Estive conversando com uns amigos, conversamos muito, e não conseguimos chegar a uma conclusão/solução, ou melhor, nem chegamos, depois de desfazer a pergunta, ficamos estagnados no início: Poesia não vende, ponto.
Talvez seria porque poesia não é necessária, mas consumimos muitas coisas que também não são. Compramos badulaques, trecos, até camisas, calças, sapatos que nunca usamos. Vi em um programa de televisão uma figura que tinha mais de cento e cinquenta pares de sapatos, se ela usasse todo dia um, coisa que duvido, ficaria cinco meses desfilando de sapato diferente, será que isso é necessário? Assisti o programa e nem sabia porque, logo não era necessário, mas eu estava lá, em frente a tv, consumindo essa porcaria! E o pior que tenho prova em minha, mal dita, memória!
E por que diabos que essas pessoas não consomem poesia? Os grandes, Drummnond, Pessoa, Quintana, Bandeira, até eles, sofrem com as vendas pífias, agora os pequenos, os poetas contemporâneos, aqueles que encontramos no bar ou na rua, coitados, nem se fala.
Creio que a sociedade moderna tornou o homem tão egoísta, que ele não está disposto para ter uma nova perspectiva, uma nova visão sobre um tema e até mesmo uma dor de cotovelo que não seja a dele mesmo. Muita informação esse homem recebe, mas a poesia não é apenas informação, ela dá recados ao coração, à alma, a sensibilidade desse homem, que não está acostumado, ou até, nem saiba que existe nele um coração, uma alma e a sensibilidade, e pior ainda! Talvez nem exista mesmo, vai ver o homem moderno já venha sem esses itens de fábrica.
Como já disse o grande poeta Roberto Piva: A poesia entendida como "instrumento de Libertação Psicológica e Total, como a mais fascinante Orgia ao alcance do Homem"
Por quê poesia não vende?
Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:42:00 PM em Crônicas, Fabiano Fernandes Garcez, São Paulo | comentários (1)
Meu amigo Peixe Grande
Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:42:00 PM em Crônicas, Fabiano Fernandes Garcez, São Paulo | comentários (0)
Contar histórias é uma dádiva, mas nem todos sabem fazer isso, outros, por sua vez, fazem muito bem. Há aqueles, porém, que não só contam, mas também vivem suas histórias. A ortografia contribuiu com eles quando não mais diferenciou História – a ciência histórica, a disciplina que aprendemos na escola -, e Estória – narração fictícia, conto de origem oral e popular, fábula.
Tenho um amigo que é um fabulador nato, para uns um mentiroso de mão cheia, para outros um contador de histórias tão magnífico, que até ele chega a acreditar nelas. Seu nome? Não posso dizer, até mesmo porque se dissesse ele diria que é mentira. Chamamos ele de Edward Bloom, protagonista de Big Fish, quem assistiu a esse fabuloso filme saberá o que quero dizer, quem não assistiu, depois de ler esta crônica, vale a pena correr até uma locadora, uma das que ainda resistem firmemente, e dar uma conferida.
- (...) se ele contasse, ele apenas diria os fatos, não colocaria nenhum sabor... Essa fala de Ed Bloom resume bem o modo de enxergar a vida dele e desse meu amigo, - que talvez sejam o mesmo. Existem pessoas que gostam de retratar a vida por fatos reais, comprováveis, outros são grandes demais para a vidinha que levam, então preferem se referir a ela de forma impressionante. Não irreal, mas melhorada. Eles não mentem, não são caluniadores baratos, são poetas, criadores de novas realidades, dá mesma forma que os grandes escritores são. O objetivo é tornar suas histórias mais bonitas e atraentes para quem lê ou ouve.
Meu amigo vai a uma viagem inóspita, difícil, sei que lá ele viverá fatos terríveis, mas quando ele voltar, é certo que voltará bem, essas histórias se tornarão fantásticas, surreais, inacreditáveis e principalmente maravilhosas de se ouvir.
Você viu ou colocou poesia aqui?
Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:41:00 PM em Crônicas, Fabiano Fernandes Garcez, São Paulo | comentários (0)
Um grande amigo meu veio com uma provocação: O poeta vê poesia nas coisas ou põe poesia nas coisas que vê? Sei lá, respondi. Não sabia mesmo, mas resolvi refletir um pouco.
É impossível tentar definir poesia em apenas trezentas palavras, mas vamos lá. Primeiramente devemos separar poesia de poema. Poesia é o conteúdo, esse conteúdo pode conduzir a transcendência, beleza ou emoção, e poema é apenas o texto escrito em versos. Assim, o poema pode ter ou não poesia. Já a poesia pode estar presente em um poema, um filme, até mesmo em um entardecer, enfim, em tudo que, de certa forma, percebemos pelo sentimento, ou pela emoção.
Acho que o poeta enxerga poesia onde outras pessoas não veem, para ele é ver a poesia já existente, para os outros, quem sabe, seja colocar poesia onde não existia. Conheço alguns poetas que jamais escreveram um poema sequer, mas em conversas sempre aparecem com uma sacada legal, uma visão diferente sobre alguma coisa. Ver poesia, talvez, seja estar perceptível as belezas do mundo, das coisas, dos homens e das ideias. Há uma definição que gosto muito, cujo autor não me recordo, diz assim: Poesia é o olhar incomum sobre os homens comuns.
Um dia escutei os versos da canção Relicário de Nando Reis: (...) Sobe a lua porque longe vai?/Corre o dia tão vertical/ O horizonte anuncia com o seu vitral/ Que eu trocaria a eternidade por esta noite (...) Achei maravilhoso, já imaginou trocar a eternidade por uma noite apenas? E pior, saber que será só uma noite? Eufórico cantei para um amigo, ele disse: Nada a ver, né? Se foi o Nando Reis que colocou nesses versos, ou se só eu consegui ver, não sei, mas que há poesia ali, há!
Metáfora e Ironia
Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:39:00 PM em Crônicas, Fabiano Fernandes Garcez, São Paulo | comentários (0)
Você é um anjo! Você é um tesouro! Não leitor não é um diálogo de um casal de namorados apaixonados. São exemplos de metáforas, tá lá no dicionário: Figura de linguagem que consiste em estabelecer uma analogia de significados entre duas palavras ou expressões, empregando uma pela outra. (Aulete Digital).
Melhor do que saber o que é, é saber para que usamos, e olha que usamos muito..., utilizamos a metáfora para indicar uma comparação de alguma coisa, por exemplo: Você é um anjo! Quem diz isso, compara as qualidades do anjo: bondade, inocência, beleza, divinidade e etc a alguém. Os poetas usam em seus poemas a torto e direito para expressar o que querem dizer, dizendo outras coisas. Agora, quando dizemos: Você é um anjo! Com um tom de voz mais baixo ou mais pausada que o normal, querendo dizer o contrário disso, aí já é a ironia, outra figura de linguagem. Também a utilizamos muito no dia a dia, o pior é quase sempre ninguém entende.
Conheci um rapaz que não entedia metáfora e, muito menos, ironia. Era um inferno conversar com ele. Brincadeira então? E piadas? Já imaginou contar piadas a alguém que não consegue entender que o que é dito não é o que está sendo dito? Olha que o rapaz se dizia muito culto, era estudante de uma dessas universidades badaladas e tudo. Certa vez, falando sobre futebol, disse eu: É, o Corinthians dançou! Como assim dançou? Dançou o quê? Ele respondeu.
Tanto a metáfora como a ironia fazem da língua portuguesa, seja ela a culta ou a coloquial, uma das mais lindas e inventivas do mundo. Você não precisa saber o que é metáfora ou ironia para saber como alguém dança sem dançar e que esse rapaz devia ser muuuuito inteligente ...
A crônica
Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/26/2009 05:33:00 PM em Crônicas, Fabiano Fernandes Garcez, São Paulo | comentários (0)
Para dizer o que é crônica, começo dizendo o que ela não é. Não é uma notícia, nem uma reportagem, apesar de estar presente na imprensa e às vezes retratar acontecimentos diários e quase sempre ser escrita por jornalistas, mas também não é literatura, mesmo existindo livros de crônicas e ser escrita por muitos poetas e romancistas.
