Milton Nascimento - Pieta (full concert)

Por JURANDIR JURA | 12/17/2015 06:47:00 PM em | comentários (0)

GUERRAS

Por Pedro Du Bois | 12/17/2015 05:53:00 PM em | comentários (0)

busco questões menores
anódinas
acidificadas
ambientadas em respostas
não transitadas

lembro você e seu discurso
altaneiro resfriado
no enregelar o passado
em passadiços caminhos
rumo ao mar

rebusco na memória o instante
em que nos revelamos
e sua face esfumaça
o espelho

opaco ser metalizado
em respostas

(Pedro Du Bois, inédito)

DESPEDIDA

Por Pedro Du Bois | 12/08/2015 09:43:00 PM em | comentários (0)

Quando me despeço
dispenso consequências
e penetro no fundo
caminho de ir embora

ilusões cercam inícios
e da metade ao fim
o cansaço pede contatos

não há consequências
para o ato praticado
na necessidade

o intenso se dedica a desconstruir
a calma antecedente no discurso

na despedida sopram brandos
ares sobre possíveis lembranças

aproveito o sol para me manter
aquecido na linha do horizonte.

(Pedro Du Bois, inédito)

VER

Por Pedro Du Bois | 12/01/2015 11:16:00 AM em | comentários (0)

Não me vejo ontem
a me transformar agora

meio desenho rascunhado
sobre o instante imaginado

mero esboço retraído
em sentenças de culpabilidade

mero estorvo
magnificado em lembranças

não me vejo amanhã
a me condenar agora

mera retribuição farsesca
do desinteresse.

(Pedro Du Bois, inédito)

MENOSPREZO

Por Pedro Du Bois | 11/21/2015 01:24:00 PM em | comentários (0)

menospreza o sentido:
             sentado em silêncio
                          acompanha a cena
                          com os olhos

a sanha amadurecida
do mistério se revela
inócua aos perigos
gerados em desatino

menospreza o programa
desfeito na efemeridade
das promessas atávicas

a resenha desdiz o discurso
no reescrever mitos metrificados

menospreza o sentido:
                  ao músico cabe a ilusão
                  de refazer o momento

(Pedro Du Bois, inédito)


PASSAGENS

Por Pedro Du Bois | 11/15/2015 05:24:00 PM em | comentários (0)

único pé sobre a calçada
em límpida passagem
de curta viagem

água escorrida pela chuva
diuturna do planeta
empoçada no caminho
dos barcos atracados
ao meio fio

castelos desmoronados
no líquido escorrido
pelo pé que pisa
e espirra o barco

outro pé esbarra
na ponta da pedra
levantada: queda
na água recolhida
ao barco soçobrado

(Pedro Du Bois, inédito)

MARCAS

Por Pedro Du Bois | 11/07/2015 10:47:00 AM em | comentários (0)


marcas de giz 
              cal
spray espalhado

não vale a incerta hora
reconsiderada em acordes

agonia: pressentimento
repetido na inglória
forma de ser presente

na negação o giz desprezado
não risca o chão
       não espalha o pó
       não utiliza a artimanha
  com que palavras limpam
  paredes brancas

nada acontece que o tempo

(amigo) não faça esquecer

(Pedro Du Bois, inédito)

CONFUSÕES

Por Pedro Du Bois | 10/30/2015 10:12:00 AM em | comentários (0)

Confusas horas
tomadas ao acaso
das sentenças
desfeitas em ardis
no espoucar dos fogos
artificiais das inteligências
amansadas em regras
dispostas ao relento
da sensibilidade

dias perdidos em discussões estéreis
de enriquecimento: coisas adquiridas
na possibilidade de ser macia a cama
e pesado o sono destituído do sonho
inicial na sobrevivência anárquica
com que o homem sorri à fêmea
e se faz companheiro
e comparsa.

(Pedro Du Bois, inédito)

ALÉM

Por Pedro Du Bois | 10/22/2015 01:14:00 PM em | comentários (0)

além dos sentidos
        inconsentido estágio
        onde nos deixamos aos ventos
        naturais dos verões abrasivos

queimam corpos sobrepostos
na areia das praias invalidadas
em noites de tenebrosos sentidos

a insensibilidade arma homens
em indefensáveis apetrechos
de obras superiores

não sentimos o olhar
do transeunte: ao largo
o barco ( menor) se funde
na linha do horizonte

(Pedro Du Bois, inédito)

BUSCAR

Por Pedro Du Bois | 10/14/2015 02:15:00 PM em | comentários (0)

Na busca o encontro imaterial
esboça o ânimo absurdo
sob argumentos desiguais
na procura de algo além
interiorizado em lembranças
atávicas: nada acha
               nada encontra
               nada acontece
aquém da farsa das entregas

o corpo repousa na cama
inundada em misérias
           mesquinhas
de rebocos arrebentados
no desencontro aleatório
cerceado em papel de seda.

