Divisor de águas

Por JURA | 12/28/2011 11:16:00 PM em | comentários (1)

Divisor de águas
Águas barrentas, águas claras
Divisor de águas
Águas em conflito, águas mansas
Divisor de águas
Águas, 
água, 
ah!

cabelos com gilete

Por JURA | 12/23/2011 11:24:00 AM em | comentários (1)

Ela cortava seus cabelos com gilete. Pra amar ela usava unhas, entranhas e dentes.  No samba e no terreiro, flutuava. Ela era toda noite. Toda luz. Toda fêmea, na sutileza, no cio e na ferocidade. Ela era toda luta. Mas quando foi pra se matar, ficou esperando quieta a morte chegar.  Esperou toda sua vida escorrer.

OUTRO

Por Pedro Du Bois | 12/22/2011 10:05:00 AM em | comentários (0)

Outro homem
      pensa
 sobre o poder
           e a glória
de mundana vida
em aproveitamentos
                utilitários

   compra o pássaro
    compra o limbo
     compra o espaço
      compra a hora finalizada
      das recompensas

o caminhão troca de lado
                        na estrada.

(Pedro Du Bois, inédito)

MÁGICAS

Por Pedro Du Bois | 12/20/2011 03:04:00 PM em | comentários (0)

Se do passado
amortecido
em presentes
resta
o riso infantil

sobra do todo
o muito
anunciado
em futuros
gestos

se no profundo
está o quanto reconhecido

na mágica
o tempo
passado
se faz presente

na cartola do mágico
em noites de lua cheia.

(Pedro Du Bois, inédito)

nós

Por valéria tarelho | 12/19/2011 06:20:00 AM em , | comentários (2)



1

quando nos inverto
você é 
acerto que 
nessa volta
é sela sob
ser que 
sou

[o 
mesmo que 
na ida me 
galopa
o]


2

nós
de escoteiros
até que o tempo
descosture
a fantasia
flor-de-lis



3

de tanto insistir em nós, ficou apertado nos desmanchar





valéria tarelho

* imagem 1 : capa do cd de Marcelo Camelo
** imagem 2: pintura de Isabel Lhano



Efemeridade

Por Eryck Magalhães | 12/18/2011 08:21:00 PM em | comentários (0)

sempre se está
prestes a

Felicidade

Por Eryck Magalhães | 12/18/2011 08:20:00 PM em | comentários (0)

não há um caminho para a felicidade
a felicidade é o próprio caminho

Sem eufemismo

Por Eryck Magalhães | 12/17/2011 06:08:00 PM em | comentários (0)

 - Agora já pode possuir a noiva.

TODOS

Por Pedro Du Bois | 12/15/2011 08:50:00 PM em | comentários (0)

O barulho
gera: na angústia
         o silêncio altera
         sentidos

o movimento
espera: o corpo
sente o passar
do corpo rente

o barulho
traduz: na ansiedade
o silêncio altera
vontades

    o instante
    completa: o corpo
    passa no sentido
    do corpo em frente.

(Pedro Du Bois, inédito)

Do verso verdadeiro

Por Eryck Magalhães | 12/09/2011 08:36:00 PM em | comentários (0)

Tudo que é poesia verdadeira ressoa Pessoa.

RECONSIDERAR

Por Pedro Du Bois | 12/09/2011 05:08:00 PM em | comentários (0)

Busco no escudo
a semente: ardência indomável
                  no espectro glacial
                  do tédio

   defesa armada
   ao ataque inexistente

(o dedilhar do piano ressoa
  verdades: através do tom
  o som revolve montanhas
  de não saberes)

        o duro barulho do baque
        do corpo contra o todo: mudo
        a tentação vulgar de estar aqui

acalmo minha sede além da seda
no entrevisto corpo em minha direção

      (turvo vulto da água límpida
       das reconsiderações).

(Pedro Du Bois, inédito)

Vértice

Por Eryck Magalhães | 12/02/2011 02:36:00 AM em | comentários (0)

Uns dizem orixá, outros santo
uns dizem catolicismo, outros candomblé
uns a chamam de Iemanjá, há quem a chame de Maria
uma dizem que é religião, a outra crendice
mas quem disse?


(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 21)

burrinho pedrês

Por JURA | 11/26/2011 06:20:00 PM em | comentários (1)

cheiro de chão pisado
carro de boi e gado
ponteio de viola
canto cansado
luar do sertão.

TAREFAS

Por Pedro Du Bois | 11/23/2011 10:01:00 AM em | comentários (0)

Revejo a terra: a marcação
cerrada complica o ataque
a velocidade
o corte
o drible

     a capacidade de me fazer
     ausente
     e na frente
     me apresentar
     em características
     distintas

revejo a terra pressionada no extremo
do desconhecimento: providências
tomadas além da espera

               na frente reapareço
               no encontro desmarcado
               da tarefa por fazer.

