PAUSA

Por JURA | 12/24/2010 08:20:00 PM em | comentários (1)

uma tristeza, uma quietude
um ensimesmamento
sem efeito
pausa
sem causa.

FÉRIAS

Por JURA | 12/24/2010 07:48:00 PM em | comentários (1)

agora terei tempo de me esconder e chorar sozinho no meu canto
terei tempo de ouvir aqueles pássaros, saborear aquela letra
cochilarei enquanto sentir cheiro de café
terei tempo de reclamar do tempo.







http://www.leguarulhos.com.br/

A RECRIAÇÃO DA MÁGICA

Por Pedro Du Bois | 12/16/2010 02:43:00 PM em | comentários (0)

Quando olha o espaço
sabe da vertigem
nas músicas
em tom menor

dança sobre o nada
e a orquestra em cordas
o sustenta

a maciez da voz
o embala no gravador

o espaço permanece
na ocupação do corpo
ao término da música

o silêncio parte o vazio
onde se cala o corpo
sustenido.

(Pedro Du Bois, A RECRIAÇÃO DA MÁGICA, III, Edição do Autor)

INFINITAS

Por Pedro Du Bois | 12/14/2010 01:57:00 PM em | comentários (2)

Confuso espírito
atropeladas ideias
sensação de perda
infinita

configuro o espírito
idealizo ideias: sensação
de infinita perda

extremada mãe
insubstituível pai: infinita
perda insensata.

(Pedro Du Bois, LIVRO DO NADA, Edição do Autor)

subjetivo

Por valéria tarelho | 12/12/2010 10:12:00 AM em , , | comentários (2)

vale vasto
vago vácuo
onde verso
viro vivo

são josé
dos campos
que versejo
- invisível -

invisto
invento
invalido
o prefixo
:
visto
vento

vale [nave]
me leva
que eu voo


valéria tarelho

A LUZ DESPOSSUÍDA

Por Pedro Du Bois | 12/10/2010 04:22:00 PM em | comentários (0)

Geração de luzes apagadas
escuros palcos periféricos

som
movimento
corpos

esperados gestos inacabados

não há amor entretanto
acredita no começo

e nas luzes enquanto acesas.

(Pedro Du Bois, A LUZ DESPOSSUÍDA, Ed. do Autor)

Magnetismo

Por Eryck Magalhães | 12/03/2010 04:34:00 PM em | comentários (0)

Paixão é quando os corações são imãs um do outro.

ADORMECIDO

Por W.G. | 12/02/2010 10:52:00 AM em , , | comentários (0)

Com o beijo dos olhos,
o poema despertou.
Declamei-o.
Seus versos espreguiçaram.
No último bocejo,
a poesia voou.

APRENDENDO A VOLTAR

Por Pedro Du Bois | 12/01/2010 02:08:00 PM em | comentários (0)

trago inoculada a peçonha
oposta forma de desprezo
fechando auroras em vésperas
inodoras dos corpos
exangues
opostos ao desejo
inventado em infâncias
de brincadeiras: sustos
tombos
irresponsabilidade

(muitos caminhos se fecham às costas
dos que voltam).

(Pedro Du Bois, APRENDENDO A VOLTAR, VI, Ed. do Autor)

Tautologia

Por Eryck Magalhães | 12/01/2010 12:49:00 PM em | comentários (0)

Inesperadamente, não se sabe de onde, surgiu um homem com uma borracha até certo ponto comum, e apagou todas as palavras do mundo. Insatisfeito, entrou nas mentes de toda a gente e de lá arrancou todas as palavras. Finalmente partiu para não se sabe onde, levando-as consigo.
Com muito custo, algum tempo depois, algumas pessoas começaram a se lembrar de alguns vocábulos. Porém, por mais que se esforçassem, não conseguiam se lembrar de seus significados. Logo, o que era até então conhecido como árvore passou a ser chamado de terra, a terra agora era rio, o rio, nuvem. Talvez o mais inusitado tenha acontecido com o amor que virou ódio. Não era raro ouvir dos casais apaixonados a insólita declaração “eu te odeio”, dita com extrema delicadeza e sinceridade que fazia apetecer qualquer coração.
No mais, tudo ficou como era antes, mesmo não sendo.

QUESTÕES TELÚRICAS

Por JURA | 12/01/2010 10:22:00 AM em | comentários (1)

Já foste hoje ao seu quintal?

Já viste os pássaros que encantam suas árvores

E se nutrem dos pequenos insetos

Que se abastecem do que é chão e alto?

Já deixaste entrar aquela réstia que vem dele

E aquela brisa com cheiro de verde?

Já pisaste na terra e sentiste os pés se acomodando

em  suas origens?

Versos sobre a obra CAMINHOS de ROBERTO MENDES

Por JURA | 11/27/2010 02:00:00 PM em | comentários (1)

o chão, terra, folhas e asas vermelhas
o todo verde
caminho do aconchego
caminho quente do aconchego

BENTOS

Por Pedro Du Bois | 11/23/2010 10:02:00 AM em | comentários (1)

Modestos bentosgonçalves
de lutas imodestas
fugas e avanços
serviços curtos
do passado o sonho
imortalizado no nome
da estátua
da rua
da avenida
da cidade
do município

barata forma de irrecusável
lembrança e dívidas impagáveis
de anos passados
ao mesmo tempo
do acordo
em que bentosgonçalves
lembram a epopéia
as mortes
o dia amanhecido
no frio rio
a separar
os lados

lado a lado
ao lado
do lado
pelo flanco
descuidada história
esfria o nome
e marca horas
paradas.

(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, Vol. V)

domingo

Por JURA | 11/21/2010 11:37:00 AM em | comentários (1)

Domingo pra ouvir o ventinho fino que entra pela janela,

Ouvir os Bem-te-vis que cantam com a euforia do acasalamento,

Domingo pra ficar quietinho ouvindo o tempo passar

Ouvindo o ventinho fino que entra pela janela.

Por JURA | 11/18/2010 05:49:00 PM em | comentários (3)

Preciso entender muita acontecência.  Meus lapsos, a natureza das coisas, o que lhe é intrínseco, o que tá por fora. Os fatos, fados e a lua que nasce antes de sua necessidade.

O DIA (A)FINAL

Por Pedro Du Bois | 11/17/2010 12:43:00 PM em | comentários (0)

Sobre as árvores o vento
sofre o suficiente
diz o pássaro.

Submerso peixe afirma ao vento
nada ter com isso.

Para envolver ares em ventos:
subjugar as terras e os animais
ao solo, diz o bicho estático
até que o vento o leve
pelos ares em águas submersas.

(Pedro Du Bois, O DIA (A)FINAL, 1, Edição do Autor)

Por Cláudio Costa | 11/15/2010 11:00:00 PM em | comentários (1)

TRUE LOVE
Dia desses pintei uma mentira e a pendurei no meu quarto.
Os anos passaram, mas ela não envelheceu.

Exposição "Nova Configuração"

Por Nestor Lampros | 11/15/2010 07:58:00 PM em | comentários (2)

A parede e suas vozes presas

Por Tonho França | 11/10/2010 06:22:00 PM em | comentários (2)

A parede e suas vozes presas



Meus olhos em musgos e saudade

A pele em poros de luz e som

E essa mão antiga e fatigada

É herança de minha alma

Moldada em um barro antigo

Viscoso, poroso, aromatizado

Com a brisa do sopro de vida



Houve um tempo que os barros moldavam as almas

As casas, as tabernas, os pássaros, os céus, além dos céus



Houve um tempo, que a vida era gerada pela própria vida

No âmago do barro



E todo o mais, deriva-se daí

o oceano e os frutos, os anjos,as constelações

os deuses, as flores, o amor, as conchas, as sereias

as fadas e a lendas, as dores, a saudade

o amor e as distâncias

a musica e o vento

as palavras e os versos



algumas noites, pouso meus ouvidos na taipa

E poeta secular que sou, ouço a respiração do barro

As vozes das paredes vivas

E todas as histórias cavalgam em imagens

-The wall and its closed voices-


eu ouço, eu posso ouvir


Tonho França

O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS

Por Pedro Du Bois | 11/10/2010 09:42:00 AM em | comentários (0)

...
a barganha abrange o sofrimento
e a oração despenca vozes cabisbaixas
de medos e certezas, âmago afogado
de carícias indóceis em mãos úmidas
no sofrimento ultimado das canções

pede ao outro que o represente ao dia
desmerecido dos aplausos e traz nele
o outro e os outros acompanhados
na mesma solidão em que se esconde
e se altera em essência: seus demônios
resplandecem auras e não é mais
você quem está em frente à porta
na saída incômoda com que se sabe
derrotado e inútil naquela hora.

