro e realizem um governo verdadeiramente bom. Graças a Deus.

A Salada

Por Diniz.DL | 9/18/2010 07:05:00 AM em , , | comentários (1)

Tenho uma vontade absurda de escrever e debater sobre um determinado tema, mas, por uma questão institucional, eu não posso. Resolvo então falar sobre minhas preferências gastronômicas e as de alguns amigos.
Algumas classes de alimentos são mais interessantes que as outras, como as frutas - que eu considero de importância federal - e por isso me dedicarei a elas por hora. Muitos hoje em dia parecem preferir o morango: vermelho, pequeno e um pouco azedinho, promete um contínuo banquete de delícias a todos, com uma presença bem difusa de seus benefícios. Existem aqueles que, contudo, preferem laranjas (dentre as quais faz um sucesso danado a laranja-serra-d'água), que tentam resgatar uma tradição já anterior do nosso país e seus defensores apontam para um estado melhor de coisas quando as frutas desse tipo eram as preferidas.
Mas pouca gente fala do kiwi, uma fruta mais exótica, de aparência meio frágil e completamente verde, evocando uma consciência ambiental e sustentável - diria eu mesmo. Muitos de meus amigos preferem o kiwi, mas ao que tudo indica o kiwi não teria chance nem pra presidente do Brasil. Ainda assim, gosto do kiwi. Mas respeito e até mesmo concordo com quem gosta do morango vermelinho e da laranja-serra-d'água, pois, em última análise, devemos escolher a fruta que nos parece melhor - vivemos, afinal, em uma democracia.
Existem ainda muitas outras opções de frutas, cada uma mais singular que a outra, e muitas pessoas gostariam de prová-las e poderiam até mesmo preferí-las a quaisquer outras, mas temem escolher uma fruta sem maior expressão e que não chegaria com sucesso à salada da sobremesa.
As pessoas se esquecem de que a escolha individual é justamente assim, solitária. Como tal, deve ter em consideração somente aquilo em que acredita a pessoa, aquilo que ela preza e respeita, não a vontade de outras pessoas, mesmo que sejam uma maioria esmagadora.
Nossa salada de frutas não precisa ser limitada ao morango ou à laranja e nem mesmo ao kiwi. É preciso trazer novas variedades, novas espécies e enriquecer cada vez mais a sobremesa do brasileiro que, depois da festa, quer mais é poder relaxar com a consciência de que escolheu a fruta que é nelhor para ele.

Não deve haver honraria maior que o convite de um poeta para participar de um seleto grupo de escritores, não só lendo ou ouvindo, mas também compartilhando as parcas linhas que se possam produzir. Gosto de pensar que, no meu caso, o mérito todo reside nalguma percepção única de algum potencial oculto que o convidado pode possuir, mas que somente é plenamente acessível aos sentidos do poeta.
Essa percepção é o traço que distingue o poeta de qualquer outro escritor. Narrar fatos, mesmo os fictícios, é tarefa simples se comparada àquela de sentir o que existem além do que os sentidos podem captar. E poesia é justamente isso: a descrição impossível de uma realidade inacessível; a exposição em versos de algo do mundo que não pode ser explanado de forma acadêmica, científica ou narrativa.
Todos discursamos ou escrevemos em algum momento sobre os sentimentos, mas só o poeta é capaz de captar e verter em versos a essência do sentimento em si mesmo, como experiência ao mesmo tempo subjetiva e universal.
A poesia é coerente em suas contradições, como já ouvi algum amigo afirmar, o que faz do poeta uma espécie única de ser humano: identificando os temas universais, nos lança sobre suas percepções pessoais destes temas e nos faz considerar nossas próprias ideias - o resultado é o reconhecimento do "eu" no "outro": o poeta é o instigador definitivo de uma fraternidade sentimental.
Eu não sou poeta. Minha visão do mundo já oscilou entre o romântico e o cético e a manifestação literária é mais digna de registros científicos e não das antologias poéticas. No que diz respeito à capacidade de ver além das aparências e penetrar no invisível presente no visível, minhas habilidades são equiparáveis a de qualquer outro ser humano médio.
E o que pode um ser humano médio contribuir no debate dos poetas? Isso não cabe ao mediano decidir, mas sim ao artista com a pena em punho, que é capaz de enxergar nas mais simples manifestações naturais e humanas a música que faz o mundo girar... E mesmo no mediano o poeta encontra a alheia e a sua própria poesia.