(Pedro Du Bois, inédito)

HORA

Por Pedro Du Bois | 11/15/2011 09:32:00 AM em | comentários (2)

          Na hora
                (cedo)
                  cedo
                      ao cansaço

                  recolho o corpo
                  à cama

          olhos cedem
          ao escuro: a mente
                           cede espaços:

                                      sonho.

(Pedro Du Bois, inédito)
                       
        

cachoeira do escorrega

Por JURA | 11/14/2011 07:57:00 PM em | comentários (0)

Cachoeira do escorrega
Escorrega água fria
Música
Canto frio nas pedras
Frias da Maromba.

Cachoeira do escorrega
Toda carga
Que represa emoções
Escorrega água fria
Música
Canto frio nas pedras
Frias da Maromba.

MANHÃ FRIA

Por JURA | 11/14/2011 07:49:00 PM em | comentários (0)

Manhã fria de nuvens
Crianças mostram estripulias
Casinhas com flores
Caminho verde
Cantos de sabiás anunciando
Manhã fria de nuvens.

SABOR

Por Pedro Du Bois | 11/09/2011 07:08:00 PM em | comentários (0)

Mentalizo o sabor
refrescante do presente:

            lanço o hálito
            à frente
            da batalha

torturo vítimas
enfraquecidas
enraizadas
desacostumadas
ao martírio

cada palavra é recebida
em homenagem
             e ao futuro digo
             verbos intransitivos.

(Pedro Du Bois, inédito)

Leva tempo

Por Eryck Magalhães | 11/08/2011 01:48:00 PM em | comentários (2)



para que o amor de
                                        um
cruze o amor de
                            outro

às vezes
leva uma vida inteira
e eles          não
          se              cruzam

para os afortunados
eles já nascem entrelaçados


*poema selecionado para o Livro Prêmio Alt Fest, patrocinado pela Fliporto.

Aroma de amora

Por Eryck Magalhães | 11/01/2011 11:46:00 PM em | comentários (1)

No interior,
facilmente se encontra pés de amora
e debaixo deles se namora.

Quando criança, no caminho de volta da escola
gostoso era comer amora,
colher amora...
ajudar as meninas a trepar nos galhos mais altos,
segurá-las pelas mãos...

Colocar amoras (as mais suculentas)
em suas bocas,
e observar o doce suco da fruta
tingir-lhes os lábios.

Chegar em casa de roupas manchadas
e ouvir as queixas de mamãe:
"suco de amora não sai da roupa"
e da memória.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 57)

PROSSEGUIR

Por Pedro Du Bois | 11/01/2011 09:10:00 PM em | comentários (0)

No universo incompleto da sequência
o lance derradeiro
            decisivo
            e único na universalidade
da espera: espaço renovado
em desdobramentos e a bifurcação
multiplicada em angústia
se desvela em única
incoerência: a continuidade
perdura no que chamamos
tempo: antes do tempo
chamado além: sem início
e fim perduram farsas
indecifráveis dos haveres:

         a completeza predispõe
         o final da essência
         de início não começado:
                       interlúdio e ofuscada
                       estrela em interestático
                       mundo das profundezas.

(Pedro Du Bois, inédito)

catador de sons

Por JURA | 11/01/2011 06:35:00 PM em | comentários (1)

quero aprender a catar
sons semelhantes que
pousam diferentes nas
árvores das melodias fugidias.

CANIBALISMO

Por JURA | 10/28/2011 11:49:00 AM em | comentários (1)

MÚSICA ME ENGOLE E ME COSPE DIFERENTE.

cores impressionistas

Por JURA | 10/21/2011 11:44:00 AM em | comentários (0)

Não se assustem se eu cantar
Como grito ou forte gemido
Ou quem sabe um coro
Inteiro gregoriano
Canto chão
Canto da minha boca
Cores impressionistas
Canto que nem sopro de criação
Canto tão canto como grito
Ou forte gemido.

Diário Velho

Por Poeta Clebber Bianchi | 10/19/2011 11:24:00 PM em | comentários (1)


Encontrei alguns sonhos
que estavam guardados num diário velho
empoeirado
Havia um diário triste
Uma carta de amor
Uma foto 3x4 desbotada
A letra de uma música
E a história adolescente de uma vida

Havia lembrança
Havia saudade...

Só não havia
o que mais deixei nas entrelinhas:

Futuro.

VENCER

Por Pedro Du Bois | 10/19/2011 04:25:00 PM em | comentários (0)

Comemora sua vitória

           glória
           inatingível
           em vida
           reposta
       à lápide
       em palavras
             metalizada
             na saudade.