(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS, 3, fragmento, Vol. I, Ed. do Autor)

BENTO AMOR

Por W.G. | 11/04/2010 11:25:00 PM em , , | comentários (2)


o homem

Por Eryck Magalhães | 11/02/2010 09:56:00 PM em | comentários (2)


cadáver de si mesmo
na lasca de unha
                               cor|
                                     tada

no fio de cabelo
                          c
                          a
                           í
                           d
                           o

na célula
                    des   pren   di  da

vestígios de corpo
sem despedida

PASSAGEM

Por Pedro Du Bois | 11/02/2010 01:22:00 PM em | comentários (2)

Avanço
entro
encaro a face
que me olha

olhos piscam
na demora
do reconhecimento

avanço
passo
encaro
o desconhecido
que não olha

triste
maneira de não ser visto

avanço
sobre o tempo e as horas
perdidas desde sempre.

(Pedro Du Bois, PASSAGEM PLURAL, Edição do Autor)

desgoverno

Por valéria tarelho | 11/02/2010 10:31:00 AM em , , | comentários (1)




sem planos
nem planaltos

sim ?oes!a

fêmea
- eleita -
que dita
meu poema

                [sem pt
                 nem vír
                 gula]



valéria tarelho

*cartoon de doug savage

"Poesia é voar fora da asa" MANOEL DE BARROS

Por JURA | 10/31/2010 06:26:00 PM em | comentários (0)

nuvens pesadas deixam
minhas asas cansadas
assim poesia mal passa
do céu de casa.

"Imortais do Twitter"

Por Eryck Magalhães | 10/29/2010 08:02:00 PM em | comentários (2)


Matéria publicada pela revista Língua Portuguesa, edição deste mês de outubro, por conta do concurso realizado via twitter pela ABLetras, o twitter da Academia Brasileira de Letras. Além de publicar os três textos vencedores do concurso, a matéria também ressalta a importância da ABL  estimular a produção literária na "tuitosfera". 

das iminências

Por valéria tarelho | 10/29/2010 12:33:00 PM em , , | comentários (2)

clique na imagem para ampliá-la

Há liberdade da imprensa?

Por Fabiano Fernandes Garcez | 10/29/2010 11:11:00 AM em , | comentários (2)

por Fabiano Fernandes Garcez

Você conhece aquela anedota do rapaz que passeava próximo ao estádio do Morumbi e viu que um Pit Bull iria atacar uma criança, então um homem aparece e mata o animal, salvando a garotinha. O rapaz, comovido com a cena, se identifica como jornalista e diz que colocaria a seguinte manchete em seu jornal: São paulino salva garota indefesa de animal feroz! O homem agradece, porém diz que não é são paulino e sim corintiano, no dia seguinte a manchete é: Corintiano assassina animal de estimação!

O interessante da piada, além da brincadeira com o clichê futebolístico e preconceituoso, é a reflexão que podemos tirar das manchetes, afinal, nenhuma delas é mentira. O Pit Bull é feroz e também é um animal de estimação, porém ao escolher determinadas palavras o autor do texto acaba por revelar um determinado juízo de valor, ou seja, o fato não foi fabricado, como acontece com muitos fatos no campo do jornalismo esportivo, no entanto a forma de transmissão desse fato foi manipulada. Nenhuma escolha semântica passa incólume, cada palavra que usamos a escolhemos para servir às nossas convicções, ideais, ideologias e, principalmente, interesses.

Nestes últimos dias, período de eleição, podemos notar que as grandes instituições jornalísticas —rádios, TVs, sites e jornais—, estão preocupadíssimas em eleger seus candidatos preferidos, —é necessário dizer que a maioria prefere o mesmo candidato? Jornalistas, articulistas, colunistas, cronistas publicam em seus espaços tentativas de justificar suas escolhas eleitoreiras ou seria a tentativa de induzir o leitor? É como escolher um dos termos animal feroz ou de estimação e depois apresentar justificativas para isso.

Alguns argumentos utilizados por esses jornalistas é o fim da liberdade de imprensa, porém muitos se esquecem que o fim da liberdade de imprensa começa dentro da própria imprensa, vide o caso, mais recente, da colunista Maria Rita Kell que foi demitida por defender o Bolsa Família em sua coluna no Estado de São Paulo, outro foi a saída do jornalista Heródoto Barbeiro do comando do programa Roda Viva, da TV Cultura, por fazer uma pergunta ao candidato José Serra sobre os caríssimos pedágios das estradas paulistas, ainda na TV Cultura existe outro caso, mais antigo, a jornalista Salete Lemos foi demitida por justa causa do jornal noturno da emissora por criticar as tarifas ilícitas cobradas pelos maiores Bancos brasileiros. Há alguns meses conversando com um jovem jornalista, jovem no sentido estrito da palavra, sem a atribuição de um valor negativo como: imaturo ou inseguro, me confidenciou que duas de suas matérias foram recusadas por seu editor, uma delas, sobre problemas de uma escola estadual, porém ele conseguiria atribuir o problema, não me lembro qual era, a União, a outra não poderia ser publicada por falar mal de “nosso patrão”, o governo do Estado de São Paulo.

No dia 27/10/2010, vi a capa do jornal O Estado de São Paulo e não havia nenhuma manchete sobre o escândalo da vez: A paralisação das obras do metrô de São Paulo por denúncias de fraude na licitação da linha Lilás. O que isso prova? Que a imprensa vive sobre a ditadura ideológica de cada jornal ou emissora ou até mesmo da instituição patrocinadora desses veículos, só um exemplo o contrato do Governo de São Paulo com o Grupo Abril é de R$ 3,7 milhões. Resta saber se que ouvimos, lemos ou vemos são realmente opiniões de seus autores ou é apenas a ordem dos donos dessas instituições, porque sabemos que caso discordem não se manterão no emprego.

O jornalista Heródoto Barbeiro quando entrevistado, disse que a função da imprensa é ser neutra, porque ninguém é imparcial, pois, segundo ele, somos humanos e temos opiniões e convicções. Será que a imprensa de hoje é mesmo neutra ou está mais para cabo eleitoral?

O leitor atento e crítico tem ferramentas para diferenciar cada caso, no entanto de todos os leitores do Brasil, quantos são atentos e críticos?

Infelizmente hoje a grande mídia reflete o bipartidarismo da cena política brasileira. Político com rabo preso é encontrado aos montes, não que isso seja natural, não é, mas menos natural ainda é jornalista com rabo preso. Tenho que fazer justiça aos pequenos diários de bairro e sites independentes onde a neutralidade ainda existe e é perceptível, diante disso surge a questão nas grandes instituições jornalísticas há liberdade de imprensa?

Obs.: Todos os dados mencionados aqui são facilmente encontrados em uma rápida procura em sites busca ou de vídeos, exceto, é claro, o que contei por ter vivido ou ouvido, não mencionei nomes por colocar em risco o emprego de terceiros.

INSTANTES

Por Rhosana Dalle | 10/28/2010 04:20:00 PM em | comentários (1)

2º Lugar VARAL DE POESIAS Maringá - 600 inscritos Brasil e exterior.

INSTANTES Rhosana Dalle

Um toque na corda,
Um som,
Um assopro e apaga a vela,
Uma essência de um perfume,
Um brinde,
Um susto:

Tudo dura um instante...