Acho mesmo que a vida é recheada de pequenos atos. A mim, cabe escolher a cobertura. Você deve se perguntar agora o porquê de começar essa crônica falando de comida. Pois é, escrever e viver estão ligados ao preparo de um prato, a uma receita. Escrever e viver são receitas, mas, em alguns momentos, as pessoas esquecem ou não aceitam receitas de terceiros e resolvem improvisar suas próprias receitas, chegando a matar, cair em desespero, chorar por coisas que aparecem mascaradas de coisas ruins e que nos enganam com fisionomias toscas e grandiosas, mas que não passam de pequenas coisas, somente pequenas coisas, transitoriedades. Para piorar, algumas dessas pessoas chegam até a achar que pode ser o fim do mundo, que o túnel da boa esperança está sendo fechado por uma enorme pedra que sufoca tudo, deixando tudo negro, tudo apertado, tudo irrevogável.

Eu resolvo todos os meus pequenos atos com outro pequeno ato, tão simples quanto falar um oi em um dia ensolarado ou dizer bom dia para as pessoas que cruzo no caminho ao trabalho. Resolvo uma pequena coisa como, por exemplo, uma conta bancária no vermelho, tomando uma latinha de cerveja. Noutro dia fui ao supermercado e, ao sair, deixei a pizza cair com o recheio para baixo, sendo sugada pelo chão. Na mesma hora, a minha irmã me disse que os recheios são atraídos para o asfalto, pra o chão, para baixo. Fiquei puto da vida, mas também resolvi o problema de forma simples: tomei outra latinha de cerveja. Não deixei uma simples pizza me levar com ela ao chão, me levar para baixo. Isso também tenta acontecer quando meu time perde, mas lá vou eu até a geladeira, pego uma latinha de cerveja e resolvo tudo com alguns pequenos goles desapressados. Até mesmo uma dor de estômago, que me pegou outro dia, deixo boiando no meio de uma latinha de cerveja. E quando menos percebo, lá estão todos os problemas sendo levados pela água, malta e cevada. É, e neste caso, literalmente levados pela água.

Assim, vou pra cama. Durmo e acordo pronto para mais uma maratona de azar, de pequenas coisas me atormentando no ouvido, querendo me assustar e vestindo uma máscara maior do que podem suportar, mas, por uma fração de segundo, lembro que a vida é recheada de pequenas coisas e que não farei dos minutos de sono uma pequena parcela do meu dia, já que, no final, posso escolher a cobertura.

CHEGADA A MIM MESMO

Por Unknown | 11/02/2009 11:35:00 PM em , , | comentários (0)

Eu sei quando chego a São Paulo: os carros formam inúmeros rosários por toda a sua extensão de piche. Eu sinto quando chego a São Paulo: o ar de chumbo enchumba os meus pulmões e irritam os meus olhos. A maior metrópole da América Latina encontra-se entre os pedestres e os automotivados. Todos estes, no entanto, perdem-se no imenso e caótico corpo humano que é a capital paulista.
Em um sábado fui à Big Apple brasuca. Perdi-me. Encontrei-me e perdi-me novamente. A cidade me fascina ao mesmo tempo em que me assusta. Não sou eu quem passa por São Paulo. Eu apenas corto e costuro os vários tecidos vindos de todo os lugares do mundo e que desembocam e constroem suas teias na cidade. Eu não falo o R do paulista. Tenho o R do caipira, mas, ainda assim, admiro a magnitude que essa floresta de concreto exerce sobre mim.
No caminho ao município infestado com casas erguidas como varais, durmo enquanto não me encontro nos braços dos faróis, árvores, paredes, prédios e tantos outros limites da cidade que não dorme e que me acolhe friamente. E fria, a mente me tortura com imagens que me levam aos campos e descampados onde eu andava descalço nos tempos de peralta, mas que tive de abandonar para vestir sapatos de couro e all star. Tive que me reeducar, refazer a barba e o cabelo. Hoje, o passado não define quem sou e o futuro também não me mostra o que serei.
Dessa maneira, sou mais um sem rosto que chega à Avenida Paulista, mas que assume a única identidade que me resta incorporar: a de um turista de mim mesmo, a de um sujeito desterritorializado de seu mundo encantado pela Emília, pelo Saci-Pererê, pelos animais falantes, reis e magos.