(Pedro Du Bois, inédito)

CONVITE

Por Eryck Magalhães | 10/19/2011 11:38:00 AM em | comentários (0)

Feliz dia das crianças

Por Eryck Magalhães | 10/12/2011 12:49:00 AM em | comentários (0)


O pato indeciso
empata toda hora
com a linda patinha branca
ele não sabe se namora.

             ***

Nhoca
a minhoca dorminhoca
come nhoque
todo dia
nhoc nhoc
nhoc nhoc 
nhoc nhoc
que alegria!

LIBERDADE

Por Pedro Du Bois | 10/11/2011 08:53:00 AM em | comentários (0)



Ao homem a prisão do espaço
cria tempos de passagem

o amargor
com que nos perdemos
em liberdades

a extensão ignorada
dos movimentos

o humano no ínfimo e inexato
pensamento: liberdade condicionada
à sobrevivência

(de que adianta o universo
 sem o espírito crítico?)

     o espaço inibe o soar dos sinos
     e do fim ainda não fomos
     alertados.

(Pedro Du Bois, inédito)

INTEIREZA

Por JURA | 10/10/2011 09:21:00 PM em | comentários (0)

MUITO INTENSA
INDEFESA
CLARIVIDÊNCIA

MUITO INTENSA
FREMÊNCIA
INTEIREZA.

RISO

Por JURA | 10/10/2011 09:19:00 PM em | comentários (0)

O  demônio não nos afronta, só ri de nossas pálidas crenças.

Por MusicOrama | 10/08/2011 11:03:00 AM em | comentários (0)

segunda: acordar a vida pra trabalhar dentro dela;

terça: continuar fiel ao caminho escolhido;

quarta: subir o mar d'almas, respirar e voltar a mergulhar;

quinta: é quase o fim da viagem... quase afim;

sexta: dia de lua, sempre cheia. dia de rua, sempre alheia. dia de voltar pra casa e
lembrar de amar;

sábado: continuar amando;

domingo: despedidas e lembranças (lembrar de amar/lembrar de amar/lembrar de amar...).

AGORA

Por JURA | 10/05/2011 07:47:00 PM em | comentários (0)

Quero fotografá-los agora porque, é claro, eles crescem muito. Seus olhos súplices, acanhados, muitas vezes se tornam arrogantes. Seus corpos, suas idéias buscam outros olhares.
Talvez mais tarde eles nem se reconheçam nessas fotos de agora, com olhinhos felizes, inocentes e loucos para pular da cadeira e pra fora das pareces da sala, sentir o sol na pele, o vento  nos cabelos e a água fria dos rios em dias bem quentes.
Talvez não se reconheçam, mas o que virá de arrogância, segurança e outros olhares já estão presos nessas fotos de agora.

LÓGICA

Por Pedro Du Bois | 10/05/2011 09:49:00 AM em | comentários (1)



Abandono a lógica irreversível
das promessas: receio ofender a menor
parte distribuída, o escutar do murmúrio
decomposto em marcos dividindo
o espaço: cada um para um lado, cada
um do seu lado, cada um do lado errado

     na lógica abandonada sacio
     a fome descomunal dos adjetivos
     e os empresto ao vento que os infla
     no crime doentio dos silogismos

abandono a lógica racional dos percursos
e guio meu corpo ao abismo de onde olho
abaixo e longe o contato futuro e imediato

      na lógica reside o abandono
      da mágica apresentada em lona
                              de circo.

(Pedro Du Bois, inédito)

DEBATE CULTURAL

Por JURA | 10/03/2011 06:35:00 PM em | comentários (0)

PRESTIGIEM, DIVULGUEM, PARTICIPEM!!!

Acerto de contas

Por Eryck Magalhães | 10/02/2011 06:27:00 PM em | comentários (0)

O Papa diz:
- Perdão.
O Pajé, de terço no pescoço, responde:
- Amém.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 35)

APÓS

Por Pedro Du Bois | 9/30/2011 10:10:00 AM em | comentários (0)

O primeiro homem
                   pensou sua sobrevivência

              sobreviveu ao homem
              - ainda bicho -

                   o segundo homem

tem a consciência
de esconder o bicho
ainda homem.

(Pedro Du Bois, inédito)

odara

Por JURA | 9/26/2011 12:08:00 PM em | comentários (0)


Ela chegou sorrateira, tímida e com medo. Agora já corre pelo quintal como se fosse dela e se enrosca e dorme próxima deles como se os conhecesse de longa data. Odara. Veio pra ficar.

Caminha

Por Eryck Magalhães | 9/23/2011 11:28:00 AM em | comentários (1)

No caminho que ninguém caminha
Pero Vaz caminha
na sua caminha
só indiazinha.

