A parede e suas vozes presas

Por Tonho França | 11/10/2010 06:22:00 PM em | comentários (2)

A parede e suas vozes presas



Meus olhos em musgos e saudade

A pele em poros de luz e som

E essa mão antiga e fatigada

É herança de minha alma

Moldada em um barro antigo

Viscoso, poroso, aromatizado

Com a brisa do sopro de vida



Houve um tempo que os barros moldavam as almas

As casas, as tabernas, os pássaros, os céus, além dos céus



Houve um tempo, que a vida era gerada pela própria vida

No âmago do barro



E todo o mais, deriva-se daí

o oceano e os frutos, os anjos,as constelações

os deuses, as flores, o amor, as conchas, as sereias

as fadas e a lendas, as dores, a saudade

o amor e as distâncias

a musica e o vento

as palavras e os versos



algumas noites, pouso meus ouvidos na taipa

E poeta secular que sou, ouço a respiração do barro

As vozes das paredes vivas

E todas as histórias cavalgam em imagens

-The wall and its closed voices-


eu ouço, eu posso ouvir


Tonho França

O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS

Por Pedro Du Bois | 11/10/2010 09:42:00 AM em | comentários (0)

...
a barganha abrange o sofrimento
e a oração despenca vozes cabisbaixas
de medos e certezas, âmago afogado
de carícias indóceis em mãos úmidas
no sofrimento ultimado das canções

pede ao outro que o represente ao dia
desmerecido dos aplausos e traz nele
o outro e os outros acompanhados
na mesma solidão em que se esconde
e se altera em essência: seus demônios
resplandecem auras e não é mais
você quem está em frente à porta
na saída incômoda com que se sabe
derrotado e inútil naquela hora.

(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS, 3, fragmento, Vol. I, Ed. do Autor)

BENTO AMOR

Por W.G. | 11/04/2010 11:25:00 PM em , , | comentários (2)


o homem

Por Eryck Magalhães | 11/02/2010 09:56:00 PM em | comentários (2)


cadáver de si mesmo
na lasca de unha
                               cor|
                                     tada

no fio de cabelo
                          c
                          a
                           í
                           d
                           o

na célula
                    des   pren   di  da

vestígios de corpo
sem despedida

PASSAGEM

Por Pedro Du Bois | 11/02/2010 01:22:00 PM em | comentários (2)

Avanço
entro
encaro a face
que me olha

olhos piscam
na demora
do reconhecimento

avanço
passo
encaro
o desconhecido
que não olha

triste
maneira de não ser visto

avanço
sobre o tempo e as horas
perdidas desde sempre.

(Pedro Du Bois, PASSAGEM PLURAL, Edição do Autor)

desgoverno

Por valéria tarelho | 11/02/2010 10:31:00 AM em , , | comentários (1)




sem planos
nem planaltos

sim ?oes!a

fêmea
- eleita -
que dita
meu poema

                [sem pt
                 nem vír
                 gula]



valéria tarelho

*cartoon de doug savage


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