(Pedro Du Bois, inédito)

RECEIOS

Por Pedro Du Bois | 10/06/2015 10:55:00 AM em | comentários (0)

receio olhar seu corpo
sem desejo e coragem

receio seus olhos
escurecidos em saudades

receio o impropério lançado
ao alcance da palavra

receio antever sentidos
dirigidos a mim:

            exposto em dúvidas
            recobro o início
            no caramujo: fecho

(Pedro Du Bois, inédito)

BATALHAS

Por Pedro Du Bois | 9/28/2015 05:24:00 PM em | comentários (0)

Ainda hoje
resquícios da batalha
presente a cena
presente a arma
presente a composição gráfica
das tropas dispostas
em seus lugares

primeiro e único contato
entre antagonistas: boa sorte
e vençamos todos

ausente a vontade
no momento
da estratégica fuga
entre chamas

resquícios permanecem
provando no futuro
a existência inglória.

(Pedro Du Bois, inédito)

TÂNIA

Por Pedro Du Bois | 9/19/2015 09:06:00 PM em | comentários (0)

Não falo do amor.
O amor deve ser mudo
em não dizeres. Ríspido
em encontrares. Móvel
em sensibilidades após
o gesto e o gosto. Do amor
guardo a distância próxima
da perenidade no descansado
gesto com que corpos
se reconhecem. Não a paixão
que embaraça o discurso
e tange parceiros ao delírio.
O amor soçobrado em ventos
reassume posturas e indelével
permanece. Falo do amor:
que o amor diz do mundo.

(Pedro Du Bois, inédito)

LEVE

Por Pedro Du Bois | 9/13/2015 12:17:00 AM em | comentários (0)

retira da inconsequência
o peso: da levedura o amargo
gosto deixado no traço

a leveza universal
no menor ser: vivo
na morte se refaz inteiro
resultado dos afazeres

deifica a espécie na repetição
que o parto multiplica

olhar sobreposto ao cínico
destruir da rota de passagem

leve murmúrio das palavras
necessárias no revoltar ares
do que fica na imagem

a inconsequência perdura
na integridade do desalento

(Pedro Du Bois, inédito)

VER

Por Pedro Du Bois | 9/05/2015 08:26:00 PM em | comentários (0)

mar de águas claras
azuis               verdes
           esmeraldas
           areias finas
marcas de pisadas
passos
  rastros arrastados

luz em sombras indevassáveis
nas lentes transeuntes
chapéus em mulheres
                      misteriosas

além fumaça
ambulantes embarcações
retiram sinais
com que mares
                    e areias
desconcertam passados

azuis e verdes
         aventureiros espíritos
         chapéus e escuras lentes
         passos indecifráveis
                    de horas mortas

(Pedro Du Bois, inédito)


Projeto Passo Fundo

Por Pedro Du Bois | 8/30/2015 03:53:00 PM em | comentários (0)

CARTAS

Por Pedro Du Bois | 8/28/2015 09:18:00 AM em | comentários (0)


A maciez das cartas dispostas
na aposta é aridez do tempo
determinado para a escolha

ficar fugir
refugar apostar
multiplicar

instante em que forte
recupera a incerteza

cartas se desfazem
em jogos simultâneos
de remetente e destinatário
encontrados: a rapidez do esforço
desfoca a realidade inebriante
de se saberem
          intérpretes e coadjuvantes.

(Pedro Du Bois, inédito)

ÚLTIMA

Por Pedro Du Bois | 8/22/2015 01:00:00 PM em | comentários (0)

Em último desejo
contempla o rosto
de quem se despede:

              adeuses derivam
              cumprimentos
              no que nos diferenciamos
                                 
              a floresta encobre o corpo
              despido de significância
              e o acoberta destino
              de recobrada esperança

o rosto volta
a face ao outono
despedido em invernos
de reflexos deferidos
ao futuro inócuo.