Cada um tem o ídolo que merece

Por Fabiano Fernandes Garcez | 10/14/2009 03:04:00 PM em , , | comentários (0)

Lembro-me sempre dos versos de Cazuza: Meus heróis morreram de overdose... Os meus nem todos morreram assim, uns sim, outros morreram de mortes naturais, outros foram assassinados e outros de causas diversas, porém muitos ainda vivem.
Um dos que já faleceram, me marcou muito, com sua música, com seus versos e, principalmente, por perguntar a todos que conhecia que livros ele estava lendo, não sei o porquê, mas isso influenciou muito minha juventude, pois se a leitura é importante para o Renato Russo ao ponto de ser a primeira informação a querer saber de alguém, deveria ser importante para mim e eu que sempre li muito, passei a ler mais ainda.
Isso é passado, Renato Russo e Cazuza foram ídolos do passado, hoje os tempos mudaram, Talvez a primeira coisa a se saber de alguém é onde ele malha, onde faz lipo, onde se brônzea e por aí vai. Os novos ídolos são mais preocupados com a beleza estética do que a beleza intelectual.
Um fato acontecido nos faz pensar, os que ainda pensam, em um dos seus programas de televisão, vi pelo CQC em seu TOP 5, Silvio Santos perguntava a Carla Perez uma palavra a respeito do Alasca e ela disse: praia. Isso gerou até uma brincadeirinha do dono do baú, mas ela não parou por aí, depois associou Baco a barco e grande canal ao rio Tietê, só lembrando que a moça é a mesma que em outro programa pergunta a uma telespectadora se a letra era I de escola, depois ela ainda fala se era E de isqueiro.
Ela continua ser uma moça de glúteos grandes e bonitos, será que só isso é suficiente para ser um ídolo brasileiro? Cada um, ou cada povo tem o ídolo que merece!

2016: A olimpíada do Lula!

Por Fabiano Fernandes Garcez | 10/07/2009 02:19:00 PM em , , | comentários (0)

Quer queiram os críticos ou não, o Rio venceu Madri, Tóquio e Chicago na disputa pela Olimpíada de 2016. A quem devemos creditar essa vitória? A Lula, claro.
Apesar de ser muito criticado pela imprensa tupiniquim e também, pelo Zé Povinho, que muitas vezes repete que ouve na televisão sem saber o que está falando, Lula é um líder respeitadíssimo fora do Brasil e transmite muita confiança para outros líderes e, principalmente, para instituições internacionais, não é por acaso que Obama se referiu a ele como: O cara! Não tenho como garantir, mas se fosse outro presidente, o Brasil não sediaria nem a Copa de 2014, mesmo sendo o país do futebol.
Alguns críticos estão dizendo que com os problemas que o Brasil tem, não deveria gastar milhões com os jogos olímpicos, porém se até agora nunca houve uma olimpíada, por que ainda temos esses problemas? A real questão é que esses críticos elitistas preconceituosos, não conseguem suportar a ideia de que um brasileiro, nordestino, sem um dedo, que escorrega na concordância verbal e agora deu para enfiar “ou seja” em toda frase , conseguiu fazer justiça social no mundo! Coisa que nenhum sociólogo afrancesado da USP fez! É a primeira olimpíada na América do Sul!
Não votei no Lula e encontro inúmeros defeitos em seu governo, mas é inegável que é um grande estadista. E para utilizar metáforas lulantes, o Rio de Janeiro deve fazer como aquelas mulheres que são lindas por natureza, mas estavam um pouco desleixadas, sem auto-estima e apanhando dos maridos fazem quando são convidadas para ir a um casamento. Vão a um salão de beleza, passam o dia todo lá e chegam ao Buffet deslumbrantes, depois vão pagando as parcelas do cartão de crédito ou os cheques pré, se der!

