a voz se cala
no discurso feito
o efeito
silencia
a plateia
o espanto
na plateia
alguém ergue o corpo
e pergunta
sobre a possibilidade
de o discurso ser refeito
com a inclusão de lendas e mitos
fadas e gnomos
mulas-sem-cabeças
a voz se cala.
(Pedro Du Bois, ARMAZÉM DAS PALAVRAS)
ARMAZÉM DAS PALAVRAS
Por Pedro Du Bois | 10/24/2009 07:02:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
(DES)TEMPO
Por Pedro Du Bois | 10/22/2009 09:21:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Na verdade
o tempo
passa
em silêncio
aproveita o vácuo
da linguagem
e avança
leva os corpos
menos os de alguns pássaros
migratórios
voam e gritam verdades
em contrário senso.
(Pedro Du Bois, (DES)TEMPO)
A CONCRETUDE DA CASA
Por Pedro Du Bois | 10/11/2009 08:28:00 AM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (1)
3
A casa ouve o pedido: o instante
do desespero em descobertas. Tempos
de reformas e crescimentos. A peça
se apequena; o espaço parco:
divisão injusta ao aflorado. No jardim
flores perdidas em viço e a árvore cortada.
A terra resseca seu tempero, o fruto
cessa o amadurecimento.
A hora chegada da partida,
ir embora - sem retorno.
(Pedro Du Bois, A CONCRETUDE DA CASA, inédito)
O PRIMEIRO EXERCÍCIO
Por Pedro Du Bois | 10/04/2009 09:03:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
1
O primeiro exercício: retirar da indecisão
a miséria com que completa a cena, o descalabro
de se saber vencedor. Ter sido vencido
no primeiro assalto, ter sido o assaltante
atrás da máscara, a máscara anteposta à resposta
exercitar a palavra em discursos
inúteis
estéreis
ao último aplauso
evitar o exercício da seriedade e se declarar insano
ao tirano que exige seus movimentos: o ser parado
na entrada estende a mão
suplica
invoca mitos
em detalhes
reveladores: o primeiro
exercício é a certeza
da coisa feita.
(Pedro Du Bois, O PRIMEIRO EXERCÍCIO, inédito)
O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS
Por Pedro Du Bois | 9/28/2009 08:27:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
1.
...
Habita seu mundo interior, não será encontrado.
O dia multiplicado em haveres: sonhos irrealizados
cobram substância: cores e o ar da montanha.
O branco e o negro toldam a vista: não verá após
o bastante da coragem consumida na oração final.
...
(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS,
Vol. I, fragmento)
O COLETOR DE RUÍNAS
Por Pedro Du Bois | 9/24/2009 10:20:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
A civilização anterior
ao tempo
das contagens: recoberta em terras
e matas recebe a mão atual
que lhe descerra a vida
(a casa, o solo, o resto de comida,
a petrificação da face encoberta)
o instrumento da caça
o trabalho
o utensílio dentro de casa
(não há a palavra dita e a escuta
desenha paredes apagadas)
a mão cata o resto
e o ensaca - a tarja
identifica local e data.
(Pedro Du Bois, O COLETOR DE RUÍNAS, 1)
PAREDES
Por Pedro Du Bois | 9/22/2009 08:38:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
...
culmina o pecado em ações concatenadas
de futuros assoberbados em castigos
nas inúmeras cenas gravadas
ao mesmo tempo
...
(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, Vol. V, fragmento)
A LEVEZA DO TRAÇO
Por Pedro Du Bois | 9/21/2009 09:44:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Traço abstrato,
impressionista, cubista,
dadaísta, minimalista,
a certeza da mão firme
realizando o desenho,
fotográfico.
Poesia clássica,
métrica exata,
versos rimados,
a importância vista:
descoberta da condição
para libertar palavras.
Versos loucos,
rimas livres,
leves traços.
(Pedro Du Bois, A LEVEZA DO TRAÇO)
XXVIII
Por Pedro Du Bois | 9/17/2009 09:46:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Escolha cuidadosamente as palavras
lavadas
levadas à beira do estúpido
tempo
na temporalidade
em que as sujeições
perseguidas
conseguem se mostrar
inteiras
internamente revestidas
dos convencimentos
dizeres
palavras verdadeiramente escolhidas
matam as orações
terminativas
palavras são dúvidas lançadas
no encadeamento com que a música
cessa
em significados.