(Pedro Du Bois, inédito)

DETALHES

Por Pedro Du Bois | 8/16/2015 12:21:00 AM em | comentários (0)

retiro a chave

        da fechadura
                 
         fechada
         trancada
     
apago a luz do quarto
escurecido
         opaco
             enegrecido

fecho os olhos
              cegos
               blindados

repouso sobre a cama
  deitado
  deixado

refaço o trajeto
           saudoso
             amortecido

(Pedro Du Bois, inédito)

convite especial

Por JURANDIR JURA | 8/12/2015 05:43:00 PM em | comentários (0)


DISTRIBUIÇÃO

Por Pedro Du Bois | 8/10/2015 11:29:00 AM em | comentários (0)

a morte em etapas
cobre o rosto
no disfarce da farsa
com que se desmonta
em defesa

apressa o fato
refeito no torvelinho
da água no corpo
inerte de saudade

morte satisfeita na solidão
absorta dos tremores: no ar
o perfume da tormenta

na etapa comparada
aos lamentos da morte
em indissolúvel laço

(Pedro Du Bois, inédito)

OFÍCIO

Por Pedro Du Bois | 8/02/2015 10:54:00 AM em | comentários (0)

Ofício: escrevo a prosa
poética a desnudar sentimentos
embrulhar sentimentos
escolher entre temas
a verdade
o sonho
a nuvem

do ofício trago o dia
e a noite escancarados
de recursos e rasuras

(a folha escrita é cicatriz
 do erro apagado e a erosão
 da verdade em áspera palavra)

reflito vidas em retinas
e no aéreo espaço conheço
a força com que o ofício
recolhe a cantiga: antes da palavra
trago o olhar curioso da transformação.

(Pedro Du Bois, inédito)

SINA

Por Pedro Du Bois | 7/25/2015 03:41:00 PM em | comentários (0)

Recriações piratas do espírito
em matas impenetráveis
de rios na clarificação
de habitantes indecisos
em desfixações terrenas

estações comandam
trajetos sem promessas

recebo o dom e meu condão
imagético percorre o caminho
até a mina na exaustão da febre

orações invocam deuses
desaconselhados em naturezas
mudas ante o progresso

recoloco em marcha animais
carregados do que não preciso
e não permito a liberdade da terra

lavrada em cáusticas colheitas.

(Pedro Du Bois, inédito)

DESTINO

Por Pedro Du Bois | 7/19/2015 10:53:00 AM em | comentários (0)

Acredito no destino
medido no retrocesso
em que a mente sente
findar a imagem
até a luz remanescente
ser o branco do horizonte

receber em recado a flor
entre folhas do livro
entreaberto na página
descolorida da verdade

desatino presente no pacto
em que me mantenho vivo
e o rosto expressa a saudade
antes o corte ceda ao corpo

horas separam a representação
das concordâncias no destino restante.

(Pedro Du Bois, inédito)

ANTECIPAÇÃO

Por Pedro Du Bois | 7/11/2015 10:42:00 AM em | comentários (0)

A morte antecipada
traz a dor da descoberta

a faz próxima
e inexata ao entender
não serem necessárias
razões para a contenda

tristes na antecipação
da orfandade do amor

seja nossa permanência o escopo
de estarmos aqui: vivas figurações
opostas no universo dimensionado
como o todo no lado conhecido
da racionalidade (e estigma)

privações incomodam lembranças
e nossos lamentos ecoam gritos
lancinantes de desconhecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

QUIETUDE

Por Pedro Du Bois | 7/05/2015 03:21:00 PM em | comentários (0)

Melhor ficar quieto

(cantarolar canções
  sobre conquistas amorosas)

nenhum som na permissão da noite
desencadeada ao todo

(tosco som das guitarras
  em dueto de vozes)

a quietude beatifica a hora
destinada ao retorno: ciência
do padrão obscurecido
na cena milagrosa

(milagre no ouvir as canções)

na escuridão a voz
se faz sussurros: o medo
em ocupações temerárias.

(Pedro Du Bois, inédito)


ESTRATÉGIA TÁTICAS E ATAQUES

Por Pedro Du Bois | 6/29/2015 12:00:00 PM em | comentários (0)

Qual o rei que ao avançar
suas tropas
não sente tropeçar
em erros
no sentido esforço
com que seus soldados
              (apreensivos)
esperam a ordem contrária:

parar e retornar
e voltar a ter a vida
insípida dos afazeres?