Por Cláudio Costa | 9/22/2011 09:12:00 PM em | comentários (1)

fINal FELIZ
Combinou que ao acordar faria o café.
A mesa estava posta
Uns trocados
Um bilhete
o vazio
eu

UM DIA

Por Pedro Du Bois | 9/22/2011 05:09:00 PM em | comentários (0)

O absurdo considerado
no limite
da troca: vida
               e morte

(um dia quando o último
 for embora ainda ouviremos
              o silêncio mortífero
                             da canção).

(Pedro Du Bois, inédito)

O Próprio Amor

Por Vitor Berigo | 9/20/2011 04:34:00 PM em | comentários (1)

Dos vasos suspensos
regados por seu nome
é colhido o olhar de alegria.
Há vida.

A rosa colhida no mais íntimo do meu jardim
foi rejeitada feito capim.
Num copo esquecido, sobreviveu
a lembrança du'm sorriso.

A rosa não teve nome
só motivos

e morreu.


(Vitor Berigo)

Um apanhado de microcontos e alguma poesia:

entra numas (para Netinho)

Por JURA | 9/17/2011 11:11:00 PM em | comentários (1)

tinha cada uma
maior que a outra
tinha outras
com cada uma
e tinha você
que me deixava numas.

SOM E IMAGEM

Por Pedro Du Bois | 9/14/2011 11:42:00 AM em | comentários (0)

Integro o espaço
circular da imagem:

     a escada
     o sofá
     o automóvel
     o inseto
     o pássaro
     a infrutífera árvore
                        ressecada

(escuto o som: não tenho a imagem)

     entrego o corpo ao cansaço
     e no sofá onde sentado
     aguardo o final do som
     na recuperação da imagem.

(Pedro Du Bois, inédito)

Estátua

Por Eryck Magalhães | 9/13/2011 12:16:00 PM em | comentários (0)

(Foto de Eryck Magalhães, Cemitério dos Passos, Guaratinguetá-SP)

Aquela estátua sempre estivera ali, imóvel, fria e cinza. Guardava dela uma vaga lembrança de infância, quando em dia de finados ia com meus pais visitar os falecidos entes da família. No entanto aquela foi a primeira vez que realmente a olhei, ou ela olhou para mim. Não havia ninguém por perto, o cemitério estava vazio. Apenas eu e ela. Aproximei-me um pouco e pude conferir seus contornos, os ombros curvados.  O cotovelo sobre uma das pernas servia de apoio para o braço que sustentava a mão cujos dedos, entrelaçados aos cabelos, amparavam a fronte. Em sua superfície, principalmente perto dos ombros, havia uma camada de musgo. Num ímpeto a toquei. Não sei se a intenção era a de confortá-la, acalmá-la ou até mesmo a de acariciá-la. Enfim, a toquei. O musgo que lhe cobria era como se fosse um manto de veludo, assim eu o senti com as pontas dos dedos. Por um momento, quase que senti seu tronco arfar como em um suspiro profundo. Um vento frio passou por mim. Ajustei meu casaco ao corpo e parti.
Assim como a mulher de Ló, não pude deixar de olhar para trás. Entretanto a estátua era ela. Não nego que tive vontade de ficar ali, imóvel, contemplando-a, mas o vento me soprou adiante. Carrego dela esta última imagem na retina. Às vezes, ela me aparece em sonhos dos quais não me recordo muito bem. Ela nunca fala, as vestes sempre as mesmas. Seus longos cabelos frente à face me impedem de admirar suas feições, mas sua energia me atrai feito imã. Sei que mais dia menos dia vou ter que voltar lá para visitá-la. Não sei quando. Hei de vê-la e, desta vez, contemplar seu semblante. O rosto, quero ao menos um esboço de sorriso, a tez de pétala de rosa branca, os olhos cintilantes.  Eu, o anjo e ela, Santa Teresa. De nós, o êxtase.

TANGRAM TEIA DE IDÉIAS: A UMA MOÇA QUE PASSA

Por MusicOrama | 9/12/2011 10:58:00 PM em | comentários (0)

Por Cláudio Costa | 9/12/2011 08:40:00 PM em | comentários (0)

1ª Pessoa.
Ele concordava que tinha o mundo em si.
Úlceras,
pasmos vermes.

XADREZ (11 de setembro)

Por W.G. | 9/11/2011 11:09:00 AM em , , | comentários (3)

Enquanto os grandes mexem suas peças

derrubando torres
manipulando bispos
enforcando reis

entre cavalos e peões,
os pequenos movem suas vidas,

cada um no seu quadrado.

