Do passado pressente
o que a memória lembra
na identificação dos rostos
lugares
datas
do passado mente o não acontecido
lembranças nas versões dos fatos
verdades sobrepostas
no verdadeiramente exposto
de onde retira o âmago
angustiado de estar aqui
fantasma iluminado
de vidas inalcançáveis
do passado sente a expressão
do gosto: a criança ressurge
no tempo na imagem esperada.
(Pedro Du Bois, (DES)TEMPO, Edição do Autor)
Para ferir
qualquer palavra
é pedra.
Na boca
de quem ama
derrete-se a dureza:
palavras exalam
hálito de flores.
Toda arte me assombra
me dá sombra pro estio
Arte me afronta
Náusea me arrepio.
Nos finais de tardes
pequenos pássaros
fazem do telhado
refúgio
tempo de espera
de irem aos lugares
do sono
árvore
árvores
pássaros esperam
as horas em lentos
voares extensos
versos de obrigado
e domingos repletos
de nada.
(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS, Vol. II, 42, Edição do Autor)
A poesia,
flor desabrochando
no meu cotidiano.
Com os dedos da linguagem
tento colhê-la
e quem sabe
plantá-la
no vaso das palavras.
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