Na invenção da casa
a família como se apresenta
música?
na desintegração da família
a invenção da casa
como guarida
não há música.
(Pedro Du Bois, em A CASA DIVERSA)
A CASA DIVERSA
Por Pedro Du Bois | 8/25/2009 01:06:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
VISTA
Por Pedro Du Bois | 8/23/2009 04:00:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Vista limitada
estreita faixa
altos prédios
chamamos a isso
progresso.
(Pedro Du Bois, em POUCAS PALAVRAS)
NÚMEROS RECONTADOS
Por Pedro Du Bois | 8/19/2009 11:59:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Vinte e tantos anos terá quando dirão
- fez-se o destino em papel de embrulho
ou papel de pão -
ser findo o dia da sua juventude
e a jornada futura, adulta
séria e formal em sua burocracia
dispensará o sorriso e a bondade
- feito o destino no que esquece
e oferece em pagamento -
ser o ocaso do dia, a última vista
toldada pelo sol ocidente
onde se esconde aos poucos
antes de assumir sua maioridade.
(Pedro Du Bois, em NÚMEROS RECONTADOS)
SONHAR
Por Pedro Du Bois | 8/17/2009 08:54:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
O atleta
movimenta suas pernas
enquanto dorme.
Gol dos sonhos.
(Pedro Du Bois, em O MOVIMENTO DAS PALAVRAS)
TÂNIA
Por Pedro Du Bois | 8/16/2009 09:38:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
A mão toca
levemente
a base do rosto
reflete tua paz
interior
reflete
tua inquietude
interior
plácido olhar
distendidos músculos
em sorrisos
sofre da vida
tuas vicessitudes e ironias
as mãos em teu rosto
e o mês de agosto
chegando ao fim.
(Pedro Du Bois, em LIVRO DA TÂNIA)
NÍVEL
Por Pedro Du Bois | 8/15/2009 09:22:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
II
O passado serpenteado
desliza o corpo
sobre o corpo
no atravessado esforço
da jornada
com os olhos abertos
ouvidos atentos
as mãos
entrelaçadas
a serpente é a luxúria
do acaso.
(Pedro Du Bois, em A CONFIGURAÇÃO DO ACASO, fragmento)
A MORTE INSANA
Por Pedro Du Bois | 8/14/2009 10:14:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Eu
meus soldados
meus obreiros
meus servos
eu
minha força
minha obra
minha autoridade
eu
minha luta
minha graça
minha carcaça
eu
meu luto
minha ruína
minha desgraça.
(Pedro Du Bois, em A AUSÊNCIA INCONSENTIDA)
RETRATOS
Por Pedro Du Bois | 8/13/2009 09:06:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Retenho
imagens
fotografias
memorizadas
instantâneos
como lembro
quem devia
estar comigo
(não como somos)
na imagem retida
onde o tempo eterniza
nossas vontades.
(Pedro Du Bois, em RETRATOS)
HOSPEDAGEM
Por Pedro Du Bois | 8/12/2009 08:56:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
A frieza do ar condicionado
na neutralidade das cores
e luzes indiretas
impessoal
a cadeira que não é sua
o travesseiro que não é seu
o barulho da geladeira
impessoal
o som do sexo no quarto ao lado
a solidão no roupeiro vazio
a mala pronta para a saída
de pessoal
o fio de cabelo
sujando a pia.
(Pedro Du Bois, em JOGO DO NADA)
AQUELES
Por Pedro Du Bois | 8/11/2009 08:29:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Aqueles dizem sobre a inteligência
e dos corpos não encontrados
no campo fumegante das ideias
onde travadas as batalhas
em significados e contidas raivas
aqueles dizem sobre a paixão
e a barca que conduz os amantes
entre margens retilíneas
onde corpos podem extravasar
significados e incontidos arroubos
aqueles dizem sobre o esquecimento
e dos livros escritos em palavras
depositadas em ermos de passagens
onde mentes em conflito de trabalhos
admitem razões, bobagens e o vazio.