Chuva noturna

Por Tonho França | 9/10/2011 11:13:00 AM em | comentários (2)

. . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . .
barullho no telhado
deus aborta fetos de anjos



Tonho França

Por JURA | 9/07/2011 09:24:00 PM em | comentários (1)

7 de setembro, cães ladram por independência.

CORPOS

Por Pedro Du Bois | 9/06/2011 11:02:00 AM em | comentários (1)

A terra recebe
o corpo: a terra
cobre o corpo
depositado

na terra o corpo
se compraz
em decomposição

na terra o sentido original
do corpo descompensado
ao estágio anterior
da criação

o barro ressecado estala pedaços
do corpo putrefato: na superfície
entre flores a lembrança
se oferece ao mistério: o corpo
                                 trespassado.

(Pedro Du Bois, inédito)

A QUALQUER HORA

Por W.G. | 9/05/2011 08:23:00 AM em , , | comentários (1)



Em tarde, ser.
À noite, ser.
A manha é ser
o que somos
a qualquer hora.

Justificativa

Por Eryck Magalhães | 9/01/2011 01:45:00 PM em | comentários (0)


Porque sem o branco do papel
e o negro da tinta
não haveria este poema.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 13)

PREÇO

Por Pedro Du Bois | 8/31/2011 04:41:00 PM em | comentários (0)

Exulta
  exalta
    no vulto do espelho
    espelha
     o gesto
        com que se repete

no aplauso consequente
 de louvações o destino
 busca o passo seguinte
 não o repetido espetáculo

em que avulta o preço
  da homenagem.

(Pedro Du Bois, inédito)

SERENATA DE SAUDADE

Por MusicOrama | 8/30/2011 07:07:00 PM em | comentários (0)

Ainda você, minha flor do amanhecer,

Que saboreava cada verso meu,

Como se, dali, chegasse ao apogeu
...
Da felicidade em teu alvorecer.



Ainda você, meu sol a florescer,

Que se lamentava a cada avesso teu,

Como se eu fosse uma luz em teu liceu,

Como o breu viesse eu a converter.



Ainda, em cada serenata de amor,

Você, que não se acostuma à ira, à dor

De saber um mar sem rima ou remador


RODA ATIVA

Por JURA | 8/25/2011 03:55:00 PM em | comentários (1)

roda gira
pira,
roda expira.

roda lírica,
empírica
roda de catira

PARADOXO

Por Pedro Du Bois | 8/23/2011 03:54:00 PM em | comentários (1)

Há sempre
      o paradoxo

  no suicida
  doador de órgãos.

(Pedro Du Bois, inédito)

As minhas faces

Por Tonho França | 8/21/2011 10:37:00 PM em | comentários (1)



Observo a caixa onde o último charuto descansa

Há uma certa elegância no aroma do Cohiba



Ainda pousa sobre amarelados papéis

a caneta de pena importada

o relógio de bolso em ouro



(ambos herança de meu avô)



já desfiz-me de tudo que era precioso



perdi-me de muitos rostos caros e amigos

e morri um pouco em cada mulher que amei



hoje o tom escuro repousa em quase todas minhas roupas

e toda essa profusão de sons, cores, pessoas

são estranhas ao meu olhar.



Relembro na pausa de um suspiro (lento)

Toda minha vida

pouco restou de uma época e de mim.



Os últimos poemas ainda insistem na memória

Eles tem a alma, o ritmo e o segredo dos mares



E toda noite, condenam-me veemente

ostentando sobre as ondas, brados revoltos

em espumas claras-intensa-reluzente



A face de todos meus “eus” mortos

Fabiano Fernandes Garcez: Notícias

Por Fabiano Fernandes Garcez | 8/19/2011 11:14:00 PM em | comentários (0)

Fabiano Fernandes Garcez: Notícias: Jornal Comunicação Regional publica crônica de Fabiano Fernandes Garcez http://2.bp.blogspot.com/-qSMs6W4xeCs/Tk49sK_v64I/AAAAAAAABQM/y...

Minha poesia

Por Tonho França | 8/19/2011 08:03:00 PM em | comentários (1)



é arredia
sabiá-laranjeira
saíra
cor de canto
que às vezes
somente às vezes
                        c
                        a
              em  m i m

Tonho França

AMESTRAMENTO

Por Pedro Du Bois | 8/18/2011 05:40:00 PM em | comentários (0)

O mestre
amestra
os alunos

o balançar
do lápis: papel
               riscado

arrisca sussurros
ao espaço
e colhe
na vibração
o tempo

ao mestre
restam
amestradas
lembranças
em desalinho

                   o lápis intocado
                   repassa
                   o papel
                   intacto.