Vamos colocar os políticos no paredão?

Por Fabiano Fernandes Garcez | 9/30/2009 02:56:00 PM em , , | comentários (0)

No mês passado escrevi uma crônica sobre os Realities Shows e ao final sugeri que se utilizasse com os nossos políticos, o mesmo processo de eliminação dos concorrentes, motivado pelas denúncias contra nosso El Bigodon, José Sarney. Não é que isso pode ser verdade?
Tramita na Câmara, já aprovada pelo Senado, o Recall Eleitoral, que é submeter os mandatos políticos de parlamentares ou chefes do poder executivo a um referendo para o eleitorado decidir se os mantêm ou não. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), com o apoio da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) e da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) faz campanha em seu site para a aprovação da Proposta de Emenda Constituicional 73/2005, percebe-se pela data, que minha crônica foi posterior a sua criação.
Funcionaria desta forma: O referendo pode ser convocado com um pedido de 2% do eleitorado nacional, após, pelo menos, um ano do mandato, com isso a população poderia revogar e substituir os mandatos de vereadores, deputados e senadores, bem como de prefeito, governador e presidente da República. Assim a população não precisaria esperar até a próxima eleição para retirar do poder os corruptos e toda a corja de péssimos políticos que temos.
O Recall pode ser uma grande novidade por aqui, mas é muito antigo, o primeiro aconteceu em 1903 em Los Angeles, EUA. Os contrários a essa medida argumentam que não é justo com os mandatários, por não dar tempo suficiente, e de direito adquirido, para o exercício das funções e a chance de recuperação e reparação de alguns deslizes como inoperância ou incompetência.
Resta saber se um telespectador de reality show, que não sabe escolher um candidato e, pior ainda, nem se lembra dos parlamentares em quem votou, estará preparado para a eliminação.

A unanimidade comercial

Por Fabiano Fernandes Garcez | 9/23/2009 08:43:00 PM em , , | comentários (0)

Existem algumas normas, que não estão escritas em lugar algum. Fui a uma pizzaria nesse fim de semana e a televisão estava ligada na rede globo, (escrevo assim mesmo no minúsculo!) ninguém a assistia, estava para as paredes, porém na rede globo. Por quê? Porque existe a regra que “todos” assistem a essa emissora, mesmo quem a detesta, como eu.
Você já ouviu alguém falando que se não for coca-cola não é refrigerante? Garanto que sim. Baseado nesta “norma” a coca-cola fez uma série de anúncios contra os refrigerantes mais baratos de pequenas empresas, por ela, chamado de refrigereco.
Esses dois exemplos são apenas ilustrativos, não vou ficar fazendo propaganda para essas nem outras empresas, pois o espaço desta crônica não é para isso, o leitor mais atento perceberá que de propaganda aqui não tem nada, mas há um ditado que diz: Fale mal, mas fale de mim. Para isso é utilizado o axioma: Se todos falam de um determinado produto, logo ele se torna conhecido e se tornando conhecido, é bom. Com isso cria-se o padrão, e tudo que não foge: Não é bom, claro!
De onde tiramos isso? Dos Slogans criados nas agências de propagandas, que pregam conceitos exclusivistas e, por vezes preconceituosos. E infestam toda mídia. O apelo à unanimidade, que referenda a qualidade (segundo esses slogans), não se restringe a apenas produtos, mas a tudo que é comerciável, como programas de televisão, (Você não assiste a novela? Não acredito!) cantores e bandas, (Você não gosta do Calipso?) inclusive as pessoas, (aqueles populares dos filmes americanos e nossos Big Brothers).
É sempre bom lembrar de que a pluralidade é muito bem vinda em todos os lugares e situações, até na área comercial e, também, da famosa frase de Nelson Rodrigues: Toda unanimidade é burra!

