ESPAÇOS DESOCUPADOS

Por Pedro Du Bois | 9/06/2009 10:46:00 PM em , , | comentários (0)

Tenho a medida:
na inconclusa obra
reacendo a luz do término
inacabado. Desmedidas
vidas não olhadas

a distância percorrida em varas
trazem dos horrores a sutileza
da história recontada

o metro alongado no sorriso
antes de chegar à esquina

não carrego medidas desproporcionais
aos erros, busco a menor
distância entre a angústia e a calma
manhã do inverno que se retira

não meço o conhecido espaço
traço em branco o esboço
da chegada: medida.

(Pedro Du Bois, ESPAÇOS DESOCUPADOS)

CUIDADOS

Por Pedro Du Bois | 9/04/2009 05:14:00 PM em , , | comentários (0)

Todo cuidado
pouco

onde o cuidado

pouco

toco em seus ombros
com cuidado

porque todo cuidado
é pouco.

(Pedro Du Bois, em PEQUENOS ESCRITOS)

Por Cláudio Costa | 9/04/2009 12:35:00 PM em , , | comentários (0)

ESCULTURA DO AMOR
Deitado em cima do túmulo ele chora. As flores murcham, e ele…se eterniza.

MARIA
Nasce o dia. Roupa, café, marido, filhos, casa, almoço, compras, tarefa, jantar. Marido chega. Com os olhos cansados, de penoir azul e íntimo branco, ela aprece na penumbra do quarto e diz:- Eis aqui, a serva do senhor...

PRESBINTEGRO
Acalanta as almas, acalanta as dores.Sozinho na alcova acalanta o pênis.

CALVÁRIO
Todos os dias ele chegava bêbado. Todos os dias eu apanhava. Depois vinha com chamego, me chamando de minha negrinha. Acostumei e nem chorava mais... Certa noite, a bêbada era eu. Então, martelei aquele desgraçado. No velório, com muito estilo, chorava ao lado do meu cunhado João, aos pés da minha cruz.

Jesus Mastercard est
Cansado, desceu da cruz e foi às compras.O PAI nada fez, pois Nele habitava o livre arbítrio.

TER IDO EMBORA

Por Pedro Du Bois | 9/03/2009 12:59:00 AM em , , | comentários (0)

Passos importantes
alguns instantes
rápidas passagens
de quem busca nos arcos
dos anos
a idade que foi embora.

Quem tinha a minha idade
antes de chegar a essa cidade?

Tenho em mente
a saudade decorrente
daquela jornada.

Quem vai embora
sempre tem histórias para contar.

(Pedro Du Bois, em REENCAMINHADO)

Recentemente alguém me contou a história que tinha ido ao Museu do Imigrante e, não sei o porquê, precisava consultar algo na Internet, ali mesmo, quando viu uma placa que dizia: Sala de Navegação. Não teve dúvidas, entrou, mas qual não foi a sua surpresa? A sala simulava a navegação dos navios em que os imigrantes vinham para o Brasil, longe de ser o local para navegar nos mares da rede virtual.
O significado de uma palavra pode mudar em uma determinada região ou no decorrer do tempo, um exemplo é a palavra Interessante, antes era usada exclusivamente para dizer que algo interessava por ser curioso, importante, atraente, porém, hoje, quando escutamos que algo é interessante pode ser justamente o oposto, que é razoável, apenas mediano, sem graça ou pior ainda, maçante, entediante.
O grande escritor João Guimarães Rosa, que tem um dos melhores nomes de nossa literatura, escreveu em um dos seus contos, o problema de um médico para explicar a um cangaceiro o sentido da palavra: Famigerado, dita a ele por um homem do governo. O narrador vê que o destino do pobre servidor está em suas mãos e cabe a ele escolher bem as palavras para dizer ao jagunço a real acepção da palavra, de modo que não coloque em risco a sua vida e a do maledicente.
Quase todas as palavras têm inúmeros significados, às vezes deixamos alguns de lado ou apenas nos lembramos dos mais utilizados no nosso cotidiano. Foi o caso da navegadora do museu, que esqueceu que navegar se referia ao embarcar rumo a algum lugar em um navio, contudo ao confundir o valor semântico das palavras, em linguagem de dia de semana, viajou na maionese, que é um termo muito interessante.

LIVRES

Por Pedro Du Bois | 9/01/2009 09:56:00 PM em , , | comentários (0)

5
No desejo expressado
o sonho
de ter por inteiro
o mundo
como se apresenta

o abraço longo
e a demora eternizada
em nossos corpos

horas fáceis
entre ponteiros inúteis

podemos ficar juntos
e a queda se faz ao alto
de onde nos vemos
unos

somos a liberdade
na ação do verbo.

(Pedro Du Bois, em LIBERDADE)


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