Um lampejo de memória,
Um relâmpago no horizonte,
Um beijo roubado,
Uma idéia do nada:

Tudo dura um instante...

Um abrir e fechar de olhos,
Uma estrela cadente,
Um puxão na linha que amarrava o dente,
Uma palma de uma salva,
Um tiro de uma rajada:

Tudo dura um instante...

Um estalar de dedos,
Um momento de prazer,
Uma pose de foto,
Um flash,
Um milésimo,
Um centésimo,
Um décimo:

Tudo dura um instante;
E um instante dura nada,
Mas de instantes faz-se tudo...


Pindamonhangaba, Setembro 2010.






As minhas faces

Por Tonho França | 10/27/2010 08:57:00 PM em | comentários (3)

Observo a caixa onde o último charuto descansa

Há uma certa elegância no aroma do Cohiba



Ainda pousa sobre amarelados papéis

a caneta de pena importada

o relógio de bolso em ouro

(ambos herança de meu avô)



já desfiz-me de tudo que era precioso



perdi-me de muitos rostos caros e amigos

e morri um pouco em cada mulher que amei



hoje o tom escuro repousa em quase todas minhas roupas

e meu peito e braços são de cinzas e barro

sou feito de cinzas e barro

e toda essa profusão de sons, cores, pessoas

são estranhas ao meu olhar.



Relembro na pausa de um suspiro (lento)

Toda minha vida

pouca coisa restou de uma época e de mim.



Os últimos poemas ainda insistem na memória

Eles tem a alma, o ritmo e o segredo dos mares



E toda noite, condenam-me veemente

ostentando sobre as ondas, brados revoltos

em espumas claras-intensa-reluzente

A face de todos meus “eus” mortos





Tonho França

DANÇAS

Por Pedro Du Bois | 10/27/2010 12:57:00 PM em | comentários (0)

Avança o corpo
ao encontro

a música dirige os passos
entrelaçadas mãos
sôfregas

o corpo sente o avançar
do corpo

fremem
tremem
se encostam

o sofá recebe a música
onde os corpos
recomeçam.

(Pedro Du Bois, A RECRIAÇÃO DA MÁGICA, Ed. do Autor)

Para viver[:] poesia

Por Diniz.DL | 10/24/2010 03:23:00 PM em , , | comentários (2)

Durante a semana que passou uma pergunta rondou o Grupo VALEFOCO e alguns estudantes e colaboradores do Senac de Guaratinguetá: o que é poesia? Respostas foram sugeridas, caminhos indicados e eu, pessoalmente, permaneço à margem da discussão e continuo sem saber ao certo o que é essa tal poesia.
Rima pobre, rima rica, versos decassílabos, métrica, concretismo, jurandismo... tudo isso me escapa e imagino que não faz parte do saber cotidiano da maioria das pessoas. Professores de literatura e alguns escritores mais afortunados podem muito bem entender de tudo isso, mas não o resto de nós, mortais de fora das academias.
Mas (e este é um "mas" muito importante), não é bem assim que a banda toca. Aliás, o tocar da banda pode ser poesia, ao que tudo indica. Poesia é, antes de qualquer outra coisa, abrir o espírito ao mundo que nos cerca e deixar que ele nos encante, nos revolte, nos emudeça, nos faça gritar a plenos pulmões. Cada pequeno evento que testemunhamos é imenso de poesia: a infinitude do universo contida no som de uma gota de chuva atingindo a janela de vidro entreaberta numa tarde de domingo na pausa entre uma frase e outra numa conversa de amigos - aí há poesia!
A poesia, me parece, está na capacidade do ser humano em se deixar emocionar. E se a emoção puder ser vertida em palavras, se essas palavras puderem se tornar versos, se esses versos tornarem-se poemas e se esse poema tocar a alma do poeta e do seu leitor, aí sim encontraremos poesia.
Poesia não é academia, não tem regras, não tem lei: ela tem ritmo, tem equilíbrio e tem sentimento - coisas que falam ao espírito das pessoas, não necessariamente à razão. Traz consigo imagens belas, grotescas, sublimes, chocantes e cotidianas, mas sempre com um "não-sei-bem-o-quê" que nos toca. E, como afirmou o amigo Jurandir Rodrigues, ela comunica algo de universal sobre o cerne do que é ser humano.
Em contrapartida, o ser humano, isso a que se pode chamar de condição de nossa existência, é extremamente dependente da poesia: por meio dela suportamos as dores de um amor terminado, gritamos contra as injustiças do mundo e, quando a inteligência e a criatividade permitem, protestamos contra os desmandos de nossos irmãos sem que eles percebam.
Há algo de simbiótico entre a poesia e a humanidade e esta não existiria sem aquela. Se no fim da semana que passou apenas uma pessoa tiver chegado a uma percepção semelhante, fico convicto de que o trabalho dos poetas caminha na direção certa: uma alma salva vale por um milhão.

nestor_desenhos.avi

Por Nestor Lampros | 10/22/2010 07:28:00 PM em | comentários (1)

MINHAS LÁGRIMAS

Por JURA | 10/22/2010 10:48:00 AM em | comentários (3)

minha lágrima é mais norte que sul
mais noite que girassol da cor de seu cabelo.
mais norte que sul mais Minas que mar
mais serra, mais Bocaina que retidão.

minha lágrima é mais forte que nua
mais açoite e mais torta que zelo
mais morte que tudo, lapídar
mais espera, mais faina que mansidão.

Feira itinerante de troca de livros no Senac de Guaratinguetá

Por Eryck Magalhães | 10/21/2010 01:41:00 PM em | comentários (0)



FESTIVAL DO LIVRO
Semana de incentivo à leitura

| FEIRA ITINERANTE DE TROCA DE LIVROS |

Outubro de 2010

Realização:
SENAC e Grupo VALEFOCO

Apoio Cultural:
Jornal O Lince, C.S.A Sítio do Juca, Sila Produções, Dep. de Cultura de Guaratinguetá


DIA 18/10 – segunda-feira:
– 19h30 - Abertura com apresentação do “Sarau Cênico” realizado pelo Grupo Dell’arte Companhia Teatral, sob direção de Souza Heiras.  
– 20h30 – Literatura na tela – Machado de Assis  Uns Braços
– 21h30 – Sorteio de livros dos selos Vale em poesia e Três por quatro, editora Multifoco.

Dia 19 – terça:
– 19h – Sessão de autógrafos de autores de Cachoeira Paulista. LivrosAcontecência, do poeta Jurandir Rodrigues, e O Expectador da Vida, do artista e escritor Jurandir Fábio Monteiro, cujas obras (quadros e esculturas) estarão em exposição durante o evento.
– 20h30 – Palestra com Prof. Jurandir Rodrigues: Literatura X Tecnologia.

Dia 20
 – quarta: – 19h – Sessão de autógrafos com a autora mirim : Sofia Helena Barbosa Lourenço (Palavra de criança – Aparecida, SP)
– 20h  – Sessão de autógrafos dos poetas guaratinguetaenses Tonho França, livro O bebedor de Auroras  Dora Vilela, Bordados do Avesso.
– 20h50 – Palestra com o professor e poeta Adams Alpes – Revisão:linhas e caminhos

Dia 21 – quinta:
– 19h – Tributo a José Afonso de Freitas, poeta de Aparecida, autor do livroAquém do Lago Azul.
– 20h30 – Sessão de autógrafos dos livros Ecos e outros versos, Eryck Magalhães (Guaratinguetá), e Prometo ser breve, do contista Wilson Gorj (Aparecida).

Dia 22 – sexta-feira:
– 19h – Prof. Clebber Bianchi ministra  Oficina: Poesia não!
– 20h15 – Sessão de autógrafos com os poetas Clebber Bianchi, autor deÀ medida dos Tempos (Taubaté), e Fabiano Fernandes Garcez, Diálogos que ainda restam (Guarulhos, SP).
– 21h – Ciranda de poesia com os poetas da editora Multifoco.
– 22h – Encerramento com novo sorteio de livros.

