A morte
num cemitério abandonado
à beira-mar.
A morte,
assim,
não me mete medo.
Três garças mansas
de voos displicentes
mancham de branco
o céu azul
Desinteressado das razões
sem perguntar pela inexistência
de sobreviventes, indiferente
ao povo acotovelado ante o sinistro
atravessa o espaço
permitido e se esforça
em recolher
o que pensa
ter serventia
enche a sacola
e a coloca
sobre as costas
o policial não o interpela
nem o prende: passa
incólume entre os destroços
e desaparece na esquina.
(Pedro Du Bois, O COLETOR DE RUÍNAS, 7, Edição do Autor)
Vídeo poema: Encarte
Por Fabiano Fernandes Garcez | 2/05/2011 08:54:00 PM em Fabiano Fernandes Garcez | comentários (1)
Os que escutam
músicas no rádio
quem presta atenção
nos anúncios da televisão
o cão que abana o rabo
ao na chegada do seu dono
sempre há
quem escuta o que dizemos
quem presta atenção em nós
o animal que nos abana o rabo
quem sente fluir a melodia?
quem escuta além de trinta segundos?
quanto tempo o cão leva ao nosso encontro?
melhor desprezar a melodia
desligar o televisor
desfazer-se do cão.
(Pedro Du Bois, OS CÃES QUE LATEM, Edição do Autor)
