No entanto
acordo
desperto corpo
levanto e saio
no espaço descoberto
volto e sento
busco no sustento
o alimento da confluência
entre a vontade e a fome
bebo no líquido o gosto
com que tormentas se amplificam
descarto doenças
na purificação do corpo
e olho quem me acompanha
na identificação da vida
deito e durmo o turbilhão
dos sonhos: na madrugada desperto
questões remanescentes.
(Pedro Du Bois, inédito)
Não reconheço nas flores
cores
estampadas
em cálices e corolas
frágeis
entendo as flores nascidas
no acaso com que plantadas
vicejam
e iluminam
caminhos
e refúgios
(nada mais é o jardim
além do refúgio onde me guardo
do dia mal intencionado
em barulhos e arrulhos).
(Pedro Du Bois, inédito)
o homem na janela
pergunta ao passante
sobre a origem
do destino
o passante olha o homem
na janela
mede a distância
altura
sofrimento
isolamento
responde de onde vem
e para onde pretende
ir naquela passagem
o homem na janela
sorri e agradece
a gentileza
o passante vira à esquerda
na primeira esquina
e sai de cena
(Pedro Du Bois, inédito)
arapuca
arataca
armadilha
gaiola
jaula
acela
quarto
casa
rua
esquina
bairro
distrito
cidade
região
país
fronteira
estrangeiro
gravidade
aonde
a liberdade
pelo lado de fora?
(Pedro Du Bois, inédito)