(Pedro Du Bois, inédito)

DEBATE CULTURAL

Por JURA | 8/16/2011 06:49:00 PM em | comentários (0)


COMPAREÇAM! DIVULGUEM!

CAMINHOS

Por JURA | 8/15/2011 03:40:00 PM em | comentários (0)


Pegadas diferentes
Destinos iguais
Mesmo caminho
Passos desiguais.
Marcas mais leves
Desenhos mais profundos.
Juntos,  pegadas diferentes
Passos desiguais.

Por Pedro Du Bois | 8/10/2011 10:10:00 AM em | comentários (0)


. INVESTIGAÇÃO



Quando encerra o expediente

o investigador engaveta

seu trabalho ao próximo dia?



Quando cessa seu trabalho

no final do turno

o investigador leva para casa

sua linha de raciocínio?



Quando descansa junto à janela

após jantar com a família

ou do lanche no bar da esquina

o investigador dispensa

o caso guardado?



Quando dorme no final da noite

com o que sonha o investigador?

(Pedro Du Bois, inédito)

Sons e cores

Por JURA | 8/05/2011 10:31:00 PM em | comentários (0)

Apaguei a luz pra que não visse minhas lágrimas. Porque também a luz atrapalhava, direcionava minha atenção pra outros sons e cores. Queria-me inteiro pra música.

Escrever, para meu amigo Mala

Por JURA | 8/05/2011 10:18:00 PM em | comentários (1)

Escrever me define o que sou, quem sou, e o que vejo do que outros são.
Escrever dói, arranha, anima, ânima.
Alma, blues, "todo amor que houver nessa vida"
Escrever me salva de mim mesmo.

Cegueira

Por Eryck Magalhães | 8/03/2011 10:58:00 PM em | comentários (0)

O negro de tão negro é invisível
invisível aos olhos dos que vêem
aos cegos os negros são mais lúcidos
pois negro é tudo o que vêem.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 22)

IMAGENS DISTANTES

Por Pedro Du Bois | 8/03/2011 09:03:00 PM em | comentários (0)





Imagens

embebidas em água

na revelação do filme.



A luz vermelha

proíbe a entrada.



Vejo você

delineada no papel.

Sorridente na fotografia.



O papel liso e brilhante

contêm a sua imagem:

saudade do tempo

que não consigo alcançar.

(Pedro Du Bois, inédito)

A VENDA

Por W.G. | 7/18/2011 10:33:00 AM em , , | comentários (0)

Eu vendo o pôr-do-sol... Ninguém se interessa.
A pressa venda os olhos.

Palavras em choque

Por Fabiano Fernandes Garcez | 7/17/2011 08:45:00 PM em , | comentários (1)

A lei torna-se por
 vezes piada
música datada
   pele transpirada

campa pide
     lavrada, às vezes
       emana de um
capricho
qualquer

Poemas

Por mural do ajosan | 7/16/2011 07:27:00 PM em | comentários (1)

Faço poemas di_versos
...mesmo que os versos não rimem.

Dessubstancialização

Por Eryck Magalhães | 7/12/2011 02:01:00 PM em | comentários (1)

                  A oca, outrora oca

                        hoje é oca

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 18)

SARAU ENTRELINHAS NO MUSEU

Por Rhosana Dalle | 7/11/2011 10:29:00 PM em | comentários (1)

Caro Poeta Tonho França

Em comemoração ao Aniversário da Cidade, estaremos realizando:

Temos convites limitados, porém haverá uma lista de convidados na porta e tomei a liberdade de incluir seu nome caso possa aparecer, será um prazer.

Abraçãoo!!

Sobre luzes e meninos

Por Tonho França | 7/03/2011 07:08:00 PM em | comentários (2)


Dos meus poros florescem
Meninos de asas e luz
Filhos de estrelas do mar
A voz aguda dos violinos
Pele em pétalas de rosas-chá

Voam sobre meus olhos
E dos risos de macieira
Geram a primavera

São os meninos de asas e luz
Amantes dos beija-flores
Filhos de estrelas do mar
Vestidos em notas musicais
A voar...

Tonho França

(DES)TEMPO

Por Pedro Du Bois | 6/30/2011 04:18:00 PM em | comentários (2)

Do passado pressente
o que a memória lembra
na identificação dos rostos
                                    lugares
                                         datas

do passado mente o não acontecido
lembranças nas versões dos fatos

verdades sobrepostas
no verdadeiramente exposto
de onde retira o âmago
angustiado de estar aqui
        
                fantasma iluminado
                de vidas inalcançáveis

do passado sente a expressão
do gosto: a criança ressurge
no tempo na imagem esperada.

