Não esquecer de aguar as plantas
dar comida aos pássaros
fechar as janelas
carregar o lixo
fechar a porta
não esquecer da felicidade
nas horas mortas
tomar os remédios
desligar o rádio
rezar a oração
não esquecer de levar o retrato
guardar o retrato
rasgar o retrato
não esquecer de mim.
(Pedro Du Bois, O ESPAÇO VAZIO)
essas muralhas maravilhosas
Por valéria tarelho | 3/08/2010 02:05:00 AM em Valéria Tarelho | comentários (1)

estátua de Joana d'Arc na Catedral de Notre-Dame, Paris
parcas, fúrias, musas
ninfas, sereias, bruxas
lobas, gatas, najas
leoas, coelhinhas, cadelas
rainhas do lar, da bateria, rainhas-más
executivas, voluntárias, escravas
atrizes, esposas, meretrizes
bregas, peruas, patricinhas
rendeiras, liberais, lavadeiras
mumificadas, falsificadas, siliconadas
fadas, princesas, borralheiras
anjos, demônios, santificadas
amantes, namoradas, abandonadas...
afrodites, julietas, amélias
evas, dianas, nefertites
junos, medusas, belas
cinderelas, rapunzéis, malévolas
florbelas, cecílias, coralinas
hildas, marthas, lyas
madres teresas, mães-menininhas, madalenas...
garotas:
de ipanema, programa, propaganda
das telas, dos tanques, das ruas
do olimpo, dos contos, pés na terra...
fêmeas, feministas, femininas
meninas-poderosas
mulheres-maravilhas
um ar de maria
um quê de marylin
um toque leila diniz
joanas d'arcs
armadas de duplo xis
valéria tarelho
BATE SOL NA MINHA COZINHA PELA MANHÃ
COM O CAFÉ FRESQUINHO, O SOL ME AQUECE
OS PÁSSAROS, DE MANHÃ, JÁ ESTÃO EM ALARDE NA LARANJEIRA
NA FIGUEIRA, NESSA HORA, ELES FAZEM O DESJEJUM EM SILÊNCIO
O SOL ILUMINA MINHA COZINHA DE MANHÃ.
Por Cláudio Costa | 3/06/2010 11:47:00 PM em | comentários (0)
DOLORES
Não está sorrindo. Uma das feridas cicatrizou.
ÓPIO
Não desejo nada além de você.
De
flor
em
flor
Perpetua-se a espécie.
Sem inspiração,
pegou a folha e fez um barco.
Da caneta fez um mastro
de outra folha, uma vela.
Içou-a e esperou o sopro do vento.
Haikai da juventude
Por mural do ajosan | 3/02/2010 05:03:00 PM em juventude, primavera | comentários (0)
relembro a primavera
a nossa juventude
- ah, como te amei!
A morte após a ceia
o doce o licor e o café
preto horizonte onde se perde
em claros locais iluminados
pelas borboletas noturnas
- que outro nome teriam
os insetos contra a lâmpada?
Pisoteia o sexo, não há compromisso
onde pisa, a guerra se faz longe
ao largo, no bote inflado
espera o barqueiro da calma
paciência na noite que se encerra.
O dia cerra o negror da noite
a luz incendeia as estrelas
fixas, aguardam a próxima ceia.
(Pedro Du Bois, A AUSÊNCIA INCONSENTIDA)
Só
sozinho
somente
só a mente
não mente.


