[valéria tarelho]
imagem: The Scream (black & white) - Edvard Munch
amores platônicos
quereres utópicos
tumores malígnos
viroses atípicas
testes tsunamis tremores
:
a Terra dando o troco
na base do olho por olho
- e humor negro mode on -
estamos em transe
entre o tatibitati
o terror atômico
o pandemônio
satélites sondam
a rotina das formigas
e há agentes no amálgama
da [podre] boca da noite
- daí a fuga
para não sei onde-
tocs vem
tiques vão
truques variam
conforme o chip
enxertado no chope do dia
poesia é choque
prosa é chilique
o mundo fica mudo
quando a mente
não dá tilti
veja
[mais próximo da lente que aumenta
o pé da letra]
:
há um psicotrópico ultravioleta
no menu de ofertas
rimas brancas
rosas negras
riso tatuado de cor pimenta
para a[r] dor de cabeça
líricas demãos
do velho verniz
que adoça ideias suicidas
psiu, ouça
:
todos os cachorros
são azuis
e plutão, coração
não é mais planeta
- disse uma voz -
*lowcura: blog do poeta, jornalista e músico Rodrigo de Souza Leão, que foi ali em Marte fazer [mais] arte e a quem dedico este poema [a]tentado: um grito misto de febre de realidade com surto de ficcionismo.
**Rodrigo, um cara do balacobaco, também escrevia para o site Escritoras Suicidas sob o pseudônimo Romina Conti .
lowcura
Por valéria tarelho | 6/04/2010 08:47:00 AM em São José dos Campos, Valéria Tarelho | comentários (0)
Vocês que passam a vida trilhando caminhos certos
foram enganados desde o início:
do batismo à constituição da família
dos estudos ao serviço militar
do primeiro emprego ao cargo de chefia
: em tudo e em todas as ruas.
Vocês que a vida toda tentam evitar caminhos certos
foram ludibriados:
da primeira ofensa à prisão
da primeira droga ao porão
do roubo enquanto criança ao assalto aos acionistas
da traição à dissolução da família.
Não há caminho certo ou errado:
somos úteis e utilitários aos poderes
marginalizados: da margem
voltamos em glórias mundanas
e dela caímos no abismo
: servimos de qualquer maneira
de uma ou de outra forma.
Não existe estrada rua beco ou viela
por onde possamos seguir iluminados
ou que devamos evitar posto ser treva.
Somos sozinhos e imóveis
plantados sobre a terra.
(Pedro Du Bois, ARMAZÉM DAS PALAVRAS)
Convite para o lançamento de "Ecos e outros versos"
Por Eryck Magalhães | 6/02/2010 04:03:00 PM em | comentários (0)
Há no céu
Um sol silencioso
Há no silêncio
Um sol de céu
- réu-confesso –
Há no sol
Um silêncio de réu
- céu disperso -
O poeta e dramaturgo brasileiro Ferreira Gullar (1930) é o vencedor do Prémio Camões 2010. Este é o prémio de maior prestígio de língua portuguesa.Ferreira Gullar é o escritor premiado que se segue ao cabo-verdiano Arménio Vieira e, nos anos anteriores, ao brasileiro João Ubaldo Ribeiro (2008) e ao português António Lobo Antunes (2007). Ferreira Gullar é o nono brasileiro a ganhar o Prémio Camões, depois de João Cabral de Mello Neto, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, António Cândido, Autran Dourado, Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles e João Ubaldo Ribeiro. Pseudónimo de José Ribamar Ferreira, Ferreira Gullar é poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, argumentista de teatro e de televisão e ensaísta. Em 1949, publicou o seu primeiro livro, "Um pouco acima do chão". Integrou vários movimentos literários e artísticos, tendo sido nomeado, em 1961, Director da Fundação Cultural de Brasília, onde elaborou o projecto do Museu de Arte Popular. Esteve no exílio (Moscovo, Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires), de 1971 a 1977. Ferreira Gullar já foi agraciado com vários prémios, entre os quais o Prémio Jabuti (em 1999 e em 2007), o Prémio Alphonsus de Guimarães, bem como o prémio Multicultural 2000, do jornal "O Estado de São Paulo". Em 2002, por indicação de nove académicos dos EUA, de Portugal e do Brasil, foi indicado para o Prémio Nobel de Literatura. Em Portugal, a sua obra está publicada pelas Quasi Edições.O júri, presidido por Helena Buescu, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi composto por José Carlos Seabra Pereira, professor associado da Universidade de Coimbra, Inocência Mata, professora santomense de Literaturas Africanas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e professora convidada em várias universidades brasileiras e norte-americanas, Luís Carlos Patraquim, escritor e jornalista moçambicano, António Carlos Secchin, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ainda a escritora brasileira Edla van Steen.O prêmio Camões, instituído em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil, tem como objetivo principal destacar anualmente um escritor de língua portuguesa que tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural em português. A premiação tem ainda como finalidade estreitar e desenvolver os laços culturais entre toda a comunidade lusófona. O valor do prêmio é de 100 mil euros (cerca de R$ 222 mil).



