A PEDRA DESCORTINADA

Por Pedro Du Bois | 7/24/2009 10:49:00 PM em , , | comentários (0)

Dessa vez
- última -
não voltarei
o rosto
em pedido

serei a despedida
seca em folhas
sobre as pedras
do caminho

o ir embora
na promessa da hora

dessa vez
- derradeira -
não terei o sal
e o gosto do pedido.

(Pedro Du Bois, em A PEDRA DESCORTINADA)

BREVES GESTOS

Por Pedro Du Bois | 7/22/2009 09:39:00 PM em , , | comentários (0)

O povo de paz
não deseja o território vizinho
nem quer se apropriar da riqueza alheia

esse o discurso

o povo colonizado cultural e economicamente
mal consegue proteger suas fronteiras,
acostumado a ser roubado em suas riquezas

essa a prática

discurso e prática
milenar maneira
de enganar a si mesmo

fazer de conta que tudo acontece
como planejado, manter a hierarquia
e o culto ao passado.

(Pedro Du Bois, em BREVES GESTOS)

VIR

Por Pedro Du Bois | 7/20/2009 10:50:00 AM em , , | comentários (0)

...
o soluço do menino entrecorta a sala
de visitas e os vizinhos se apressam
na retirada estratégica das derrotas

vir junto à passagem das histórias
mal contadas em noites frias
como se pudessem ser retiradas
as argolas e os elos os prendessem
nos espaços fechados das premissas
...

(Pedro Du Bois, em POETA em OBRAS, Vol. VI, fragmento)

LUÍSA

Por Pedro Du Bois | 7/15/2009 09:34:00 PM em , , | comentários (0)

X

Luísa
como pré-nome.

O sobrenome.
O nome de família.

Ante a impossibilidade
do silêncio

eis o nascimento
e suas providências.

A boca suga o peito
na permanência do encontro.

(Pedro Du Bois, em LUÍSA)

APRENDENDO A VOLTAR

Por Pedro Du Bois | 7/13/2009 09:16:00 PM em , , | comentários (0)

III

O riso
e a palavras: encadeada conversa
de mesmo tema:

a doença
a lembrança
a volta

na cidade retorno os passos
e os movimentos
silenciam
as ausências

o riso incompleto
na palavra lembrada: tema
recorrente do que foi roubado
ao tempo.

(Pedro Du Bois, em APRENDENDO A VOLTAR)

O LIXO REVOLVIDO

Por Pedro Du Bois | 7/12/2009 08:08:00 PM em , , | comentários (0)

No desencontro
o tempo passado
em nuvens
insustentáveis

o assombro da chegada
náufrago livre
do contato

despetalada flor
ao lixo jogada

palavras recolhidas
antes de serem ditas
na covardia da primeira vez

encontros: males repetidos
desgastados em imagens descontruídas
de olhos percebidos na distância
entre afetos e inconstâncias
nas sobrevidas inutilizadas.

(Pedro Du Bois, em O LIXO REVOLVIDO)

RETORNO I

Por Pedro Du Bois | 7/11/2009 09:20:00 PM em , , | comentários (0)

...
reconhecer a face
entender a linguagem
saber que o pior passou

agora é a hora da chegada

irreconhecível ser de outras eras
não teria razões para voltar
nem pedir que o regresso
seja recebido em festas
...

(Pedro Du Bois, em POETA em OBRAS, Volume III, fragmento)

VISÕES

Por Pedro Du Bois | 7/10/2009 10:03:00 PM em , , | comentários (0)

Vence e se rejubila
no reconhecimento obtido
ao imediatismo dos olhos

visões resguardam os atos
sucedidos em miragens

vitórias transitam
fechadas matas eletrônicas
e o sinal se perde no espaço

visões permanecem
em cristalizadas ideias.

(Pedro Du Bois, em A INCERTEZA DA VIDA)

CÃES

Por Pedro Du Bois | 7/09/2009 10:27:00 PM em , , | comentários (0)

Escuro tempo
em que as vistas
transitam impávidas
entre monumentos

falam de tormentos
entre uma bebida e outra
contam dos filhos
que lhes respondem
e dos artigos sobre filmes
nos cinemas escuros de refrigerantes
e pipocas: não há sol iluminando
o horizonte e o cão pausadamente
late incertezas
de escuros tempos
de hoje e sempre.