O preconceito poético

Por Fabiano Fernandes Garcez | 9/16/2009 04:32:00 PM em , , | comentários (1)

Sou poeta e grande leitor de poesia, gosto, também, de ler crítica sobre isso, mas tenho percebido, já há algum tempo, que alguns críticos estão confundindo gosto pessoal com qualidade poética, o que denuncia que a poesia ainda vive em grupos de amigos que ficam se bolinando mutuamente e pior ainda, na minha opinião, é que estão pregando a forma única, ou seja, querem que os poemas atuais sejam cópias de uns poucos já conceituados.
O linguista e professor Marcos Bagno, que é conhecido pelos seus livros que denunciam o preconceito social por meio da linguagem, não faz ideia de que esse preconceito está agora na poesia. Em algumas leituras percebo que aqueles que fazem poemas com uma linguagem mais simples e menos apurada são tachados de negligentes em relação à arte poética, o que achariam, esses críticos, dos poemas de Oswald de Andrade ou Mário Quintana se publicassem hoje?
Muitos críticos pregam o hermetismo poético, poema bom é poema ininteligível para a maioria. Eu não posso concordar, por minha militância na democratização da poesia. Democratização não é a facilitação. Não. É o convite através de uma linguagem mais simples, longe da simplória, àqueles que não têm o costume da leitura de poemas, ou usando um termo de um amigo meu: Pregar aos não convertidos. O meu sonho é que a poesia ganhe as ruas, de modo mais literal possível.
Não faço apologia à poema de má qualidade, descuidada, mas prego a diversidade de linguagem, já imaginaram as pessoas nos escritórios, nos salões de cabeleireiros, ou em qualquer outra parte conversando sobre poesia em vez de conversar sobre a novela das oito? Sonho? Se depender dos críticos sim, porque o preconceito social jamais permitirá que a poesia fosse algo popular e não de uma elite.

Colocaram o bigode de molho

Por Fabiano Fernandes Garcez | 9/09/2009 06:57:00 PM em , , | comentários (0)

Há muito tempo venho observando que os homens de hoje não usam bigode, há homens com barba, cavanhaque, mas o bigode sozinho é raro. O bigode está em falta!
Segundo alguns etimólogos, os povos visigodos que viviam na Península Ibérica usavam uma marca registrada: seus bigodes, assim surgiu a palavra bigoth (bigode) derivação de visigoth (visigodos) e com o tempo passou a se referir a penugem abaixo de lábio, mas, se tratando de etimologia, há controvérsias.
Lembro que na minha infância meu pai conhecia inúmeros Bigodes. Assim, apelido, quase nome próprio. Olá, Bigode, com está? Ó não esquece de mandar um abraço pro Bigode! Chegou o Zé Bigode!
Alguns entraram para a história e viraram modelos de outros tantos, como do cantor Freddie Mercury, sempre bem aparado, outros não tão volumosos, como o do Hitler e do Chaplin que eram pequenos, menores que a boca, porém forma marcantes. O bigode chinês, fino e comprido é muito famoso em filmes, o que Marcel Duchamp fez no retrato da Monalisa também é. Aliás, mulher de bigode é raro, mas existe, como também o dito popular que diz que mulher de bigode nem o diabo pode!
O bigode português também foi bem popular, era espesso e levemente ondulado para cima, geralmente era acompanhado por uma caneta atrás da orelha e uma camiseta branca. Já ia me esquecendo do mais famoso bigode do senado. E o que dizer do escovão de Nietzsche, esse sim era um senhor bigode, inigualável, impunha respeito aonde chegava
Apesar de estar fora de moda, o bigode é algo curioso, pelo menos para mim, era um símbolo de virilidade. Será que são esses novos tempos que fizeram os bigodes desaparecer? Talvez porque agora não é mais necessário algo que represente a masculinidade do homem moderno.

