Nos finais de tardes
pequenos pássaros
fazem do telhado
refúgio
tempo de espera
de irem aos lugares
do sono
árvore
árvores
pássaros esperam
as horas em lentos
voares extensos
versos de obrigado
e domingos repletos
de nada.
(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS, Vol. II, 42, Edição do Autor)
A poesia,
flor desabrochando
no meu cotidiano.
Com os dedos da linguagem
tento colhê-la
e quem sabe
plantá-la
no vaso das palavras.
Sobre mulheres e procissões
As mulheres da rua quinze saem em procissão
Levam no andor carcomido uma santa em sal e rosa
Em coro as vozes desafiam ladainhas e confissões
Nunca amaram de verdade as mulheres da rua quinze
Nunca viveram de verdade
Nunca pecaram intensamente
São apáticas e mornas as mulheres da rua quinze
Não há perdão na mediocridade
Chove forte sobre o andor, a santa se desfaz
A rosa voa aos céus, o sal amarela no canto da calçada
Nunca mais saíram de casa as mulheres da rua quinze
Tonho frança
“Eu não sei se vem de Deus do céu ficar azul”
Eu não sei se vem do azul de Deus ficar por aqui.
Por Tonho França | 6/18/2011 10:51:00 AM em | comentários (2)
Todo verso sangra
todo verso fere
todo verso acaricia
alivia a febre
todo verso é ânsia
premência de vida
erupção,estopim
a cada verso
mais adentro
mm mim
Mais próximo
De um novo
começo ou fim...
tonho frança
O sentimento muda tal qual nuvem.
O mesmo amor que desarma,
arma...
O bem-querer que acalma,
desalma...
O abraço que afaga,
afoga...
Coração é folha seca,
pena de passarinho à deriva,
quem traça o caminho é o sopro do vento.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 44)
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