(Pedro Du Bois, (DES)TEMPO, Edição do Autor)

DA JANELA texto e foto Jurandir Rodrigues

Por JURA | 6/23/2011 01:09:00 PM em | comentários (2)





Da janela eu vejo
ele escorre lento
esbarrando liso, calmo
trafegando seguro
em busca de tudo
tudo que vê pelo tudo.
Da janela eu vejo...

DROPS

Por W.G. | 6/22/2011 09:53:00 AM em , , | comentários (3)

Para ferir
qualquer palavra
é pedra.

Na boca
de quem ama
derrete-se a dureza:

palavras exalam
hálito de flores.

ARTE

Por JURA | 6/21/2011 04:25:00 PM em | comentários (0)

Toda arte me assombra
me dá sombra pro estio
Arte me afronta
Náusea me arrepio.

O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS

Por Pedro Du Bois | 6/21/2011 12:47:00 PM em | comentários (0)

Nos finais de tardes
pequenos pássaros
fazem do telhado
refúgio

tempo de espera
de irem aos lugares
do sono

árvore
árvores

pássaros esperam
as horas em lentos
voares extensos
versos de obrigado
e domingos repletos
de nada.

(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS, Vol. II, 42, Edição do Autor)

PLANTIO

Por W.G. | 6/21/2011 09:30:00 AM em , , | comentários (1)

A poesia,
flor desabrochando
no meu cotidiano.

Com os dedos da linguagem
tento colhê-la
e quem sabe
plantá-la
no vaso das palavras.

Sobre mulheres e procissões

Por Tonho França | 6/19/2011 12:46:00 PM em | comentários (5)

Sobre mulheres e procissões


As mulheres da rua quinze saem em procissão
Levam no andor carcomido uma santa em sal e rosa
Em coro as vozes desafiam ladainhas e confissões
Nunca amaram de verdade as mulheres da rua quinze
Nunca viveram de verdade
Nunca pecaram intensamente
São apáticas e mornas as mulheres da rua quinze
Não há perdão na mediocridade
Chove forte sobre o andor, a santa se desfaz
A rosa voa aos céus, o sal amarela no canto da calçada
Nunca mais saíram de casa as mulheres da rua quinze

Tonho frança

não sei nada azul

Por JURA | 6/19/2011 11:01:00 AM em | comentários (2)

“Eu não sei se vem de Deus do céu ficar azul”
Eu não sei se vem do azul de Deus ficar por aqui.

Por Tonho França | 6/18/2011 10:51:00 AM em | comentários (2)

Todo verso sangra


todo verso fere

todo verso acaricia

alivia a febre

todo verso é ânsia

premência de vida

erupção,estopim

a cada verso

mais adentro

mm mim

Mais próximo

De um novo

começo ou fim...



tonho frança

Arritmia

Por Eryck Magalhães | 6/18/2011 12:06:00 AM em | comentários (1)

O sentimento muda tal qual nuvem.

O mesmo amor que desarma,
arma...

O bem-querer que acalma,
desalma...

O abraço que afaga,
afoga...

Coração é folha seca,
pena de passarinho à deriva,
quem traça o caminho é o sopro do vento.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 44)

necessidades

Por JURA | 6/17/2011 05:28:00 PM em | comentários (1)

Cigarro queimando, corroendo o que resta de solidão e melancolia.
Bebida forte, sem gelo, aquecendo o tédio e a angústia.
Um blues, agoniado, ritmando a aflição e o tormento.

Homenagem ao 123º Aniversário de Fernando Pessoa

Por Fabiano Fernandes Garcez | 6/13/2011 03:31:00 PM em | comentários (1)


Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:    


"Navegar é preciso;  viver não é preciso". 


Quero para mim o espírito [d]esta frase,   
transformada a forma para a casar como eu sou: 


Viver não é necessário;  o que é necessário é criar. 
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.  
Só quero torná-la grande,  
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. 


Só quero torná-la de toda a humanidade;   
ainda que para isso tenha de a perder como minha.  
Cada vez mais assim penso. 


Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue   
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir  
para a evolução da humanidade. 


É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

AZUL

Por JURA | 6/08/2011 06:24:00 PM em | comentários (2)

minha poesia
é quase nula diante
de um dia tão AZUL.

A NECESSÁRIA PARTIDA

Por Pedro Du Bois | 6/07/2011 10:42:00 AM em | comentários (0)

Desde quando me fiz início
sei da necessidade
da partida. Desde então
me acoberto em espaços
que não me pertencem
em busca do que
me nego ao necessário.
Fosse eu a permanência.