(Pedro Du Bois, A RECRIAÇÃO DA MÁGICA)
VERDADES E MENTIRAS
Por Pedro Du Bois | 9/13/2009 03:26:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
...
descola a realidade da tela
e a diz imprecisa
como o juízo
que se declara
suspeito
na sentença
...
(Pedro Du Bois, VERDADES E MENTIRAS, fragmento)
TEMPO CERTO
Por Pedro Du Bois | 9/11/2009 09:19:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Todas as mortes
mortes
flores secas guardadas no chão
(há o tempo certo?)
rictus face
eterniza a lembrança
esculpida na rigidez
com que se apresenta
(há o tempo certo
e não sou quem o determina).
(Pedro Du Bois, TANTAS MÁSCARAS)
AUDIÇÃO
Por Pedro Du Bois | 9/10/2009 06:24:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Afina o piano
nota por nota
em cada corda de aço
lubrifica o banco
e a engrenagem:
regula a altura do banco
dispõe as partituras
e abre a primeira
no sentido exato
sentados em volta:
olhos fechados
e ouvidos abertos
nossos pés
acompanham o ritmo.
(Pedro Du Bois, OS SENTIDOS SIGNIFICANTES)
A CRIAÇÃO ESTÉTICA
Por Pedro Du Bois | 9/09/2009 09:52:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
em Portugal:
http://www.corposeditora.com/site/coleccoes.asp?idcoleccao=29&pag=1
abraços,
Pedro.
CONFUSÕES
Por Pedro Du Bois | 9/07/2009 05:48:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
~
...
as mãos sobem pelas pernas
e do alto avista o sucesso
com que se vende
sob o olhar materno
correlato ao todo
que será abocanhado
aventuras obsoletas
nas páginas imaginadas
como novos preços
a serem divulgados
nada acontece por acaso
nos raros instantes
em que os insetos
ensejam conhecer
da carne o gosto desprezado
...
(Pedro Du Bois, POETA EM OBRAS, Vol. I, fragmento)
ESPAÇOS DESOCUPADOS
Por Pedro Du Bois | 9/06/2009 10:46:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Tenho a medida:
na inconclusa obra
reacendo a luz do término
inacabado. Desmedidas
vidas não olhadas
a distância percorrida em varas
trazem dos horrores a sutileza
da história recontada
o metro alongado no sorriso
antes de chegar à esquina
não carrego medidas desproporcionais
aos erros, busco a menor
distância entre a angústia e a calma
manhã do inverno que se retira
não meço o conhecido espaço
traço em branco o esboço
da chegada: medida.
(Pedro Du Bois, ESPAÇOS DESOCUPADOS)
CUIDADOS
Por Pedro Du Bois | 9/04/2009 05:14:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Todo cuidado
pouco
onde o cuidado
pouco
toco em seus ombros
com cuidado
porque todo cuidado
é pouco.
(Pedro Du Bois, em PEQUENOS ESCRITOS)
TER IDO EMBORA
Por Pedro Du Bois | 9/03/2009 12:59:00 AM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Passos importantes
alguns instantes
rápidas passagens
de quem busca nos arcos
dos anos
a idade que foi embora.
Quem tinha a minha idade
antes de chegar a essa cidade?
Tenho em mente
a saudade decorrente
daquela jornada.
Quem vai embora
sempre tem histórias para contar.
(Pedro Du Bois, em REENCAMINHADO)
LIVRES
Por Pedro Du Bois | 9/01/2009 09:56:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
5
No desejo expressado
o sonho
de ter por inteiro
o mundo
como se apresenta
o abraço longo
e a demora eternizada
em nossos corpos
horas fáceis
entre ponteiros inúteis
podemos ficar juntos
e a queda se faz ao alto
de onde nos vemos
unos
somos a liberdade
na ação do verbo.
(Pedro Du Bois, em LIBERDADE)
PORTAS E VENTOS
Por Pedro Du Bois | 8/31/2009 10:37:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
No andor
a imagem
cristalizada
da divindade
em barro
como fomos feitos
no início
o povo apático
segue a passagem
da imagem
em barro
como são feitos
os futuros.
(Pedro Du Bois, em PORTAS E VENTOS)
DESPERTAR
Por Pedro Du Bois | 8/28/2009 04:47:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Vejo o pássaro
preso ao espaço
vejo-me solto
dentro de casa
a campainha desperta
prendo-me ao pássaro
o espaço não me acolhe
ao barulho das campainhas
que despertam.
(PEDRO DU BOIS, em O ESPAÇO VAZIO)