Reis não se enquadram
entre quem busca
palavras de consolo
                   (e fraqueza).

No tempo em que reis eram suas estratégias
táticas e ataques na frente das tropas.

(Pedro Du Bois, inédito)


PASSOS

Por Pedro Du Bois | 6/21/2015 06:05:00 PM em | comentários (0)

primeiro transbordamos
a água
em segundo salgamos
a terra
na sequência proibimos
o voo
seguimos no esquecimento
da festa
emendamos o renascimento
na morte
conseguimos proibir
a palavra
encerramos o horizonte
visível
cercamos as cores
vivas
terminamos atrás
da porta

(Pedro Du Bois, inédito)

ENCERRAMENTO

Por Pedro Du Bois | 6/13/2015 08:43:00 PM em | comentários (0)

no encerramento

não se lamente
em lágrimas

do sim
em som aumentado
retire o atravessar
esvaziado das comparações

o encerramento traduz
reinícios e possibilidades

começos são reflexos
irrefreáveis das perdas

(Pedro Du Bois, inédito)


MAR AZUL ▲ SILVA // "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo"

Por JURANDIR JURA | 6/09/2015 07:52:00 PM em | comentários (0)

RESSURGIR

Por Pedro Du Bois | 6/05/2015 02:54:00 PM em | comentários (0)

Pela passagem inócua
           no caminho a percorrer

(bicho) inferior ao intelecto em curvas
             e meandros: encruzilhada
                                 em braçadas de conquistas

ao desconhecido entrega a vida inglória
e se dedica a desconstruir certos e errados

(o bicho) merece o oportuno emaranhado
florestal no ressurgirem corpos
                                   e almas adulterados

saber entre o aprendizado e a vida: razões
de contenda em trechos de novas batalhas

reencontro no espanto com a imagem
onde se deposita (o bicho) feito homem na perdição
                                                               do tempo.

(Pedro Du Bois, inédito)

PRISÕES

Por Pedro Du Bois | 5/28/2015 06:11:00 PM em | comentários (0)

não canto aos pássaros
a imitação malévola da igualdade
pseuda em reconhecimento e demora

reflito o canto através da janela
e está preso o pássaro à gaiola

prende a liberdade na condição
histórica da hipocrisia

refaço o trajeto em silêncio e o pássaro se cala
ao ouvir meus passos pesarosos na impotência
de abrir a porta metalizada em trancas e tramelas

repito a maneira desonrosa da batalha
escondido em trincheiras indecorosas

(Pedro Du Bois, inédito)

RECEIO

Por Pedro Du Bois | 5/19/2015 08:49:00 AM em | comentários (0)

avanço
   encontro a porta
    retorno na incerteza
                vívida do recomeço

caminho ambicioso da infância
sufocada no choro adulto da esperança
             - aval atravessado na garganta

o outro lado é a diferença entre palavras
(ditas e simuladas) em esforços menores
de decorados textos inoportunos (verdades)

recuo
  desencontro no porto
  a longínqua fumaça
            - o futuro queima
       em móveis caldeiras

em descaminho refaço a ventura
entregue ao desespero do retorno

(Pedro Du Bois, inédito)


MORRER

Por Pedro Du Bois | 5/11/2015 01:55:00 PM em | comentários (0)

A morte é esquecimento
relembrado em efemérides
                                 
sucessão de erros
em incômodos discursos
de aproveitamento

o corpo em ossos e cabelos
sob a terra: o enterro é espetáculo
resguardado na imaginação
de patéticas cenas

prantos guardam o espírito
renunciado ao corpo: amigos
desabrigados da companhia: transeuntes
                           cansados das notícias

o despropósito amainado em promessas
descumpridas em vida.

(Pedro Du Bois, inédito)

DIAS

Por Pedro Du Bois | 5/05/2015 11:21:00 AM em | comentários (0)

dia

outro dia
dia após dia
dias

diariamente em razões
para o recomeço
de dias recorrentes

após o dia
outro dia
além dos dias

os dias aprofundam
vidas aparentes
recomeçadas em luzes
e tormentas

(Pedro Du Bois, inédito)

PODERES

Por Pedro Du Bois | 5/01/2015 03:20:00 PM em | comentários (0)

Posso poupar                            o esforço
          e ficar                               estanque
          junto ao passeio

              posso romper o silêncio
                  em desforço            e rasgar
                  papéis ilusoriamente escritos

posso ser o primeiro corpo
          despojado             em espírito

                  posso avançar o corpo
                  sobre a cerca e derrubar
                  o fruto da árvore cativada

posso amaldiçoar o instante
          da partida          e reconhecer na vida
                                    a derrota.