(Pedro Du Bois, A NECESSÁRIA PARTIDA, Vol. I, dedicatória, Edição do Autor)

Cheiro de saudade

Por Eryck Magalhães | 6/05/2011 03:58:00 AM em | comentários (0)

             dedicado à avó Maria


cheiro de mexerica

e o aconchegante sol de inverno

só não era mais aconchegante

que a companhia de minha avó

REMINISCÊNCIAS

Por Pedro Du Bois | 6/01/2011 01:58:00 PM em | comentários (0)

A vida sem replay,
flahback, cortes de cena.

Dias monótonos em repetições.
A audácia comum aos sedentários.

Esportes radicais, emprego
de astronauta. A multidão
cerca o palco, carros
ultrapassam trezentos
quilômetros por hora.

Vida envelhecida em repetições.
A sensação de tédio e raiva.

Não mais cantar: saltar.
Não mais viajar ao espaço.

Apenas: deixar-se ficar
no alpendre onde replays
e flahbacks se eternizam.

(Pedro Du Bois, DAS DISTÂNCIAS PERMANENTES, Edição do Autor)

Qual é o seu lugar favorito para comprar roupa?

Por Duda Araújo | 5/29/2011 06:08:00 PM em | comentários (1)

aonde é mais barato

Ask me anything

Antes do amém

Por Eryck Magalhães | 5/27/2011 07:48:00 PM em | comentários (1)

            Tentava se concentrar enquanto rezava o terço, todavia uma cólica intestinal exigia sua atenção e parecia fazer questão de  lembrá-lo, a todo o momento, do seu lado mais humano. Com muito esforço, chegou ao quinto mistério, porém a vontade tornou-se incontrolável. Correu em disparada ao banheiro com terço e tudo, arriou as calças, sentou-se no vaso e, quando finalmente ia dar cabo ao seu intento, o seguinte pensamento invadiu-lhe a mente: ‘Será pecado rezar e cagar ao mesmo tempo?’. O questionamento travou-lhe o esfíncter. Ficou ali, sobre o vaso, de terço nas mãos, balbuciando uma ave-maria e tentando achar uma resposta para aquela questão. Enquanto isso, a vontade ia reformulando-se em pequenas ondas até se tornar uma imensa onda em pleno mar revoltoso. Apressou a reza, segurou o máximo que pode mas, antes de dizer o amém final, aquilo tudo veio abaixo como golpes de um martelo furioso.
            Sentiu vergonha de si mesmo, até porque o alívio era extremamente prazeroso. Sentiu vergonha de Deus, certamente ele havia presenciado tudo, visto que em todo lugar está. E o esforço? Todo em vão! Restou-lhe o confessionário. Mal limpou a bunda e subia as calças e pôs-se a caminho da igreja. 

noite de autógrafos

Por JURA | 5/25/2011 06:52:00 PM em | comentários (0)

MARCAS

Por Pedro Du Bois | 5/24/2011 08:41:00 AM em | comentários (0)

Marco. Sinal contemplado em segurança:
entre vidas e mortes irreconhecíveis.

Marco. Espaço decorrido em sustos:
entre descobertas e acobertamentos
inevitáveis. Conteúdo descrito ao perigo:
entre o o objeto e o corpo
padecem azares.

(Pedro Du Bois, inédito)

Noites e meninos

Por Tonho França | 5/23/2011 12:34:00 PM em | comentários (0)

Cio de gatos no telh/\do.

A menopausa da mulher do 163

esquenta o hálito da noite.

Garoa fina e fria,

cinza

cinzas



As luzes verticais

formam arquipélagos ao longe



Na calçada, o menino e a chuva

o cachimbo



o menino e a fumaça

o menino e as cinzas

o menino e a pedra

o menino e a luz

(segundos de sonhos coloridos)



Ah, dorme, menino.

Dorme...



(No estômago da noite

a cidade rumina meninos)


Tonho França

legado

Por valéria tarelho | 5/21/2011 03:00:00 PM em , | comentários (0)



                   [no meio do caminho tinha uma perda]


possível até prever:
a paixão [perfume]
passará

como outras perdas
[performance de pétala]
fará parte de uma seca
paisagem

na certa [carlos]
um poema pedirá 
passagem

venha com seda 
ou pedra polêmica
na bagagem 


valéria tarelho
Safe Creative #1012098036860

"De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho "

trecho de 'legado' - carlos drummond de andrade


*fotografia de Jay Allen

CONVITE

Por JURA | 5/20/2011 09:30:00 PM em | comentários (0)



Noite de autógrafos do livro de Jurandir Rodrigues
LAPSOS E TESSITURAS
EDITORA MULTIFOCO
SELO VALE EM POESIA
Preço do exemplar: R$ 20,00
11 DE JUNHO, SÁBADO, ÀS 20H, NA CÂMARA MUNICIPAL DE CACHOEIRA PAULISTA
Travessa Antônio Dabul (fundos do antigo Mercado)


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