Você deve estar se perguntando: “Mas que raio, então, é uma crônica?” É um texto curto que geralmente é publicado por um jornal, escrita com uma linguagem simples, linguagem de dia-de-semana, – já diria o famigerado do Guimarães Rosa -, vira e mexe aparece com uma pergunta ou simulação de diálogo com o leitor. O cronista, o cara que escreve a crônica, se inspira em acontecimentos diários, presentes ou não na imprensa, mas ao fazer isso dá a ela um toque pessoal, apresenta um tema sob seu ângulo de visão singular, de uma forma leve, descontraída, por vezes até com uma pitadinha de fantasia, criticismo, ironia e por aí vai.
No Brasil, existem e já existiram ótimos cronistas, como por exemplo: Ferreira Gullar, Luís Fernando Veríssimo, Arnaldo Jabor, Carlos Heitor Cony, Mário Prata que escrevem hoje em dia em grandes jornais, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, Nelson Rodrigues, Raquel de Queiroz e outros tantos que já atravessaram o rio, - como o grande poeta Thiago de Mello se refere àqueles que já nos deixaram. A crônica, por seu caráter espontâneo e quase oral é um texto adorado pelos brasileiros.
Enfim, a crônica é isso, fazer com que o leitor leia e se informe sobre algo, sem perceber, como o amigo leitor que chegou até esse último parágrafo fez, leu e se informou sobre esse gênero textual prazeroso de se ler e mais ainda, de escrever.
O ex-cônjuge quer ser mais que um retrato na parede: ser um fantasma
Por Unknown | 8/07/2009 02:29:00 AM em Adams Alpes, Caçapava, Crônicas | comentários (0)
(Adams Almeida Lopes, 07 de agosto de 2009)
Corrida injusta que todo brasileiro sorridoente
Por Unknown | 7/25/2009 10:45:00 PM em Adams Alpes, Caçapava, Crônicas | comentários (0)
Gripe causa status quo
Por Unknown | 7/21/2009 04:42:00 AM em Adams Alpes, Caçapava, Crônicas | comentários (0)
Há pouco, li nos jornais, que os hospitais no Rio de Janeiro e em São Paulo estão em uma situação em que salta gente pelas janelas para ser atendida. Tudo culpa da mídia. O mais engraçado é que o povo brasileiro fisga direitinho a isca e aglomera-se, metro por metro, nos corredores dos hospitais, transformando a saúde pública num caos. Mas, é exatamente isso que a mídia quer. Portanto, ter gripe suína no país do carnaval, é ter status. É entrar para o hall da fama das pessoas que pegaram uma epidemia mundial que entrou pelas portas da frente do país: com os turistas que, diariamente, entram e saem dos aeroportos do nosso país, com ou sem aquela afeição de bonzinhos, carentes e deslumbrados com tanta beleza (principalmente das mulheres), e que somente conhecem o carnaval, Pelé e, agora, o Ronaldo. No país do futebol, que pessoa não quer se gabar para os amigos e para a família, que esteve internado por causa de uma doença que pegou de um turista mexicano, espanhol ou norte-americano?