A semana toda acontecerá a Feira Itinerante de Troca de Livros.

CIVILIZAÇÃO

Por Pedro Du Bois | 10/21/2010 01:24:00 PM em | comentários (0)

...
palavras depositadas onde a vista alcança
a vergonha recolhida em cálices quebrados
de tintos vinhos indignados das ultrapassagens
dos cortes
das elipses
das metáforas
diariamente esquecidas em cofres lacrados
abafados
retirados
acontecidos
em choros contritos onde a miséria reacende
o mistério em que não reaproveitamos
o caminho: a violência se apresenta
e se diz dona dos espaços em branco
vagos nas desinformações constantes.

(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, Vol. I, Edição do Autor, fragmento)

ACONTECÊNCIA

Por Poeta Clebber Bianchi | 10/18/2010 09:04:00 PM em | comentários (1)

ACONTECÊNCIA


A mulher que chora,

em meio aos galhos retorcidos e secos
que invadem enxeridos a janela
de um quarto triste e de meia cor
meio verde bolor meio marrom poeira
fortemente desprotegido pela porta,
simples, de bambus unidos a barro à força das mãos
e desenfeitado por um retrato sem sorriso
de cores desbotadas de uma mãe-filha e de um filho-pai
que apontam no peito seus corações de desenho pressupondo fé,
fé que não se tem no telhado a aguardar a próxima chuva
que molhará o lençol remendado pelo tempo,

ajoelhada ao pé manco da cama velha
sem saber o que esperar do amanhã
a mulher se recorda que esqueceu de sonhar ontem

A deixei ali
chorando

eterna acontecência.

A LUA EM FORMA E CONTEÚDO

Por Poeta Clebber Bianchi | 10/18/2010 09:01:00 PM em | comentários (0)

A LUA EM FORMA E CONTEÚDO

Lua
Luada
Enluarada
Linda Lua
Enluarada Lua
Enluarada lua
Linda Lua
Enluarada
Luada
Lua

Às minguas das noites
um pio de coruja solitária
na torre da velha igreja barroca

Cheia, somente a cama,
de espaços preenchidos
com tecidos de Angola

Agora, vejo crescente
horas rápidas que, como legendas,
traduzem nosso tempo

Nova é a solitária poesia noturna
sem lirismo contido
mas à companhia da lua

HOMEM TORTO

Por Poeta Clebber Bianchi | 10/18/2010 09:00:00 PM em | comentários (0)

HOMEM TORTO

Alguns livros sobre a cama
Algumas lembranças na memória
Algumas palavras soltas no vento...
outras na cor do tempo

A solidão acompanha
o homem torto caído na cama
e a genética africana
assola seus sonhos

Fora do quarto,
a sociedade inflama
suas emoções

_ A culpa é dela!

HOMEM RELÓGIO

Por Poeta Clebber Bianchi | 10/18/2010 08:57:00 PM em | comentários (0)

HOMEM-RELÓGIO

Há mãos que tremem diante do já
Um já tão completo de agora
que transforma o daqui a pouco
em reflexo do que já foi
Esta é a escassez do homem
aquele cuja face conta histórias
de sonhos que não viveu.

As histórias são fatos, lembranças ou imaginações
que o tempo se encarregou de
fazer escorregarem entre os dedos
restando somente reflexos
Somos todos
um imenso emaranhado de ponteiros
em relógios que não sabem a hora de parar

Tudo em volta é um grande daqui a pouco jaz.

interlúdio

Por valéria tarelho | 10/18/2010 09:01:00 AM em , , | comentários (3)

Madrugada Interdita I

há uma
loba lua
de língua lábil
a lamber
libido-lembranças
no lóbulo
do olvido

há uma
felina dúvida
que arranha
uma ursa sina
que abocanha
uma víbora sanha
assaz
tirana

duvido do bis
do vis-à-vis
da lábia vez
(au
daz)
que ainda uiva
idas luas
insinua
íntimas unhas
crava nu[n]cas
inocula
sua peçonha

façanhas
de um céu insone
sobre insignes
arranha-cios


valéria tarelho

* imagem: Madrugada Interdita , de Carlos Botelho

Em nosso tempo...

Por Diniz.DL | 10/15/2010 09:23:00 AM em , , | comentários (0)

Eu não rezo. Costumo conversar muito comigo mesmo, com as plantas e com os animais (inclusive os humanos), mas não sou panteísta - penso eu. Muito me interessa conhecer as crenças das pessoas e aprender um pouco mais sobre as várias denominações religiosas que existem. Mas não me interessa tanto saber se fulana ou sicrano comungaram na missa de domingo antes de continuar a campanha "em favor da vida, da família e da liberdade".
O discurso dos candidatos assumiu um tom absurdamente reacionário, em diversas ocasiões, e as lideranças religiosas buscam compromissos de candidatos na manutenção daquilo que eles acreditam ser o correto - a tal "Verdade" (letra maiúscula e embasado nalgum livro sagrado sem revisão editorial há quase dois mil anos).
Temas como união de pessoas do mesmo sexo, legalização de drogas, liberdade de expressão e religiosa e o aborto são de grande relevância no âmbito religioso e as opiniões das pessoas que representam a parcela temente a algum deus podem e devem ser manifestas e levadas em consideração. O que não se pode admitir é a hipocrisia de se buscar uma aproximação com ditas facções religiosas (a nomenclatura diz somente com as cisões dentro das crenças, não fazendo alusão a movimentos terroristas ou criminosos), ainda mais quando se percebe nisso um interesse eleitoreiro.
Programas de partido e de governo foram reescritos, discursos no horário eleitoral quase ganham tom de pregação e são enaltecidos valores que até pouco tempo não teriam tanta relevância.
A discussão daqueles temas listados acima não é monopólio da fé e o Estado não pode assimilar tal perspectiva. Há que se possibilitar a abertura do debate e considerar o que toda a população anseia. No caso que considero menos polêmico, a união civil de pessoas do mesmo sexo, não vislumbro qualquer impecilho à inovação legal. A lei brasileira pode normatizar tal união, especialmente a fim de resguardar os direitos dos conviventes e, talvez, até mesmo possibilitar a adoção e regulamentar a guarda da criança, sem que seja afetado o Direito Canônico - a lei brasileira não poderá, assim, forçar a Igreja a casar pessoas do mesmo sexo... e fica cada um na sua.
Poderia ainda ser o caso de ouvir o que a população tem a dizer, convocando referendos ou plebiscitos e determinando, de forma patente, o que demanda a maioria da população em temas mais polêmicos como a legalização de drogas ou o aborto.
No fim das contas, cabe ao eleitor depositar sua fé nalgum dos candidatos e esperar que eles sejam caridosos o bastante com o povo brasileiro e realizem um governo verdadeiramente bom. Graças a Deus.

EXÍLIO

Por Pedro Du Bois | 10/12/2010 10:58:00 AM em | comentários (0)

No exílio em mim mesmo

passeio tranquilas saudades

em parques verdejantes. Viajo florestas

e mares. Estou na solidão da espera:

avisto navios ao longe.

Não tenho curiosidade em aportar

ao marujo e pedir noticias.

Não é minha hora de chegada.

Retorno na calmaria: ondas

maravilham a terra escorraçada,

meu corpo ilhado em pedras.



Chegar é mistério atravessado ao fio

do desencontro.

(Pedro Du Bois, inédito)

NÚMEROS RECONTADOS

Por Pedro Du Bois | 10/12/2010 10:52:00 AM em | comentários (0)

Vinte e um anos
turbulência e insegurança:
anseia que repitam
de forma doce
o amor e o ardor
que como fogo
o consome

sonhos eróticos de pernas
e peitos em segredos
e intimidades

participa: olha
e espia

sonha realidades
em saudades e lembranças

(in)compreendido amor.

(Pedro Du Bois, NÚMEROS RECONTADOS)

Os perderes

Por JURA | 10/11/2010 11:38:00 AM em | comentários (0)

Prazeres menores
Fúteis fazeres
Dizeres noutrora
Sérios saberes.

