E os soldados brancos
sentinelam as crianças pretas.
E as crianças pretas
já não brincam de marchar
e observam os desfilesdos soldados brancos.
E os soldados brancos
nunca brincam
vigiando
esta terra de crianças pretas.
E as crianças pretas
se acostumam a jamais serem soldados
e só brincam de crianças pretas
dominadas por soldados brancos.
.Pois que ser soldado
deve ser só para crianças brancas
que já nascem dominando
até os sonhos das crianças pretas.
Paulo Franco - Ribeirão Pires/SP
A Terra das Crianças Pretas
Por Paulo Franco | 6/23/2009 10:21:00 AM em Paulo Franco, Poesias, Ribeirão Pires | comentários (1)
Além das Cercas do Quintal
Por Paulo Franco | 6/21/2009 01:15:00 PM em Paulo Franco, Poesias, Ribeirão Pires | comentários (0)
Falta coragem para ir à janela
e libertar os sonhos
que se entulham nos valores
que deprimem nossa cela.
Falta coragem pra se amar
como se ama quem nos ama a sós.
Aquele amor libertinado,
de prazer de antes,
de prazer de meio e eternizado após.
Falta coragem para o sim
quando se emprega o não,
impregnado de amarras que deprimem
a liberdade que alimenta o coração.
Falta coragem para o não
quando se acata o sim à revelia da vontade,
em cumprimento ao estabelecido
que deturpa a nossa verdade.
Falta coragem pra mudar de rumo
ainda que preciso fosse a marcha ré,
para que a vida seja, tão somente,
a plenitude que ela já é.
Falta coragem pra beijar na boca,
pro abraço e pra revolução,
mesmo que revolucionariamente
a gente só liberte a nossa emoção.
Falta coragem
pra quebrar as cercas deste mal
e ver o mundo além dos muros,
além dos horizontes do nosso quintal.
Paulo Franco - Ribeirão Pires/SP
Soneto do amor imperfeito
Por Anônimo | 5/10/2009 12:23:00 PM em Paulo Franco, Poesias, Ribeirão Pires | comentários (0)
Não quero mais buscar o amor perfeito
pra camuflar o sentimento em chama
e amortecer o que me dói no peito,
a mesma dor de todo ser que ama.
Que amar assim, eu sei, não é direito,
pois todo peito preso nesta trama
adoecido faz do olhar um leito
pra adormecer a fonte deste drama.
Vou procurar amar só o instante
um amor maior, porém um passageiro
tão transeunte quanto o amante
que tenha amores pelo mundo inteiro
e ao invés da dor o peito sempre cante
o imperfeito amor que é o verdadeiro.
Paulo Franco - Ribeirão Pires/SP



