Por Adams Alpes | 7/29/2012 05:00:00 PM em | comentários (0)


Lufadas de dragões
(para Denise Gouvêa) 

A gente se misturava
Aos corpos que se misturavam
Aos copos que se misturavam
Às ideias
Às palavras
Aos pensamentos
Aos gestos
Que se encontravam
Que se concentravam
Em você e só você
Queimando o que me distanciava
Do que eu não podia ver
Na noite que se enche
De lufadas de dragões
Em becos sem saídas
Em espelhos sem imagens.


 [Adams Alpes]

Caçapava, 29/07/2012.

PASSAR

Por Pedro Du Bois | 7/27/2012 05:20:00 PM em | comentários (0)

Da orla assiste
o passageiro do barco
vomitar sobre a amurada

na passagem

o passageiro enjoado
assiste sobre a orla
a pessoa estática

a terra permanece
como paragem.

(Pedro Du Bois, inédito)

DOIS

Por MusicOrama | 7/24/2012 10:38:00 AM em | comentários (0)


Somos dois e somos mais:
Café com carinho cedinho antes da cama acordar;
Um caminho lado a lado de mãos abraçadas;
Ouvidos, olhos e disposição um para o outro;
Dia abandonado pra se lançar na noite da paixão.

Somos dois e somos mais:
O moço que espera pendurado na janela;
A moça que corre e se atrapalha com a tramela;
A tormenta de saber do outro na demora;
A lagoa tranquila do reencontro.

Somos dois e somos mais:
A vida aparentada diariamente;
A amizade espalhada de repente;
O amor espelhado no presente;
A lida apresentada quando ausente.

Somos dois e somos mais:
A vontade de estarmos juntos à beira-mar;
O afago depois de um dia difícil;
O sorriso no meio do assunto inusitado;
A bronca depois de um fora imperdoável.

Somos dois e somos mais:
Aquele papo magoado que tenta curar a ferida;
Aquela tristeza da incompreensão imensa de solidão;
Aquela tempo de ficar em outra já que não há o outro;
Aquele dia sem amar que não passou de um dia sem viver.

O filósofo

Por Eryck Magalhães | 7/23/2012 07:00:00 PM em | comentários (0)

     Pouco lhe agradavam as entrevistas. As perguntas eram inúmeras, e as respostas, exíguas.

"A maior distância entre dois pontos"

Por MusicOrama | 7/22/2012 09:17:00 AM em | comentários (0)



E a distância foi se aproximando...

E não havia mais bom dia;
Quase não se ouvia um boa noite;
A companhia que nos servia de ponte
Entre o deserto-solidão e a solidão deserta de cada um
Se desgastara.

E o pão era pão( já havia sido corpo)
E o grão era grão( já havia sido oferta)
E o plano era plano( já havia sido sonho)
E a grana era grana(já havia sido providência)

Somaram-se as subtrações:
Divididos, multiplicaram-se as distâncias.

Não se agia;
Não se lamentava;
Não se dizia:
Apenas se esperava
(Não se sabia) a maior distância entres dois pontos.

E, não de repente,
de-sa-pro-xi - m a - m - o - s.

(cimatti)

Muito Prazer!

Por MusicOrama | 7/20/2012 10:32:00 AM em | comentários (0)



Prazeres, nesta terra, existem muitos:

O prazer da carne;
O prazer em conhecer;
O lazer; o fazer acontecer;
O prazer do trago;
O prazer que traz;
O prazer que trai;
O prazer que atrai...

Existe até o prazer no desprazer:
Próprio ou alheio.

Há prazer no feito e no desfeito;
No coito e no biscoito;
No conto e no desconto;
No trato e no retrato...
Mas; se houver prazer
Em todos os casos e acasos,
Em todas as coisas,
Gentes e jeitos;
Não haverá prazer que se iguale ao da
INTIMIDADE.

DISTÂNCIAS

Por Pedro Du Bois | 7/19/2012 03:09:00 PM em | comentários (1)

(sobre a distância nada diz
 prefere falar da permanência)

ao redor do corpo giram
espaços: a escuridão
na especificidade da contagem
em que lembranças traduzem
espontâneos ensinamentos

o corpo se agita em cárceres
e faz sua fortaleza menor
em acontecimentos e artes

(sobre a distância percebida diz
 do azar em permanecer estático)

(Pedro Du Bois, inédito)

UM OLHAR

Por MusicOrama | 7/16/2012 07:12:00 PM em | comentários (1)


Olhei, olhei, olhei...
(óleo sobre tela)
Não vi nada nela.

Olho, olho, olho...
(sem perder de vista)
Fora da janela,

Num desvio de olhar,
(eu vi, eu vi, eu vi)
Sob a franja amarela,

Um olhar de mira mar
(me admirando, me admirando);
Não via nada nela.

O olhar dela me via;
O olhar nela vivia.
E, porque não vinha,
De lá, me despia.
(me olhava sem fantasia)
E me fazia sol do meio-dia.

Eu sorria, sorria, sorria...

COMO COMEÇA

Por Pedro Du Bois | 7/12/2012 04:24:00 PM em | comentários (0)

Do medo
original
retiro o tédio
          adquirido
                 teço minha trama
                 urdo minha sina
                 ardo minha figueira
                 urro minha ida
                 terço minha arma
                 traço minha vida

                 no tédio adquirido
                 refaço o medo
                               inicial.

(Pedro Du Bois, inédito)

AÇÕES

Por Pedro Du Bois | 7/06/2012 11:52:00 AM em | comentários (1)

atravesso o espaço
- distância permitida

avesso ao trajeto
- preço percebido

avanço sobre a cratera
- queda percebida

refaço o gesto
- tanto concebido

acesso o corpo
- corpo possuído

(Pedro Du Bois, inédito)

Em uma noite

Por Tonho França | 7/04/2012 04:12:00 PM em | comentários (1)


sete invernos adornados em
cinzas vermelhas
olhos de lua e dentes de ouro
desciam por um céu
aberto em chagas

silentes, traziam os ventos os oceanos
alguns anjos  e 13 conchas azuis

caminhavam sobre o tempo
e todas as formas de memórias
Semeando pausas no seio do infinito

recriando em barro e fogo no ventre da morte
o sopro sagrado de vida – início

Tonho  França


O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Feeds RSS

Receba as novidades do Vale em Versos em seu e-mail

Livros do Vale

Apoiamos

Adicione

Arquivos