Recentemente alguém me contou a história que tinha ido ao Museu do Imigrante e, não sei o porquê, precisava consultar algo na Internet, ali mesmo, quando viu uma placa que dizia: Sala de Navegação. Não teve dúvidas, entrou, mas qual não foi a sua surpresa? A sala simulava a navegação dos navios em que os imigrantes vinham para o Brasil, longe de ser o local para navegar nos mares da rede virtual.
O significado de uma palavra pode mudar em uma determinada região ou no decorrer do tempo, um exemplo é a palavra Interessante, antes era usada exclusivamente para dizer que algo interessava por ser curioso, importante, atraente, porém, hoje, quando escutamos que algo é interessante pode ser justamente o oposto, que é razoável, apenas mediano, sem graça ou pior ainda, maçante, entediante.
O grande escritor João Guimarães Rosa, que tem um dos melhores nomes de nossa literatura, escreveu em um dos seus contos, o problema de um médico para explicar a um cangaceiro o sentido da palavra: Famigerado, dita a ele por um homem do governo. O narrador vê que o destino do pobre servidor está em suas mãos e cabe a ele escolher bem as palavras para dizer ao jagunço a real acepção da palavra, de modo que não coloque em risco a sua vida e a do maledicente.
Quase todas as palavras têm inúmeros significados, às vezes deixamos alguns de lado ou apenas nos lembramos dos mais utilizados no nosso cotidiano. Foi o caso da navegadora do museu, que esqueceu que navegar se referia ao embarcar rumo a algum lugar em um navio, contudo ao confundir o valor semântico das palavras, em linguagem de dia de semana, viajou na maionese, que é um termo muito interessante.

Alguns dizem que o que move o artista é a inspiração, porém diferente de muitos, sei que ela não existe. Se existisse seria fácil demais criar algo, bastava esperar sua graça para que um artefato, uma pintura, uma escultura, ou até mesmo uma crônica surjisse. Caso contrário não seria culpa sua, a inspiração é que lhe faltou, mas não é bem assim. Segundo uma frase do iluminado inventor Thomas Edison: “A genialidade é 1% inspiração e 99% de transpiração".
Comecei a escrever meu texto sobre a descriminalização da maconha na Argentina, fiz umas 180 palavras, estava horrível, parecia redação de aluno primário, então a apaguei. Depois iniciei outra sobre algo que adoro e recorro sempre quando não tenho o que escrever: As curiosidades de nossa língua. Mas não saí do primeiro parágrafo, essa não apaguei, também não corrigi os erros, sem o termor do produto inacabado, aqui está:

Já reparou, caro leitor, que nossa língua não é lógica? Existem algumas coisas interessantes que não me tiram o sono, porém me colocam em profunda reflexão. Ao analisarmos algumas expressões cotidianas, exemplo: Sabor de pizza. Como alguma coisa pode ter sabor de pizza se a pizza é um alimento de diversos sabores? Alguns poderiam dizer que é o sabor da pizza original, ou seja, molho de tomates, queijo e orégano. No entanto se ligarmos para uma pizzaria e pedirmos uma pizza, a original, logo escutaremos um: de quê?

Assunto não me falta, poderia escrever sobre a Gripe Suína, a guerra das TVs, o Senado, ou muitas outras coisas, acontece que quero escrever algo não genial, mas diferente das informações das quais somos massacrados diariamente pelos meios de comunicação de massa, contudo pela inexistência da inspiração acabei transpirando para escrever sobre minha incapacidade de criar uma crônica.

O clima louco de São Paulo

Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:48:00 PM em , , | comentários (0)

Meu pai sempre disse que em São Paulo em um mesmo dia temos as quatro estações. Não é para tanto, mas em alguns dias devemos estar preparados para tudo, por exemplo: você deve sair de casa com uma blusa ou uma jaqueta, porém com uma camiseta leve por baixo, porque ao meio-dia vai estar um calor insuportável, lá para o final da tarde chove, por isso um guarda-chuva é importantíssimo e no início da noite esfria novamente.
Quando trabalhei em uma empresa eu ia quase todos os dias a um departamento público na Marginal Tietê, no meio da manhã, entrava no carro e deixava o terno no banco de trás, dez minutos depois, ao encontrar o trânsito e o sol, a gravata ia para o banco ao lado, arregaçava as calças até os joelhos, um pouco mais de sol e trânsito lá se iam os sapatos, depois as meias, a camisa que já estava aberta e suada nas costas ia para o banco traseiro, chegando ao local era só se vestir novamente e correr para uma sala com ar condicionado.
Às vezes o que mais me chama a atenção é a maneira bem peculiar de se vestir de alguns. Além de ver botas e chinelos caminhando juntas, pessoas de sobretudo lado a lado com outras de bermuda e camiseta, tudo no mesmo ambiente. Sem contar as combinações mais surpreendentes: camiseta sem mangas com cachecol ou touca de lã, bermuda e jaqueta e o novo acessório: óculos escuros, mesmo na chuva ou à noite.
O paulistano é tão caótico em sua vestimenta quanto o clima de sua cidade, já deve estar acostumado passar frio e calor em um só dia, por isso mesmo não deve se importar de estar ou não com a roupa adequada.