(Pedro Du Bois, inédito)

VÉUS

Por Pedro Du Bois | 4/23/2015 11:16:00 PM em | comentários (0)


Sob o véu a irrealidade
transforma o fato em não acontecido
ato diluído em águas turvas: a cultura
se esvai em pálidos gritos
de inconsciência: o final se aproxima
ao derrubar o último obstáculo: 

    vencedor ignoto dos turbilhões
    arrefecidos em desditas horas
    das entregas do que resta

o restante se abriga em desvãos
e comanda suaves murmúrios
de inverdades em novos véus
esvoaçantes de tempos reais
na finalização de duradouros
corpos em portas e marquises
onde há menos que o interesse
na ignorante providência
aprendida no escoar de vidas

entre privilégios duradouros.

(Pedro Du Bois, inédito)


REJEIÇÃO

Por Pedro Du Bois | 4/17/2015 11:08:00 AM em | comentários (0)

Rejeito o conselho
             (agasalho)
             e na ilusão da água empoçada
             piso na recuperação atônita da verdade

minha veracidade recebe o conselho
e o acoberta em novidades
de palavras ásperas
na voz baixa da dúvida

beijos traduzem circunstâncias
atormentadas em inflexões
do momento sem salvaguardas

rejeito o aconselhamento: movo
perigos deslocados ao vento
dos sentidos: recobro verdades
em ações e gestos agradecidos

verdades repousam incólumes
sob colunas gregas destroçadas.

(Pedro Du Bois, inédito)

MÚSCULOS

Por Pedro Du Bois | 4/11/2015 04:43:00 PM em | comentários (0)

Esqueço o corpo enrijecido das disputas
e me apresento flácido em inerte idade
ultrapassada em tempos metafóricos
na musculatura das verdades
ao dizer do sacrifício pela força bruta
da coragem no refinamento esquecido
nas refregas pelo esvoaçar na paz perpétua
dos socorros não havidos dos descalabros
afugentados na hora verdadeira inteira
e interna fora o espírito do acaso

saliência áspera das pedras deslocadas
pelo corpo terno das promessas descabidas
em amores apáticos de derrotas derradeiras
onde o corpo sofre a passagem da flacidez
déspota dos reencontros tardios
do ciúme borbulhante das águas tépidas
no queimar invisível dos carrosséis infantis.

(Pedro Du Bois, inédito)

SAUDADE

Por Pedro Du Bois | 4/01/2015 06:31:00 PM em | comentários (0)


 Armadilhas armadas
em lugares singelos de contatos
irremediavelmente atraídos pelas luzes
irrisórias dos estados noturnos da saudade
arremetidos ao âmago sacrificado
dos estertores onde dores suplantam
prazeres irresolúveis dos estares
e nos prendem no inexorável túnel
onde labirintos iniciam tramas
tenebrosamente iluminadas dos caminhos
repetidos em curvas e retas desaparecidas
na passagem do corpo encarcerado no todo
com que nos apegamos à vida mesquinha
das tarefas diariamente insignificantes
de sobrevivências e silêncios conduzidos
ao fundo do poço profundo da vilania

sobreposta no gesto de saudade.

(Pedro Du Bois, inédito)

ESTRELA

Por Pedro Du Bois | 3/26/2015 11:34:00 AM em | comentários (0)

última e duradoura estrela imaginada
em telescópios sobre montanhas
secas de paisagens inimagináveis
             
traz a luz distante
                      fria
                  cortante

instala a graça de se fazer última
no refletir sua luz irritante ao nos avivar
na discussão estéril da origem e do trajeto
da beleza pelo éter: eternizado espaço
anterior ao antes e depois de quando

organismo queimando suas entranhas
expele seu corpo em gases iluminados
de milênios sobre o vazio

a imaginação capta a estrela vaga
em nosso mundo e faz do sonho
o trajeto desacompanhado
na última luz.

