MÚSCULOS

Por Pedro Du Bois | 4/11/2015 04:43:00 PM em | comentários (0)

Esqueço o corpo enrijecido das disputas
e me apresento flácido em inerte idade
ultrapassada em tempos metafóricos
na musculatura das verdades
ao dizer do sacrifício pela força bruta
da coragem no refinamento esquecido
nas refregas pelo esvoaçar na paz perpétua
dos socorros não havidos dos descalabros
afugentados na hora verdadeira inteira
e interna fora o espírito do acaso

saliência áspera das pedras deslocadas
pelo corpo terno das promessas descabidas
em amores apáticos de derrotas derradeiras
onde o corpo sofre a passagem da flacidez
déspota dos reencontros tardios
do ciúme borbulhante das águas tépidas
no queimar invisível dos carrosséis infantis.

(Pedro Du Bois, inédito)

SAUDADE

Por Pedro Du Bois | 4/01/2015 06:31:00 PM em | comentários (0)


 Armadilhas armadas
em lugares singelos de contatos
irremediavelmente atraídos pelas luzes
irrisórias dos estados noturnos da saudade
arremetidos ao âmago sacrificado
dos estertores onde dores suplantam
prazeres irresolúveis dos estares
e nos prendem no inexorável túnel
onde labirintos iniciam tramas
tenebrosamente iluminadas dos caminhos
repetidos em curvas e retas desaparecidas
na passagem do corpo encarcerado no todo
com que nos apegamos à vida mesquinha
das tarefas diariamente insignificantes
de sobrevivências e silêncios conduzidos
ao fundo do poço profundo da vilania

sobreposta no gesto de saudade.

(Pedro Du Bois, inédito)

ESTRELA

Por Pedro Du Bois | 3/26/2015 11:34:00 AM em | comentários (0)

última e duradoura estrela imaginada
em telescópios sobre montanhas
secas de paisagens inimagináveis
             
traz a luz distante
                      fria
                  cortante

instala a graça de se fazer última
no refletir sua luz irritante ao nos avivar
na discussão estéril da origem e do trajeto
da beleza pelo éter: eternizado espaço
anterior ao antes e depois de quando

organismo queimando suas entranhas
expele seu corpo em gases iluminados
de milênios sobre o vazio

a imaginação capta a estrela vaga
em nosso mundo e faz do sonho
o trajeto desacompanhado
na última luz.

(Pedro Du Bois, inédito)

HORA

Por Pedro Du Bois | 3/18/2015 10:31:00 AM em | comentários (0)

quando o sentir
sensibiliza
o olho
cristalizado
da serpente

hora do bote
na presa
subjugada

instante
em que a dor
penitencia
o corpo

(Pedro Du Bois, inédito)

INFIEL

Por Pedro Du Bois | 3/10/2015 10:22:00 AM em | comentários (0)

Infiel a lança
atravessada na estopa
que guarda a imagem
desbotada de quem acredita

crédito concedido à desconfiança
na voz do cantor de amenidades

a lança na mão do infiel
guarda a distância: se distancia
em circunstâncias esvaziadas
                           de alegrias

concede ao infiel a lança
do espírito aguardado
na mentalização do corpo
enxugado de veleidades
                 e críticas.

(Pedro Du Bois, inédito)


OBSTRUIR

Por Pedro Du Bois | 3/02/2015 10:52:00 AM em | comentários (0)

A insensibilidade com que seus olhos
                                                olham
a frieza do toque que nos retoques
                                           da obra
                                                obram
a distância maior das consequências
                                            anteriores
em antigos modos de dizer que agora
                                                antes
                                              depois
a sensação perdida se avoluma
destruindo a estrada ultrapassada
                                    cansada
                               cansativa
na maneira primeira e única
                       da via obstruída.

(Pedro Du Bois, inédito)


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