Com uma tristeza insolúvel
Material
Cortada à faca.
Uma tristeza farta
Consistente
Forjada sempre.
Dormir
compromisso
corporal
não dormir
descompromisso
mental
mentalizar
o sono
apagar.
(Pedro Du Bois, POUCAS PALAVRAS, Edição do Autor)
Em perspectiva
estávamos todos
fôssemos ramalhetes:
flores intocadas da adolesência
sorríamos o reencontro
velhos e moços
dispostos ao reconhecimento
os do fundo e os da frente
os que trocaram de lugares
os que mantiveram as posições
tínhamos a perspectiva do encontro
quando nos conhecemos adultos
no que fomos enquanto crianças.
(Pedro Du Bois, inédito)
Não falo sobre nomes.
Acredito na felicidade dos fatos
recontados em mistério: a moral
confabula figuras no limite
da história
do histerismo
do hiato.
Desacredito desde criança
na hesitação do mistério.
(Pedro Du Bois, A PALAVRA DO NOME, Edição do Autor)
Crash
Sinto a aspereza do tempo e da pressa
A rudeza dos olhares cinzas e sem graça
Pessoas pessoas pessoas pessoas pessoas
Tráfego fumaça buzina anonimato fome pressa
Pessoas pessoas pessoas pessoas pessoas
O sol não traz cores diferentes, o sol é quase que rotina
As flores de plástico enfeitam parapeitos entre grades
Há milhões de vozes e ruídos, nada em conjunto faz sentido
Pessoas pessoas pessoas pessoas pessoas pessoas
Necessidade vontade fome fumaça buzina anonimato
E eu poeta sozinho fumo meu cigarro no canto da página da vida
Criando versos de cimento e ferro, áspero, rude, agressivo
Pessoas pessoas pessoas pessoas pessoas pessoas
Todas elas em trânsito, em tráfego, em mim, comigo...
Tonho frança