O fato mais cômico, e que chama mais a atenção, é que se fosse o dia nacional de doação de sangue, de doação de órgãos ou de doação de agasalho, com toda a certeza, e arranco meus ouvidos se eu estiver errado, os hospitais não estariam lotados de pessoas até à tampa, pulando pelas janelas, implorando para os médicos um minuto de atenção. Os bancos de sangue não estariam vivenciando um caos e a mídia, muito menos, divulgaria tal ação. Fato curioso: alguém já reparou que os médicos que realizam os atendimentos aos suspeitos da gripe suína não são adeptos aos acessórios da moda, como as máscaras, as luvas etc.? Muito menos os vejo usufruindo o banheiro e lavando as mãos a cada atendimento feito. É! A gripe suína é o caminho mais curto para se tornar emergente ou socialite. Um dia desses, meu pai, para conseguir uma meia-dúzia de gatos pingados para doar sangue no hospital público, teve que gastar a língua tentando convencer os amigos que um dia poderia ser um deles no lugar de quem precisa. Ainda assim, não conseguiu o impacto que queria. Também, meu pai não é nenhum “âncora” de um noticiário sensacionalista em uma dessas emissoras nacionais de televisão. Além disso, muitos ainda são os pré-conceitos nessa hora, como por exemplo, o medo de pegar doenças, entre outros. Engraçado: na hora de pegar a gripe suína, dentro de um hospital público, ninguém treme na base como vara verde, mas, há nora de doar sangue, o hospital causa uma vertigem, não é? É porque doar sangue não traz status quo a ninguém. Imagine-se em uma roda de amigos: se disser que doou sangue, ninguém aplaude. Ninguém assobia. Ninguém vibra. No entanto, se disser que esteve de cama durante alguns dias, por causa da gripe suína, todos irão te vangloriar, te encher de perguntas e fazer um busto para condecorá-lo. Na ocasião, torna-se até herói da cidade. O povo brasileiro é o que mais tem o rabo dos olhos virado para o próprio umbigo e não se importa com o dia de amanhã. Além disso, é um povo extremamente acomodado. Ainda mais depois que o Obama teve a coragem de dizer que nosso querido presidente Lula é o “cara”. Obama!, venha para o Brasil, meu querido. Venha viver alguns meses aqui. Encontre um barraco na Rocinha ou na Cracolândia, ou ainda, quem sabe, nas grandes cidades cosmopolitas, como as capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Você verá como é gostoso desejar ter gripe suína para aparecer no jornal, para ter fama e sucesso por quinze minutos. Você verá como a mídia manda e desmanda em um povo fraco e carente de uma nação forte, firme e com seus heróis, como super-homem. Você verá como é fazer parte de um povo sem identidade e que tem apenas um grito às margens plácidas do Ipiranga e, mesmo assim, falso e pintado à francesa. Um povo carente de heróis, pois não tem a menor ideia e não sabem quem são os verdadeiros heróis de nossa aquarela.
Ainda por cima, para complicar a minha crônica, moro em uma cidade onde tudo, exatamente tudo, “pula” nosso pequeno território. A chuva pula, o calor pula, o circo, os parques, até a gripe suína pula essa cidade. Sorte minha e azar dos meus colegas, já que não vão aparecer nos jornais, nem mesmo locais, sendo vítimas da gripe que fornece status quo social.
(Adams Alpes, 21 de julho de 2009).
O jazz, o sertão e o amor
Por Unknown | 7/18/2009 02:05:00 AM em Adams Alpes, Caçapava, Crônicas | comentários (2)
Em meio a tudo isso, descobri o amor. O jazz silenciou os pensamentos absurdos e brotou em meus olhos e coração o sertão, que agora estava debaixo d’água. O jazz me contagiou. Adentrou em meus ouvidos, alcançou meu coração, passeou pelas veias de meu corpo e alçou vôo à minha mente, um pouco perturbada pela madrugada seca e sonolenta. Pensei em corpos que mutilei em pensamentos impuros; no sertão que o sertanejo se enraíza por ele e por cada pedaço ou metro de terra laranja sem sabor de fruta; nas pessoas correndo solitariamente entre prédios, casas, fantasmas, desconhecidos sentados ou em pé em metrôs, que cortam o grande corpo humano que é São Paulo, mas dono de um coração grande, cheio, triste, solitário e duro, com sabor de cinza.
Embalado pelo jazz em minha cama, depois de lido que o Nordeste sofre um dilúvio e de sentir, num final de semana, que São Paulo é um grande vazio (apesar de transbordar de vidas), pude começar a entender o que é o amor. É a terra, que enquanto laranja e rachada sorri na face do sertanejo; é um estranho fazendo compras num supermercado e que continua desconhecido aos olhos de todos; sou eu, deitado na cama, com a caneta numa mão, o caderno na outra e nos ouvidos, o jazz, porque hoje, agora, estou jazz.