A Flecha Lançada

Por Vitor Berigo | 10/09/2010 12:06:00 AM em | comentários (0)

Minhas pálpebras lentamente caem...
Estou sob o efeito lunar.
Doçura... Isto mesmo!
Farelos doces caem da lua.
Estou recoberto da docilidade dos sonhos encantados.

(Assim são as poesias que os anjos entregavam).

Nua chuva

Por Duda Araújo | 10/04/2010 01:09:00 PM em , , , , | comentários (0)

A noite, de madrugada
Na rua, na calçada
Na rede, no embalo
Vem menina
Na chuva
Se molhar

O seu olhar
Sereno
A me olhar...

Todos os beijos
Comemorar

Te conhecer
e te deixar na chuva
é te ter
Eu sou a gota
nos seus lábios
me precipito
pra chegar
e te ver


Hoje é o dia
Deixe-se tocar
mesmo de longe
pra nos alegrar
viajar num segundo
esquecer do mundo
e voar


Duda Araújo

O NOME PROVISÓRIO - 2

Por Pedro Du Bois | 10/04/2010 11:59:00 AM em | comentários (0)

A pilhéria após o almoço
.....................lento engano: o lustre
...............................desligado
...............................na luz do dia.

...............................Durante o jantar a pilhéria
...............................renovada em pratos
..................................................revela inverdades.

.....................Não me interesso pelos nomes
.....................arremessados ao fundo da sala.

...............................A noite recolhe as luzes
...............................e o lustre permanece
...................................................intocado.

(Pedro Du Bois, A PALAVRA DO NOME)

Dorme donzela

Por Duda Araújo | 10/02/2010 09:13:00 PM em , , , , | comentários (1)

Dorme donzela
Que a sua janela
Não há de abrir

Dorme donzela
Que lá na capela
Teu sono ainda vela
Um anjo a sorrir

Sem cair no abandono
Sem deixar de existir
Toda a luz dos teus sonhos
Na esperança há de vir

Dorme que a sorte
Há de sorrir-te com jeito
Há de trazer-te um dia
O teu amor perfeito

E o brilho dos teus olhos
Recuperando a plenitude
Há de refletir
A tua eterna juventude


Duda Araújo

Eleitor negro

Por Eryck Magalhães | 10/01/2010 11:02:00 PM em | comentários (1)

Só sabia de uma coisa, seu voto não seria em branco.

Cafezin

Por Duda Araújo | 10/01/2010 10:36:00 PM em | comentários (1)

Ninguém acredita
Que eu tome café sem açúcar
Uns dizem argh, outros urgh
Me dão adoçantes
e olhares estranhos
Se é normal
Se é expresso
As vezes se espantam
Quando peço
E ainda me estranham
Acham graça, duvidoso
Que meu café sem açúcar
Continue gostoso
Pois a vida pra mim já é doce
e mesmo se não fosse
Meu café continuaria
Em casa ou
Na padaria
Com o gosto verdadeiro
Sem tirar nem por
Pois eu curto o sabor
do meu café brasileiro


Duda Araújo

Ponto e LInha

Por Duda Araújo | 9/30/2010 12:49:00 AM em , | comentários (1)

A linha caminha
O ponto é ponto
No encontro, três pontos
São reticentes
Mas em fila indiana os pontos
bem juntos são uma linha
até onde ela se alinha
curva ou reta
com ou sem meta
cria forma
e o ponto informa
que é o fim.
ou não
aí é outro ponto
de interrogação

Duda Araújo

ALGUMAS PALAVRAS

Por Pedro Du Bois | 9/28/2010 01:14:00 PM em | comentários (1)

Palavra:
mentira
exposta

fratura temporal
quebrada ao silêncio
em que o mundo
exposto
mostra o mal

bem dito
bendito trecho
intercalado no discurso
antecedente ao clímax

orgasmo posto
chama: palavra
queimada ao equilíbrio.

(Pedro Du Bois, ALGUMAS PALAVRAS)

OUTRO POETA

Por JURA | 9/25/2010 01:26:00 PM em | comentários (1)

Um poeta quando encontra outro poeta, fica estupefato, estranha demais: “Nossa, outro lunático, outro que fala sozinho, que levanta no meio da noite pra anotar um verso para a noite de sono não apagar.”


Um poeta quando encontra outro poeta, fica estupefato, estranha demais, mas fica feliz, e troca versos e ideias e convida o outro poeta para um café ou um vinho.

Insônia...

Por Tonho França | 9/24/2010 10:06:00 PM em | comentários (3)

Havia alguns meninos na praça, cinco ou seis no máximo, o mais velho devia ter entre dez e onze anos, não mais que isso. Estavam sujos, afoitos, dividiam entre sí pedras acessas e sacos de cola. À luz do dia, as pessoas passavam a uma distância segura – talvez o termo correto a usar seja a distância da indiferença. Logo, estavam mais agitados, e um deles, pegou umas bolas coloridas e começou a jogá-las, a principio ria, e ria, era um malabarismo perfeito, delicado... cronologicamente perfeito, um segundo, um deslize e tudo poderia ruir... (com a vida deles é exatamente assim). Seguiu-se o barulho, a alucinação. Anoitece, no escuro, as pedras acessas iluminavam os olhos das pequenas faces. Madrugada, vários tiros, os gritos, tiros - toda matança é rápida e sombria.

Na manhã seguinte, seis sacos pretos cobertos na praça, seis sacos pretos cobertos na praça, as bolas coloridas de malabarismo descansavam num canteiro. Seis sacos pretos cobertos na praça, seis sacos pretos cobertos na praça e ninguém reclamava pelos meninos da cola, do crak, dos malabares, eram apenas seis sacos pretos cobertos na praça. Retirados, rapidamente, homens lavavam, esfregavam, e a praça limpa  devolvida ao povo.

Quem puder dormir, que durma.

Bom sono.



Tonho França.

JARDIM E LUA

Por Tonho França | 9/23/2010 11:32:00 PM em | comentários (2)

Mágico aroma dança no ar.

As damas-da-noite se abrem...



Tonho França

DOS AMORES

Por Pedro Du Bois | 9/22/2010 03:39:00 PM em | comentários (3)

Teu amor
traduzido
em estrelas

teu amor
emaranhadas ondas
do meu mundo

teu amor
infinito
sobre o restante

meu destinado
vulto contra o vidro:
recôndito ser.

(Pedro Du Bois, DOS AMORES, 6)

Vem..

Por Tonho França | 9/21/2010 11:43:00 PM em | comentários (1)

Podemos ser tão velozes

como os cavalos em galopes

têmpora de temporais

com almas de vendavais

temporada de flores e florais...



chama de fogo na partitura

risos de menino na noite escura

do nunca mais

do nunca mais

ainda nos pintamos

com água viva, a própria vida

e assim

como se fossemos

ser como se fossemos

se não fossemos mais

ainda tão iguais



podemos ser para sempre

já que o sempre

já não é mais

já não é mais

presente

e o futuro que sorri aí ao lado

já é passado

já será passado



Só não acorde

Só não acorde

Vem

Ainda nos vemos tão jovens

Quanto a menina de jardineira

A vida inteira

A vida inteira

Os sonhos nascem nas íris matinais

Não espere mais

Só não espere mais

Temos todas as canções da vida

E eternos, como só os sonhos são

Só os sonhos são



podemos ser para sempre

já que o sempre

já não é mais

já não é mais

presente

e o futuro que sorri aí ao lado

já é passado...



Tonho França

Fim de tarde

Por Tonho França | 9/21/2010 08:26:00 PM em | comentários (1)

O toque púrpura suave do fim de tarde

Colhe o cântico das nuvens.

Nos quintais, as jabuticabeiras

Reluzem um aroma mais adocicado

(talvez típico dos meses de agosto)



Na partitura que rege o universo

Faz-se uma pausa quase que celeste...



