A morte após a ceia
o doce o licor e o café
preto horizonte onde se perde
em claros locais iluminados
pelas borboletas noturnas
- que outro nome teriam
os insetos contra a lâmpada?
Pisoteia o sexo, não há compromisso
onde pisa, a guerra se faz longe
ao largo, no bote inflado
espera o barqueiro da calma
paciência na noite que se encerra.
O dia cerra o negror da noite
a luz incendeia as estrelas
fixas, aguardam a próxima ceia.
(Pedro Du Bois, A AUSÊNCIA INCONSENTIDA)
Só
sozinho
somente
só a mente
não mente.
Era quaresma e há dias passava a escassos goles d’água e a miúdas migalhas de pão. Do confessionário, saiu levíssimo. A alma, um resquício de pena. O menor dos ventos não teria esforço algum para elevá-la ao céu. Sublimou.
Reflete: arco
e flecha (chances
reconduzidas
em jogos de azar)
a aposta se completa
no ambiente
das probabilidades
habilidades desequilibram o jogo
momento de ansiedade e angústia:
esperanças cruzam anônimas
e o responsável aciona
a alavanca: dedo na ferida
reflexo: inconsequente razão
para ir embora na quietude
da hora em recomeço.
(Pedro Du Bois, A HORA SUSPENSA)
Destinou sua vida aos mortos. Enterrava-os e confortava seus entes. Quando a gadanha arrancou-lhe a vida ninguém foi ao seu enterro, exceto um homem que trazia consigo uma pá.
quando longe
sonha
quando perto
desperta
quando nada
espera
quando entende
volta
quando termina
sonha.
(Pedro Du Bois, PEQUENOS ESCRITOS)
