O demônio não nos afronta, só ri de nossas pálidas crenças.
Por Unknown | 10/08/2011 11:03:00 AM em | comentários (0)
segunda: acordar a vida pra trabalhar dentro dela;
terça: continuar fiel ao caminho escolhido;
quarta: subir o mar d'almas, respirar e voltar a mergulhar;
quinta: é quase o fim da viagem... quase afim;
sexta: dia de lua, sempre cheia. dia de rua, sempre alheia. dia de voltar pra casa e
lembrar de amar;
sábado: continuar amando;
domingo: despedidas e lembranças (lembrar de amar/lembrar de amar/lembrar de amar...).
Quero fotografá-los agora porque, é claro, eles crescem muito. Seus olhos súplices, acanhados, muitas vezes se tornam arrogantes. Seus corpos, suas idéias buscam outros olhares.
Talvez mais tarde eles nem se reconheçam nessas fotos de agora, com olhinhos felizes, inocentes e loucos para pular da cadeira e pra fora das pareces da sala, sentir o sol na pele, o vento nos cabelos e a água fria dos rios em dias bem quentes.
Talvez não se reconheçam, mas o que virá de arrogância, segurança e outros olhares já estão presos nessas fotos de agora.
Abandono a lógica irreversível
das promessas: receio ofender a menor
parte distribuída, o escutar do murmúrio
decomposto em marcos dividindo
o espaço: cada um para um lado, cada
um do seu lado, cada um do lado errado
na lógica abandonada sacio
a fome descomunal dos adjetivos
e os empresto ao vento que os infla
no crime doentio dos silogismos
abandono a lógica racional dos percursos
e guio meu corpo ao abismo de onde olho
abaixo e longe o contato futuro e imediato
na lógica reside o abandono
da mágica apresentada em lona
de circo.
(Pedro Du Bois, inédito)
O Papa diz:
- Perdão.
O Pajé, de terço no pescoço, responde:
- Amém.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 35)
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