Meu olhar, antigo e cansado

Pousa na simplicidade de uma flor amarela

Em um canteiro qualquer.



O momento faz-se eterno

Ainda assim, não me rendo às orações.

Em um silêncio íntimo

Sorvo de um chá de limão e canela

E brindo à vida

Que tudo é

Na pequena flor amarela.





Tonho França.

Carregando o Judas, a molecada para diante da "biqueira".
Gritam:
- Queremos pe-dra! Queremos pe-dra!
E o traficante manda bala.

Cena para um haicai

Por W.G. | 9/19/2010 09:54:00 AM em , , | comentários (2)

sopra o outono
a folha cai ou não cai?
solta-se. com o vento se vai

A Salada

Por Diniz.DL | 9/18/2010 07:05:00 AM em , , | comentários (1)

Tenho uma vontade absurda de escrever e debater sobre um determinado tema, mas, por uma questão institucional, eu não posso. Resolvo então falar sobre minhas preferências gastronômicas e as de alguns amigos.
Algumas classes de alimentos são mais interessantes que as outras, como as frutas - que eu considero de importância federal - e por isso me dedicarei a elas por hora. Muitos hoje em dia parecem preferir o morango: vermelho, pequeno e um pouco azedinho, promete um contínuo banquete de delícias a todos, com uma presença bem difusa de seus benefícios. Existem aqueles que, contudo, preferem laranjas (dentre as quais faz um sucesso danado a laranja-serra-d'água), que tentam resgatar uma tradição já anterior do nosso país e seus defensores apontam para um estado melhor de coisas quando as frutas desse tipo eram as preferidas.
Mas pouca gente fala do kiwi, uma fruta mais exótica, de aparência meio frágil e completamente verde, evocando uma consciência ambiental e sustentável - diria eu mesmo. Muitos de meus amigos preferem o kiwi, mas ao que tudo indica o kiwi não teria chance nem pra presidente do Brasil. Ainda assim, gosto do kiwi. Mas respeito e até mesmo concordo com quem gosta do morango vermelinho e da laranja-serra-d'água, pois, em última análise, devemos escolher a fruta que nos parece melhor - vivemos, afinal, em uma democracia.
Existem ainda muitas outras opções de frutas, cada uma mais singular que a outra, e muitas pessoas gostariam de prová-las e poderiam até mesmo preferí-las a quaisquer outras, mas temem escolher uma fruta sem maior expressão e que não chegaria com sucesso à salada da sobremesa.
As pessoas se esquecem de que a escolha individual é justamente assim, solitária. Como tal, deve ter em consideração somente aquilo em que acredita a pessoa, aquilo que ela preza e respeita, não a vontade de outras pessoas, mesmo que sejam uma maioria esmagadora.
Nossa salada de frutas não precisa ser limitada ao morango ou à laranja e nem mesmo ao kiwi. É preciso trazer novas variedades, novas espécies e enriquecer cada vez mais a sobremesa do brasileiro que, depois da festa, quer mais é poder relaxar com a consciência de que escolheu a fruta que é nelhor para ele.

SINAL FECHADO

Por Tonho França | 9/16/2010 08:16:00 PM em | comentários (4)

Os motores cochilam cavalos invisíveis

Haikai do outono

Por mural do ajosan | 9/14/2010 08:30:00 PM em , , , | comentários (2)

folhas do outono
varridas pelo vento

- chegando inverno –

PRIMEIRO DIA

Por Pedro Du Bois | 9/14/2010 12:22:00 PM em | comentários (0)

Mantém a postura, o rei está vendo; eleito
teria a mesma pose, é do engodo a autoridade
como o todo completado; sua voz grita sobre
verdades e cobra o sentido do caminho, a terra
urbanizada; o vizinho, a mulher da vida, a criança
depositada ante a porta ainda fechada.

(Pedro Du Bois, A DIFERENÇA ENTRE OS DIAS, 4)

Nanoconto de Sexta-feira

Por W.G. | 9/11/2010 04:50:00 AM em , , | comentários (2)

Na ilha deserta, Robson recluso é.

Tonho Zen

Por W.G. | 9/11/2010 04:46:00 AM em , , | comentários (1)

Poeta que me edita.

Não deve haver honraria maior que o convite de um poeta para participar de um seleto grupo de escritores, não só lendo ou ouvindo, mas também compartilhando as parcas linhas que se possam produzir. Gosto de pensar que, no meu caso, o mérito todo reside nalguma percepção única de algum potencial oculto que o convidado pode possuir, mas que somente é plenamente acessível aos sentidos do poeta.
Essa percepção é o traço que distingue o poeta de qualquer outro escritor. Narrar fatos, mesmo os fictícios, é tarefa simples se comparada àquela de sentir o que existem além do que os sentidos podem captar. E poesia é justamente isso: a descrição impossível de uma realidade inacessível; a exposição em versos de algo do mundo que não pode ser explanado de forma acadêmica, científica ou narrativa.
Todos discursamos ou escrevemos em algum momento sobre os sentimentos, mas só o poeta é capaz de captar e verter em versos a essência do sentimento em si mesmo, como experiência ao mesmo tempo subjetiva e universal.
A poesia é coerente em suas contradições, como já ouvi algum amigo afirmar, o que faz do poeta uma espécie única de ser humano: identificando os temas universais, nos lança sobre suas percepções pessoais destes temas e nos faz considerar nossas próprias ideias - o resultado é o reconhecimento do "eu" no "outro": o poeta é o instigador definitivo de uma fraternidade sentimental.
Eu não sou poeta. Minha visão do mundo já oscilou entre o romântico e o cético e a manifestação literária é mais digna de registros científicos e não das antologias poéticas. No que diz respeito à capacidade de ver além das aparências e penetrar no invisível presente no visível, minhas habilidades são equiparáveis a de qualquer outro ser humano médio.
E o que pode um ser humano médio contribuir no debate dos poetas? Isso não cabe ao mediano decidir, mas sim ao artista com a pena em punho, que é capaz de enxergar nas mais simples manifestações naturais e humanas a música que faz o mundo girar... E mesmo no mediano o poeta encontra a alheia e a sua própria poesia.

Bala

Por mural do ajosan | 9/10/2010 04:27:00 PM em , | comentários (3)

Ele foi encontrado, caído, com uma bala no peito. Minutos antes roubara uma doceria

COMO AMANHEÇO

Por JURA | 9/09/2010 07:58:00 PM em | comentários (1)

não faço versos como amanhece
o amanhecer é límpido, nu
os versos que amanheço
são baços e turvos
nada acesos.

HAICAI DE PRIMAVERA

Por JURA | 9/09/2010 11:39:00 AM em | comentários (1)

Nuvens cinzentas
Ipê amarelo
dores magentas.

7 de setembro

Por Eryck Magalhães | 9/07/2010 11:53:00 AM em | comentários (0)

Por mais que tentasse, o preto não conseguia dar sentido ao grito do Ipiranga.

RESPOSTA

Por Pedro Du Bois | 9/06/2010 02:20:00 PM em | comentários (1)

Não há resposta:

dúvidas permanentes cobrem o espaço

vazio de lamentações e gritos:

de nenhuma razão falamos aos filhos;

as lutas inglórias do passado

são meras referências do que não fizemos.


Estar aqui pode ser a resposta,

fosse outra hora e fôssemos seres

de igual ressonância e magnetismo.


Não mentirosos obscuros

e irreais mascates das estrada.


...


(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, Vol. X, fragmento)

SACRIFÍCIO

Por Tonho França | 9/06/2010 12:28:00 AM em | comentários (3)

tocar a palavra

sentir a palavra

beber a palavra


sacro oficio


oferecer-se a palavra

ser a palavra

viva


prazer

pra ser

poesia


alimento vivo de todo dia



Tonho França

sob controle

Por JURA | 9/02/2010 09:26:00 PM em | comentários (3)

bom estar em casa
mesa posta
livros na cabeceira.

