Verde
tenra
folha
louro
da vitória
amarelecida
seca
temperada
vida
seguida
em lembranças.
(Pedro Du Bois, A INCERTEZA DA VIDA)
Cristão fervoroso, sempre sonhara em ver a Capela Sixtina de perto. Não poupou esforços. Após anos de economia, foi ao Vaticano. Ao contemplá-la, desconverteu-se. Viu Deus de cabelos e barba grisalhos. Os traços vincados. O próprio Deus, combalido pelo tempo.
III
A solidão é destino
sem resíduos
resquícios
que envolvam o espírito
em restantes pensamentos
menores: o diariamente
não retorna em companhias
e lembranças.
(Pedro Du Bois, A ILUSÃO DOS FATOS)
Obrigada pelo convite
Por Rhosana Dalle | 12/02/2009 10:48:00 AM em Esperança, Pindamonhangaba, Rhosana Dalle | comentários (0)
Olá Poeta!
Enfim consegui acessar o blog e postar algo.
Primeiramente quero agradecer-lhe pelo espaço e dizer que sinto-me muito honrada.
Eis algo que diz um pouquinho da minha alma...
Um grande abraço!
ESPERANÇA
No meu dia, semana, mês e ano,
Quero o supremo tempero do inesperado,
A emoção da surpresa, a sensação de esperança.
Esperança, por sua tonicidade:
É paroxítona, desacentuada na penúltima tônica sílaba.
Esperança, por sua tonalidade:
É verdejante.
No verde clarinho da erva-doce,
No doce caminho da erva erva-mate,
Na falta que faz o carinho...
Surge o verde-escuro sombra da erva - daninha.
Esperança dita por melodia, ou por palavras quentes, mornas ou até frias,
Que preenchem de mais esperança meu dia,
Viajo ao Norte onde o sol é forte,
Derreto o som,
Que deságua no rio e desce o Vale devagarzinho.
Sem o som ou o tom verdinho, não tem esperança,
E sem esperança ninguém viaja.
O tempo passa de graça, sem graça!
Esperando esperança no outro dia;
Forte, rica, bendita,
Que leva e traz à boa-nova, à boa-vida, à boa-sorte.
Esperança: Verde -Jade, Esmeralda no lugar da morte!
Pindamonhangaba, 04 Novembro 2008.................... Rhosana Dalle.
Lúcifer andava cabisbaixo pelo paraíso. O Senhor perguntou-lhe:
- Por que padeces?
- Pai, tenho sofrido muito. Não tenho vocação para anjo. Liberte-me desta incumbência. Envie-me para a terra.
O senhor negou o pedido. Na primeira oportunidade, Lúcifer fugiu.
A primeira flor
crisântemo
(quatro e noventa o vaso)
sul nascente
luz solar
esquece a imobilidade
retorce o caule
balança o cabo
em flor
falta água
falta água
falta água
seca e morre
antes do que nós.
(Pedro Du Bois, FLORES & FRUTOS)
...
cada amor desperta memórias de passados
corpos entrelaçados e a comparação se faz agente
sutil e inocente em expiações e culpas
as distâncias são corretas em suas medidas
ouve o sussurro e se espanta com a velocidade
da palavra trazida ao erro intercalado
em verdades sobre ruas inalcançáveis
de aparatos e perdidas vidas esperam
a mão que as alcancem em glórias
e olhos marejados em lágrimas
de após guerras
...
(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, Vol. IV, fragmento)
Quando jovem, atéia destemida. Após inúmeros louvores à vida, foi-se o vigor. Em seu lugar, um buraco que a fé logo tratou de tapar. Aprendeu todas as rezas e, de terço em mãos, entrou na terceira idade.
Por Cláudio Costa | 11/27/2009 09:41:00 AM em | comentários (0)
AOS 40
Procuro meu analista.
A vida começa para o desviver.
LÁPIDE DE UM ACOMODADO
Aqui...descanso em paz.
INIMIGO
Resoluto respiro fundo e me levanto.
Não há culpados.
Só há eu.
O RESTO É HISTÓRIA
Depois de morder a maçã, ela comeu os sete anões. Sem o
príncipe...viveram felizes para sempre.
FIM DE BAILE
No outro dia, Encantado percorre as ruas da cidade com uma prótese de
silicone nas mãos.
NA TORRE
Cansada de esperar, enrolou os pentelhos no pescoço e saltou.
No corpo um bilhete:
Não existem príncipes
O MOÇO TECELÃO
Primeiro aumentou o pênis.
Depois teceu carros, dinheiro, casas e mulheres.
Cansado de tudo isto, teceu mais cinco centímetros…
Por Cláudio Costa | 11/24/2009 09:38:00 AM em | comentários (0)
BANDEIRA
Eu contenho a morte.
HUMILDADE
Rasguem os verbos conjugados em primeira pessoa.
CAIXINHA DE MÚSICA
- Mãe, eu quero uma.
- Que linda a minha filha. Qual delas?
- Aquela que dança Crew.
- …
INDECISÃO
.
MONÓLOGO INCONTÍNUO
Em frente ao espelho levanto a minha cabeça.
Não tenho plateia.
NARCISO
Olhe nos meus olhos e se deixe.
FALO
Ambíguo
Meu
Falo
Sem controle ora cala
Ora
Grita.
CAIM
Á Deus. Corto meu umbigo e jogo por terra.
CAMPANÁRIO
Natimorto
No
Amor
Vou
Sofrendo.