As faces do nosso INHO

Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:46:00 PM em , , | comentários (0)

Algumas coisas na língua portuguesa são realmente interessantes, e uma delas é o diminutivo. Usamos esse recurso para indicar que algo (um substantivo) é menor que o normal, porém com o sufixo a palavra fica maior para indicar o menor, por exemplo: para a palavra MENINO ao colocar o sufixo INHO que indicará um menino menor temos uma palavra maior MENINHO.
Existem outros sufixos, não são muito comuns é verdade, mas existem, veja só como ficam: Casa, Muro, Pedra, Rio, Cão, Corpo, Diabo, Flauta e Frango: Casebre, Mureta, Pedregulho, Riacho, Canito, Corpúsculo, Diabrete, Flautim e Frangote. Lembrando que alguns sufixos chegam a mudar a palavra original, você sabia que o diminutivo de Cão pode ser também Cachorro? Isso é uma questiúncula (para quem não sabe diminutivo de questão.
Às vezes, o diminutivo nos serve para indicar afeto também. Quem já não teve o prazer de ser convidado para conhecer o Irmãozinho de uma namorada, chegando lá o cara tem quase dois metros de altura e dois de largura? Ou como todos já alguma vez ouviram de bocas baianas o famoso Paiiiiinho ou a santa Mãeiiiinha. Também utilizamos o diminutivo para indicar ironia, como por exemplo, em um estádio de futebol que gritamos para o time adversário: Timinho, Timinho! Porém se você, leitor, um dia me disser: Leio suas croniquinhas, não saberei se o diminutivo foi empregado para indicar a ironia (você não gosta de minhas crônicas) ou o afeto (você gosta delas), aí então terei um probleminha.
Mas o que mais me fascina é quando usamos o diminutivo para indicar o aumentativo, é isso mesmo! Então me responda o que é mais quente: Um café quente ou um café quentinho? Ou melhor ainda, o que é mais gelado: Uma cerveja gelada ou uma cerveja geladinha?

Por que precisamos tanto de um rei?

Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:46:00 PM em , , | comentários (0)

Hoje em dia são poucos países cuja forma de governo é a monarquia, ainda mais por que nas monarquias que existem a figura do rei é apenas alegórica, então por que precisamos encontrar um rei para tudo? Será nosso passado ancestral falando mais alto? Será que não nos acostumamos viver sem uma figura central que nos represente, não só governamentalmente, mas em tudo: naquilo que somos, naquilo que gostamos...
Já perceberam quantos reis sem reinos que já ouvimos falar? O da moda é o Rei do Pop, mas ainda há o Rei do futebol, o Rei do basquetebol, os Reis do ie-ie-ie, o Rei do Rock, o Rei do Soul, o Rei Lagarto, ainda na música – só que na brasileira –, temos o Rei Roberto Carlos, o Rei do baião, Gilberto Gil, em Domingo no parque, criou o Rei da brincadeira e o Rei da confusão, entre outros reis que fizeram sucesso em músicas temos o Rei do Gado e o Rei do café. Isso sem contar outros títulos monárquicos como príncipes e rainhas, por exemplo, o Príncipe Ronnie Von e a Rainha dos baixinhos.
É comum algumas lojas se auto-entitularem reis naquilo que fazem, rei do algodão, rei das carnes, rei do preço baixo, rei disso, rei daquilo outro... O leitor pode de cabeça e sem pensar muito aumentar a lista de reis. Como em algumas expressões: o Rei da cocada-preta e o Rei dos reis.
O porquê dessa nossa necessidade de um rei, não sei, mas é um assunto interessante para um longo estudo, talvez isso se deva, realmente, a nossa busca por uma representatividade, coisa que a mídia adora, porque ela ganha muito dinheiro com isso. Enfim, rei morto, rei posto. Vida longa ao novo rei – seja ele quem for!