Poema

Por mural do ajosan | 9/01/2010 06:17:00 PM em , , | comentários (0)

Poema


Pó de poesias
irrigadas
pelo vento

Mar palavras
naufragando
por ondas

de um mar sem fim

Vindo de encontro
a mim


Assim como a onda
que bate nas pedras...

Incertas!!

Palavras de amor

jogadas ao vento

Momentos!!

AFASTAR

Por Pedro Du Bois | 8/31/2010 10:13:00 AM em | comentários (0)

Recolhido em águas
protejo o corpo: seca
dedicação aos afazeres
diários: da natureza
me afasto em ciclos
e levo o ramo
colhido
enquanto criança.

.........................Liame
.........................entre estradas
.........................não percorridas.

(Pedro Du Bois, Casa das Rosas, QUINTA POÉTICA, 26.11.2009)

À la Drummond

Por W.G. | 8/30/2010 10:12:00 AM em , , | comentários (0)

E agora?

A poesia morreu,
o sonho acabou.

Quer ir para Pasárgada?
Pasárgada não há mais.

Manuel,
e agora?

COTIDIANOS

Por Pedro Du Bois | 8/25/2010 01:57:00 PM em | comentários (2)

Pó da terra
vida

limpo a casa
todos os dias

bato os tapetes
na entrada

o pó não se acumula
nem resguarda
minha memória

desencavada longe
desenterrada em sítios
profundos.

(Pedro Du Bois, COTIDIANOS)

poetas e poemas

Por Tonho França | 8/24/2010 08:19:00 PM em | comentários (0)

                                              Leitura de poemas na Casa das Rosas


Jurandir, Fabiano, Tonho e Eryck no estande da Editora Multifoco

                                                         Debate poético durante a Bienal

Por JURA | 8/20/2010 01:15:00 PM em | comentários (1)

Reportagem sobre os poetas e contistas do Vale do Paraíba, que expuseram e autografaram seus livros na Bienal pela Editora Multifoco, publicada no Jornal o Lince, no link abaixo








http://www.jornalolince.com.br/2010/ago/pages/grafias-autoresvale.php

OUTONO

Por JURA | 8/17/2010 04:57:00 PM em | comentários (1)

Quero viver no outono

Com suas folhas

Caindo e caídas.



Quero viver no outono

Com luas e noites

Luzindo e infindas.



Quero viver no outono

Com ventos que varrem e açoitam

Infringindo o clima.



Quero viver no outono

Com suas folhas

Caindo carpidas.

ESPAÇOS

Por Pedro Du Bois | 8/17/2010 01:58:00 PM em | comentários (0)

no final do corredor
espaços vazios
outras portas

insinuo a mão
encontrando a forma
inexata da entrada

ouço a voz que me chama
ao final do mistério

o rosto impassível
impossibilita o retorno

outra porta é aberta.

(Pedro Du Bois, A CASA DAS GAIOLAS, II)

Without a doubt

Por Eryck Magalhães | 8/16/2010 10:00:00 PM em | comentários (2)

one must be
undoubtedly
a doubter

Por Tonho França | 8/12/2010 09:22:00 PM em | comentários (1)

A caixa de Música

Por Tonho França | 8/12/2010 09:19:00 PM em | comentários (1)

Tempo Moderno

Por Tonho França | 8/12/2010 09:17:00 PM em | comentários (1)

Grávida

Por Tonho França | 8/12/2010 09:06:00 PM em | comentários (2)

A ONDA LEVOU

Por W.G. | 8/11/2010 09:47:00 PM em , , | comentários (0)

clique p/ ampliar

AMOR À MODA ANTIGA

Por W.G. | 8/11/2010 09:45:00 PM em , , | comentários (0)


clique p/ ampliar

MEU AMIGO OMAR

Por W.G. | 8/11/2010 09:44:00 PM em , , | comentários (0)


O LIXO REVOLVIDO

Por Pedro Du Bois | 8/11/2010 06:06:00 PM em | comentários (0)

Alguma coisa
de valor
será encontrada
no lixo

algo que possa ser transformado
consumido
transacionado

ou jogado fora.

(Pedro Du Bois, O LIXO REVOLVIDO)

Limpezas

Por Nestor Lampros | 8/09/2010 05:26:00 PM em | comentários (1)

poema
sinto a falena
como sujas calçadas
um jorro de água
e a poesia
limpa
sujeiras
cadeiras
palavras

ARTÍFICE

Por JURA | 8/04/2010 10:32:00 AM em | comentários (2)

Fazer das palavras cores

De suas matizes flores

Em sua lavra dores.

ASSIDUIDADE

Por Pedro Du Bois | 8/03/2010 12:53:00 PM em | comentários (1)

Como cães de outrora
procuro postes na beira das calçadas
para me apoiar e urinar

como corujas piando no escuro
desapareço nas sombras da cidade
com medo de ser policiado

como vendilhões que assaltam
na cobrança de taxas de proteção
pego o que posso com pressa e denodo
dos otários atravessados na minha frente

como meus pais pródigos em conselhos
todas as manhãs me olho no espelho
faço caretas e estudo poses

fortificado e satisfeito saio
e busco no trabalho - de óculos e relógio -
a simplicidade da sobrevivência.

(Pedro Du Bois, OS CÃES QUE LATEM)

CHORO POSSÍVEL

Por JURA | 7/29/2010 08:55:00 PM em | comentários (0)

Jantar preparado com amor mais fogo possível

Amigos, música...

Amor, ouvir Clube da esquina

Acordar cedo, mais cedo que possível

O sol de hoje acordou lindo, mais fogo, incrível.

TODA FAMÍLIA

Por JURA | 7/28/2010 12:26:00 PM em | comentários (0)

A farinha pro meu pirão

O pirão pra minha família

Farinha do mesmo saco

De farinha pro meu pirão.

Por Cláudio Costa | 7/28/2010 11:40:00 AM em | comentários (0)

Espinho
Quando olho os meus dedos percebo... o que flui é você

SOBREVIVER

Por Pedro Du Bois | 7/26/2010 08:26:00 PM em | comentários (0)

Grita
esbraveja
na dor a perda
se concretiza

quando acredita
entende não haver retorno

sabe que sua vida avança
perde as cores
somem as lembranças

quando lembra
dói
a dor se repete

grita
esbraveja
exausto
vive.

(Pedro Du Bois, XII Conc. Intern.
de Lit., Livro Idiossincrasias, SP)

Zumbi

Por Eryck Magalhães | 7/24/2010 02:49:00 AM em | comentários (0)

negro que não passou
em branco

Funeral

Por mural do ajosan | 7/20/2010 08:06:00 PM em , | comentários (2)

No meu funeral não me mandem flores. Sou alérgico a elas.

"PRAZO DE VALIDADE"

Por Poeta Clebber Bianchi | 7/20/2010 12:04:00 PM em | comentários (1)




POEMA PARA A SÉRIE "SÔ EMO MEMO" E "ADOLESCENTES DE HOJE"

NEGRO

Por JURA | 7/19/2010 01:59:00 PM em | comentários (0)

Eu sou negro




negro luzidio,



Luzindo de amor



Por Paulo Moura e



Pixinguinha.

CALÇA COLORIDA

Por Poeta Clebber Bianchi | 7/19/2010 12:45:00 PM em | comentários (0)




MAIS UM MINI-CONTO DA SÉRIE: "ADOLESCENTES DE HOJE" E "SÔ EMO MEMO

AMIZADE EMO

Por Poeta Clebber Bianchi | 7/19/2010 12:40:00 PM em | comentários (6)



Não sabia que tipo de textos eram esses dessa nova série para adolescentes, mas cheguei a conclusão de que se tratam de mini-contos. Textos simples, mas bem intencionados.