(Pedro Du Bois, em O LIVRO FECHADO)
CALAR
Por Pedro Du Bois | 8/10/2009 09:19:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
O pior é entender
o que está sendo dito.
Ser refém do entendimento.
Encarcerar a palavra ao sofrimento
e a manter até a sentença.
O pior é recorrer
da palavra
e se socorrer
em silêncio.
(Pedro Du Bois, em ALGUMAS PALAVRAS)
CORDILHEIRA
Por Pedro Du Bois | 8/09/2009 08:09:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
A cordilheira assusta:
brancos picos de primeiras neves
antecipam o inverno e o frio
a cordilheira assusta:
brancos picos de águas congeladas
antecipam o inverno e o frio
a cordilheira assusta:
a tristeza do povo antecipada
ao inverno de novas gerações.
(Pedro Du Bois, em CASAS EM PEDRAS, Chile, 5)
A MÃO QUE ESCREVE
Por Pedro Du Bois | 8/08/2009 09:49:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
VII
O que no papel registro
como história: estória
mal contada em vitórias
não acontecidas (não
digo dos meus fracassos)
atrás da porta escuto
o som interior
contra a parede
mistério incorporado
ao que não digo.
(Pedro Du Bois, em A MÃO QUE ESCREVE)
CICLOS
Por Pedro Du Bois | 8/07/2009 10:00:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
O triste sorriso com que se despede.
É quem fica, em lágrimas
planos feitos aos poucos,
pedras, sonhos, matemática desfeita,
contas irresolúveis, sina e vento,
profética brisa levantando a ponta
da roupa: histórias mal contadas
...
(Pedro Du Bois, em POETAS em OBRAS, Vol. XI, fragmento)
a ÁRVORE pela RAIZ
Por Pedro Du Bois | 8/06/2009 11:31:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
11 O azar condensado no serrar
da lâmina: corpo separado
à raiz do que resta, o toco
sente o corpo em descanso
no que rebrota
ou resseca: tronco remetido
em lâminas ao descaso.
(Pedro Du Bois, em A ÁRVORE PELA RAIZ, fragmento)
RAZÕES
Por Pedro Du Bois | 8/04/2009 10:36:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
III
razões para dizer obrigado
olhar para trás e ver
a ilusão da imagem:
sopros dos mares
doces perfumes no ar
que razões lhe trouxeram?
razões para se sentir cansado
espiando o futuro
em tradições desmoronadas
de lições desaprendidas
dos mortos enfumaçados
que razões irão lhe levar?
(Pedro Du Bois, em COMPORTADAS RAZÕES)
DOS AMORES
Por Pedro Du Bois | 8/03/2009 09:28:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
18
Identificar
pelo perfume
que tu acabaste
de chegar
sentir
o coração bater
forte
e rápido
acelerar o passo
e buscar sôfrego
a chave da entrada.
(Pedro Du Bois, em DOS AMORES)
A SENSAÇÃO DO NOME
Por Pedro Du Bois | 8/02/2009 08:40:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
7 O nome é a véspera
da adoração da palavra
adotada à letra. Conjunto
significativo referenciado
além da compreensão.
O imprevisto: corte diagonal
do nome anterior recomposto
ao recorte adicional do nome
na perda do significado.
(Pedro Du Bois, em A PALAVRA DO NOME, fragmento)
XADREZ
Por Pedro Du Bois | 7/27/2009 07:59:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
A arrogância terça armas
a ganância invade o tabuleiro
a rainha se evade
o rei lerdo
se entrega
a empáfia perdura
no discurso de posse
o peão se esconde
a torre é bombardeada
o cavalo empina o corpo
derrubando o bispo
no sacrilégio da chegada
a ignorância permanece
em cada casa.
(Pedro Du Bois, em A HORA SUSPENSA)
SERES
Por Pedro Du Bois | 7/26/2009 07:02:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Somos nós
avessos aos compromissos
externos
eternos descompromissados
ávidos pelos encontros
ou seremos agora
feitas as contas
descontos concedidos
por obra e graça.
(Pedro Du Bois, em DESENREDOS)