(Pedro Du Bois, em OS CÃES QUE LATEM)

LADOS

Por Pedro Du Bois | 7/08/2009 09:32:00 PM em , , | comentários (0)

...
o mesmo lado: tristeza, dor e a elegante
maneira de se apresentar, solerte
dizer sobre a vida, antes perguntem
antecipar questões de natureza
íntima no desconforto das palavras

o outro lado: claro, cara, dentro, quente
a água onde repousa o corpo, o amigo
cansado e cansativo fala experiências
ultrapassadas em curvas de trajetos
não habilitados ao esperado tolo.

(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, vol. VII, fragmento)

PASSADO

Por Pedro Du Bois | 7/07/2009 09:25:00 PM em , , | comentários (0)

III

Passado interposto
em alça de mira

tiro partido
ao meio: corações
feridos em desgraças

o passado vitima os sentidos
em vinganças e lembranças.

(Pedro Du Bois, em A ILUSÃO DOS FATOS)

O POETA E AS PALAVRAS

Por Pedro Du Bois | 7/06/2009 10:14:00 PM em , , | comentários (0)

(sobre as Cartas ao Jovem Poeta)

O poeta não fala da vida
diz da poesia
como vida

como a poesia deve ser tratada

não as palavras escritas
sobre fatos humanos
irrelevantes

a vida na plenitude
da solidão

no distanciamento
de onde o poeta nos habita.

(Pedro Du Bois, em O POETA E AS PALAVRAS)

CONSERVAR

Por Pedro Du Bois | 7/05/2009 08:38:00 PM em , , | comentários (1)

a fachada expõe
a idade
a caducidade
a outra época
descorada em grades oxidadas
e janelas mal fechadas

a porta permanece
imponente

fechando a passagem.

(Pedro Du Bois, em DESENREDOS)

A Luz Despossuída

Por Pedro Du Bois | 7/03/2009 10:18:00 AM em , , | comentários (0)

Mantenha a luz da manhã
o cedo se faz longo
e o tarde é ouvido
tão longe esteja o fim

no começo o barulho da bigorna
sobre o ferro
quente como batidas
do coração e o pulsar do sangue

o calor da tarde traz a antecipação
da noite fria em medos escuros

não seja o animal arisco
cruzando ruas em desabrigos
de não amores e recantos de saudades

mantenha o chegar da manhã
em que o corpo se apresenta
na espera em que se encontra.

Pedro Du Bois - Itapema/SP (em A LUZ DESPOSSUÍDA)

Prantos

Por Pedro Du Bois | 6/30/2009 09:40:00 PM em , , | comentários (0)

busco o sossego
negado ao pranto

quebro lanças
lanço flechas
flecho árvores
arborizo caminhos
caminho passos
passo em frente
enfrento sossegos
sossego sobressaltos
salto obstáculos
obstacularizo

busco o incômodo
saber de ser realimentado
na sofreguidão das mãos.

Pedro Du Bois - Itapema/SP (em A CASA DAS GAIOLAS)

Escuro

Por Pedro Du Bois | 6/28/2009 09:54:00 PM em , , | comentários (0)

Tenho o escuro
mundo em trevas
onde os espelhos
não me refletem

noite eternizada
no medo que carrego
na raiva do fracasso
na incapacidade
de manter os braços
ao redor do corpo
da pessoa amada

sou o escuro tempo
não repetido das cavernas
sombras emparedadas
comigo desde sempre

tenho na fragilidade do corpo
a mente não despertada
para apreender as belezas da luz.

Pedro Du Bois - Itapema/SP (6º Concurso Nacional de Poesias "Poema Nuno Álvaro Pereira", Editora Valença, RJ)

Respostas

Por Pedro Du Bois | 6/27/2009 10:06:00 PM em , , | comentários (0)

Amar
a mulher
mais próxima.

Apaixonar-se
no passar
das horas.

Iludir-se
em versos
românticos.

No desamor
das respostas
simples.

Pedro Du Bois - Itapema/SP (em SEMPRE MULHER)

Finalmente

Por Pedro Du Bois | 6/25/2009 09:59:00 PM em , , | comentários (0)

A queixa: tivesse
no gesto de carinho
uma palavra
de companhia

você me teria
aos seus pés
ao seu lado
sobre você

(a réplica silenciosa: por isso
não há o gesto
a palavra
e a companhia).

Pedro Du Bois - Itapema/SP (inédito)

Escrever

Por Anônimo | 5/10/2009 12:16:00 PM em , , | comentários (0)

Evito escrever verdades
veleidades
aleivosias

(abismado em águas descobertas
receio o eco inebriado: letra
estrangulada)

reviro mentiras
ao lado desproporcionado
em cantos: calo o verbo.

Levanto bandeiras
em punhais enviesados.

Verdades: a indiferença
anotada no canto da folha
jogada ao chão de outonos.

Pedro Du Bois - Itapema/SC


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