Homenagem ao 123º Aniversário de Fernando Pessoa
Por Fabiano Fernandes Garcez | 6/13/2011 03:31:00 PM em Fabiano Fernandes Garcez | comentários (1)
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
minha poesia
é quase nula diante
de um dia tão AZUL.
Desde quando me fiz início
sei da necessidade
da partida. Desde então
me acoberto em espaços
que não me pertencem
em busca do que
me nego ao necessário.
Fosse eu a permanência.
(Pedro Du Bois, A NECESSÁRIA PARTIDA, Vol. I, dedicatória, Edição do Autor)
dedicado à avó Maria
cheiro de mexerica
e o aconchegante sol de inverno
só não era mais aconchegante
que a companhia de minha avó
A vida sem replay,
flahback, cortes de cena.
Dias monótonos em repetições.
A audácia comum aos sedentários.
Esportes radicais, emprego
de astronauta. A multidão
cerca o palco, carros
ultrapassam trezentos
quilômetros por hora.
Vida envelhecida em repetições.
A sensação de tédio e raiva.
Não mais cantar: saltar.
Não mais viajar ao espaço.
Apenas: deixar-se ficar
no alpendre onde replays
e flahbacks se eternizam.
(Pedro Du Bois, DAS DISTÂNCIAS PERMANENTES, Edição do Autor)

