Olhar o panorama
na continuação da jornada
não olhar o opaco
silêncio embevecido
das lembranças: saudades
em novidades anteriores
no progresso olhar
a sensação do esquecimento
no retorno ao começo
única forma
única maneira
único caminho
para a descoberta.
(Pedro Du Bois, inédito)
espera a terra natal
desprovida de histórias
reaparecer enquanto adulto
terras são semeadas
e colhidas
não resguardadas
(Pedro Du Bois, inédito)
A forma do horizonte
próximo à liça: licor
despejado no copo
dos anseios
horizonte em nuvens
de cigarros apagados
o gesto reduz a plataforma
onde lançados à terra irreal
dos dias ansiosos: perguntas
brotam no ocaso do horizonte
sumido ao contato
reviso o texto: lépido
passo. Nada resta
provar: ao horizonte
falta a perspectiva
do perto aprisionado.
(Pedro Du Bois, inédito)
Cordato homem
atravessa a rua
em que a lua ilumina
a ostentação da noite
ao homem que passa
silencioso
o rumor
dos profetas ostenta
a decisão de ser o poeta
perdido na imensidão.
(Pedro Du Bois, inédito)
oposto ao gesto
aceno minha resposta
aposta na confluência
da cena onde me mostro
o mastro aponta o horizonte
na volta completada no encosto
áspero contra a pedra
erro o bote
viro o barco
em amostras
aposto
o que resta: arresto
receber o gesto
em cena.
(Pedro Du Bois, inédito)
Abro a janela
pelo ar penetra
a anunciação
do retrato falado
afasto o vidro
quebrado na queda
e atrás da cortina
espio o exílio
farto da lembrança
liberto minha alma.
(Pedro Du Bois, inédito)