(Pedro Du Bois, inédito)

HORA

Por Pedro Du Bois | 3/18/2015 10:31:00 AM em | comentários (0)

quando o sentir
sensibiliza
o olho
cristalizado
da serpente

hora do bote
na presa
subjugada

instante
em que a dor
penitencia
o corpo

(Pedro Du Bois, inédito)

INFIEL

Por Pedro Du Bois | 3/10/2015 10:22:00 AM em | comentários (0)

Infiel a lança
atravessada na estopa
que guarda a imagem
desbotada de quem acredita

crédito concedido à desconfiança
na voz do cantor de amenidades

a lança na mão do infiel
guarda a distância: se distancia
em circunstâncias esvaziadas
                           de alegrias

concede ao infiel a lança
do espírito aguardado
na mentalização do corpo
enxugado de veleidades
                 e críticas.

(Pedro Du Bois, inédito)


OBSTRUIR

Por Pedro Du Bois | 3/02/2015 10:52:00 AM em | comentários (0)

A insensibilidade com que seus olhos
                                                olham
a frieza do toque que nos retoques
                                           da obra
                                                obram
a distância maior das consequências
                                            anteriores
em antigos modos de dizer que agora
                                                antes
                                              depois
a sensação perdida se avoluma
destruindo a estrada ultrapassada
                                    cansada
                               cansativa
na maneira primeira e única
                       da via obstruída.

(Pedro Du Bois, inédito)

QUEDA

Por Pedro Du Bois | 2/22/2015 03:12:00 PM em | comentários (0)

                 para onde
            pende
       o corpo
  na queda

      abaixo dizem
           ao alto acenam
     no planeta solto
                       disposto
           no vazio

  o corpo segue o impulso
que o puxa
    ao centro
         concêntrico
         das esperas

(Pedro Du Bois, inédito)


MINUDÊNCIAS

Por Pedro Du Bois | 2/20/2015 04:17:00 PM em | comentários (0)

nas coisas miúdas
amiúda o destino
da próxima viagem

não completa a jornada

na insistência em que o dever
se coloca amiudado

repele o senso comum
e se fantasia em passados

nas caixas vazias guarda a tormenta
sobre a terra
          aterra seus pecados
          em horas atravessadas

ventos refazem caminhos
escondidos em passagens.

(Pedro Du Bois, inédito)

ENTENDER

Por Pedro Du Bois | 2/12/2015 12:17:00 PM em | comentários (0)

Do entendimento
guarda a dor

com que sofria
o certo antevisto
no passar das horas
inconclusas dos ensinamentos

você e seu tempo
perdido em estudos
inúteis aos descobrimentos

a esterilidade da matéria
decorada em cálculos
de línguas balbuciadas

enquanto
entendimentos livres
aguardavam o recreio.

(Pedro Du Bois, inédito)


DAS PRISÕES

Por Pedro Du Bois | 2/04/2015 03:00:00 PM em | comentários (0)

escolhe o trajeto
das prisões
condenadas
ao esquecimento

não
diz sua mãe
no começo
não
diz seu pai
no intervalo

refaz o trajeto
fossem prisões abertas
aos pássaros
e aos mágicos

prisões mitificam laços
apertados nos mesmos pescoços.

(Pedro Du Bois, inédito)

PARÁBOLA

Por Pedro Du Bois | 1/26/2015 11:26:00 AM em | comentários (0)

No desvio
         concentra
  a palavra

diz o que diz
de forma
          primitiva
                             
não se acostuma ao trajeto
metódico dos seguimentos
               não se oculta ao raio
               iluminado na conquista

nas curvas desvia o corpo
no abstrato dos sentidos

no arrependimento traz certezas
do que é dito na ultimação da pergunta.

(Pedro Du Bois, inédito)

ESSAS COISAS

Por Pedro Du Bois | 1/14/2015 11:57:00 AM em | comentários (0)

essas coisas menores
redigidas em páginas
amareladas de comerciais
estanques de empresas falidas

no catálogo encontro encenações
        na figuração do todo

nas coisas menores perduro
animações e respeito pelo espaço
vago para nascimentos e ações

na contrariedade da resposta
deixo recados de desencontros.

(Pedro Du Bois, inédito)

FINAL

Por Pedro Du Bois | 1/06/2015 03:31:00 PM em | comentários (0)

no final sabemos
que o fim prenuncia
a nova sequência

menor
pior
inacessível
por enquanto

o corpo é o pouco
adquirido
e a morte
se sente
ligeiramente
estável

o desconhecimento abarca a obra
necessária na hora desejada.

(Pedro Du Bois, inédito)


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