tosco
teso
tonto
na descoberta
irritante
de que o hoje
o ontem
me aguardam
amanhã
ininterruptamente
(Pedro Du Bois, inédito)
Na hora derradeira
pergunto sobre o tempo
a chuva
a geada
a chegada do outono
em desfolhadas árvores
de alas acariciando carros
nos movimentos diários
na hora derradeira trago a imagem
do feito
e do desfeito consolo
de que apregoam preços
em feiras e flores na rua
o providencial guarda-chuva
que no semáforo o guarda apita
verdades reguladas em extremos
na hora derradeira o extremo gesto
materializa o antes
o agora
o distante intercalado
no gosto da lembrança.
(Pedro Du Bois, inédito)
Ao sorriso retribuo
músculos retesados
(o mal jogado contra o solo
em devolução
no palavrão gritado
em retribuição).
(Pedro Du Bois, inédito)
Longe estou
no longo trajeto
percorrido
do lugar da partida
ao percurso acumulado
na volta cabe a metade
do caminho que não reduz
a sensação de estar longe
o eco repete a perdição
da palavra no corpo
que retorna.
A igualdade é pressuposto
da diferença. Doentia
forma de desconhecimento. Arma
e arremesso. Corpo anteposto
ao dia anterior: juventude
e infância. Infâmia
concretada.
Iguais
em si mesmos almejam
o dia da chegada.
E ainda não
foram até a porta.
(Pedro Du Bois, em IGUAIS, Projeto Passo Fundo/2013)
O menino transita ruas
e detido em luzes
vitrina: renomeia
manequins e roupas
espreita
atrás das luzes
fechadas ao público
honra a família
e se despede
em beijos
- sempre há um manequim
piscando
os olhos e girando o pescoço
(mesmo que o menino não olhe
para trás).
(Pedro Du Bois, em OS OBJETOS E AS COISAS, Primeira Parte, Scortecci, 2006)