O poder da música

Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:44:00 PM em , , | comentários (0)

Com a recente morte do Astro Pop Michael Jackson, jornais e sites noticiam que as vendas de seus albúns aumentaram e muito. Seria isso apenas oportunismo? Acho que não, pois o poder da música em nossas vidas é muito grande, tão grande que agora a ciência tentar entender e explicar esse fenômeno.
Segundo os cientistas, o cérebro usa a música como um marcador da memória emocional, ou seja quando ouvimos uma determinada canção lembramos-nos de pessoas com quem convivemos ou de situações de que passamos. Um bom exemplo disso, foi quando assistindo ao jogo do Brasil vi a notícia da morte de Michael Jackson e na hora pensei em alguns parentes, que não vejo há muito tempo, em Minas Gerais, é que, quando eu era pequeno, cerca de oito ou nove anos, ia passar as férias em Pouso Alegre e lá minha prima que é um pouco mais velha que eu tinha um compacto de Michael e toda vez ouvíamos juntos. Meu cérebro associou Michael Jackson a Pouso Alegre, interessante né? Mas tudo isso é inconsciente.
A música também é usada para criar laços sociais, nossos ancestrais usavam cantavam em rituais de celebração, tristeza e guerra, até hoje é assim, usamos o poder do ritmo musical para formatar a sincronização, em estádios de futebol, bailes funk, carnaval, trio elétrico ou outros locais de aglomeração de gente. Ao cantar é criado uma unidade entre elas, é como se todas fossem uma coisa só, estivessem sob do mesmo sentimento.
Muitos compositores renomados usaram sua música para impelir ou engajar pessoas a uma causa, caso do próprio Michael ao encabeçar o projeto USA for Africa com a música We are the world.
Por enquanto o mais importante a saber que a memória musical é a nossa fonte da juventude.

O inútil útil

Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:43:00 PM em , , | comentários (0)

Há algumas coisas interessantes nesse nosso mundão, uma delas é o que caracterizamos útil ou inútil, prefiro a definição da segunda: (1 Que não é útil, que não tem préstimo (despesa inútil); DESNECESSÁRIO. 2 Infrutífero, estéril, vão (esforço inútil). 3 Que nada faz ou produz (diz-se de pessoa); IMPRESTÁVEL.) do Aulete digital.
Quando criança nunca fui um aluno brilhante, sempre fui, assim, seis ou sete, a matemática, química ou física, que me diziam ser útil, para mim, era inútil, mas sempre fui de ler bastante, principalmente, livros infanto-juvenis (aquela série Vaga-lume, até a minha época li todos, menos os que eram do Xisto que eu odiava) e romances policiais: Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle (o autor de Sherlock Holmes), quadrinhos do Batman, Super-Homem, Homem Aranha e revistas sobre Ufos, tudo isso seria considerado inútil sob um manto de cultura clássica, se posso assim dizer.
Depois que cresci adquiri novos hábitos, como ler alta literatura e escutar boa música, à medida que minha biblioteca e minha discoteca, na época eram os Lp´s, iam crescendo, minha mãe falava que eu só gastava dinheiro com bobeiras, ou seja, coisas inúteis. Percebo que minhas raízes culturais foram fincadas ali, quando preciso de uma referência geralmente é de algo que tive contato nessa fase, lógico que isso não é regra, mas tenho certeza que se não tivesse lido o que li, escutado o que escutei não teria as ideias, as opiniões que tenho e, principalmente, não seria o que sou hoje.
Talvez ainda não saiba diferenciar o útil do inútil, mas sei o me que foi e é útil, foi e é considerado inútil para muitas pessoas e que hoje não troco o meu inútil e o meu útil por nada, ainda mais sabendo que o meu inútil é útil.


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