SÉRIE "ADOLESCENTES DE HOJE" E "SÔ EMO MEMO

Por Poeta Clebber Bianchi | 7/18/2010 01:48:00 PM em | comentários (2)




PRIMEIRO TEXTO DE UMA SÉRIE QUE FARÁ PARTE DE UM POCKET BOOK.
Para todos os jovens adolescentes com suas atuais peculiariedades e principalmente aos que já foram ou são meus alunos

INSÔNIAS

Por W.G. | 7/17/2010 09:29:00 PM em , , | comentários (0)


CONVERSÃO

Por W.G. | 7/17/2010 11:48:00 AM em , , | comentários (0)


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EPIDEMIA

Por W.G. | 7/17/2010 11:47:00 AM em , , | comentários (0)


STRIPTEASE

Por W.G. | 7/16/2010 09:50:00 AM em , , | comentários (3)


____________________________________{gORj}


Por Poeta Clebber Bianchi | 7/15/2010 12:38:00 PM em | comentários (1)

Por Poeta Clebber Bianchi | 7/15/2010 12:32:00 PM em | comentários (1)

Peleja

Por Eryck Magalhães | 7/14/2010 03:07:00 PM em | comentários (1)

No Pelourinho pelava-se a pele.
Negro pelado,
sem cor.

Hoje no Pelourinho
só pelo lourinho.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 15)

Descobrimento

Por Eryck Magalhães | 7/14/2010 03:05:00 PM em | comentários (2)

No meio da mata fechada
a índia nua e virgem...

O português cristão
nunca amou tanto o próximo
como a si mesmo.

(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 36)

Inconsciente negro

Por Eryck Magalhães | 7/14/2010 03:04:00 PM em | comentários (1)

A dor de ser crioulo sarará?


(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 30)

LEMBRAR

Por Pedro Du Bois | 7/13/2010 08:38:00 AM em | comentários (1)

Não há a lembrança
das minhas palavras

dito por não dito

loucura do esquecimento
insignificância.

(Pedro Du Bois, A ILUSÃO DOS FATOS)

TENTAÇÃO

Por Rhosana Dalle | 7/11/2010 12:55:00 PM em , , | comentários (2)



TENTAÇÃO (3º Lugar FESTIPOEMA 2010)

Sou a sua tentação...

Sou quem não lhe segura,
Nem nada lhe assegura...
Sua liberdade pura,
Sua cura!


-Sou a sua ousadia, seu atrevimento...
Não sua agonia e sofrimento!
-Sou o seu descontrole, sua euforia, sua alegria...
Não o seu lamento!
-Sou sua desaforada inconseqüência...
Não sua dor de consciência!
-Sou seu ato impensado, seu impulso...
Não seu ato sensato e seguro!

Sou quem não lhe segura,
Nem nada lhe assegura...
Sua liberdade pura,
Sua cura!


Sou o motivo da sua gula,
Sua ânsia e afã,
Sua falta de pudor,
Eu não sou a sua dor...

Sou o seu passo no escuro,
Seu desperdício de tempo, seu vício...
Sua noite mal dormida,
Seu dia sonolento...
Seu incontrolável afeto, intento...
Seu desespero, seu destempero,
Seu calor do momento.
Seu fomento.

Sua fome, seu tormento...

Sou quem não lhe segura,
Nem nada lhe assegura...
Sua liberdade pura,
Sua cura!

Não fuja, não corra, não suma!
Não se iluda, nem pode!

Sou a sua tentação, e ...

Sem a sua permissão,
Quero meu direito a sua posse,
Na sua inteira impossibilidade
Em dizer-me

Não!

Pindamonhangaba, 09 Setembro 2009.................................... Rhosana Dalle.

TRISTE ACENO

Por W.G. | 7/10/2010 12:06:00 PM em , , | comentários (0)


APATIA EM CACOS

Por W.G. | 7/10/2010 12:03:00 PM em , , | comentários (0)

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AMARES

Por Pedro Du Bois | 7/06/2010 11:19:00 AM em | comentários (0)

Da varanda
diviso o mar
de indivisadas águas
diversificadas em cores
e tonalidades

(passam crianças em escolares
camisetas amareladas)

da varanda
avisto águas em movimentadas
e sucessivas vagas

a praia recebendo
rendadas homenagens

(a criança em amarelada
camiseta não está
mais aqui).

(Pedro Du Bois, AMARES)

VENDAVAL

Por JURA | 7/05/2010 10:30:00 PM em | comentários (0)

tudo que ouço, vislumbro
me retoma e me retira
daqui.
me carrega pra tudo,
tudo que ouço, vislumbro.

um menino, uma mão,
cajado que o guia,
caminho ralo, destino.

tudo que ouço, vislumbro
me retoma e me retira
daqui.

Outono

Por Tonho França | 7/04/2010 10:20:00 PM em | comentários (2)

a saudade amarelada
verte das árvores, nuances de solidão
natural enfeite das tardes - folhas ao chão

Tonho França

Para Piva

Por Fabiano Fernandes Garcez | 7/04/2010 06:02:00 PM em , , , | comentários (1)


Ah! Menino-demônio
Anjo-velhaco
Pegaste o elevador fantástico
para pousar na brilhante neve infernal

Esporra essa metralhadora giratória de impropérios
em minha boca torta
em meu ouvido invisível
em meus orifícios violados
em meus poros pudicos
para que junto de ti e ao sol roxo de vergonha
eu deixe distanciar minha inocência
em mais um tapete voador

Saudade

Por Tonho França | 7/04/2010 04:57:00 PM em | comentários (1)

A saudade vem lá do fundo
Vem calejada, vem dos silêncios.
Dos vãos da escada,
Pelas mãos do vento
nas louças guardadas,
nas preces esquecidas.
Nas chuvas do fim da tarde
Em letras de músicas perdidas
A saudade invade as alcovas,
Dorme no leito vazio,
A saudade é de um cinza frio,
Que a lua ainda que cheia e luzente,
Não espanta, não desmancha,
A saudade aos poucos, bem lentamente,
É dose de ausências, nos leva pra sempre.

Tonho França

ASAS DO DESEJO

Por W.G. | 7/04/2010 12:27:00 PM em , , | comentários (1)


ESCORAS

Por W.G. | 7/04/2010 12:25:00 PM em , , | comentários (0)


AROMA LOCAL

Por W.G. | 7/04/2010 12:22:00 PM em , , | comentários (2)


Dilema da aranha

Por Eryck Magalhães | 7/01/2010 01:27:00 PM em | comentários (1)

Não sabia ao certo onde tecer sua teia.
Escolheu um cantinho de parede da cozinha.
Acertou na mosca.

*Microconto premiado pela ABL
http://www2.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=10369&sid=672

O Ausente Suspiro

Por Vitor Berigo | 6/30/2010 09:41:00 AM em | comentários (0)

O atleta ganha a medalha,
que nenhum poema pôde exprimir
a emoção dilui-se em lágrimas
feita do seu passado, o fim.

...Sua felicidade está numa realidade,
mas a corrida continua contra seu tempo...

Ao correr a vida que transpirou,
que nenhum poema pôde exprimir,
no vácuo da lembrança a medalha ficou.
Um tempo diluído em lágrimas,
como o significado de suas palavras.

Deu a entender o poema:
Suas saudades.

JÚLIA

Por Pedro Du Bois | 6/28/2010 02:30:00 PM em | comentários (0)

O gesto percebido
............... pelo corpo: externo
.....................................e interno
.....................................ser (seres)

................na completeza
............... com que a vida
............... se renova
............... sem dispensar o antigo
............... hospedeiro
............... sem deixar de considerar
............... a novidade: hóspede

o gesto eterniza o instante
em que os dois organismos
.........................se libertam.

(Pedro Du Bois, JÚLIA)

Acho mesmo que a vida é recheada de pequenos atos. A mim, cabe escolher a cobertura. Você deve se perguntar agora o porquê de começar essa crônica falando de comida. Pois é, escrever e viver estão ligados ao preparo de um prato, a uma receita. Escrever e viver são receitas, mas, em alguns momentos, as pessoas esquecem ou não aceitam receitas de terceiros e resolvem improvisar suas próprias receitas, chegando a matar, cair em desespero, chorar por coisas que aparecem mascaradas de coisas ruins e que nos enganam com fisionomias toscas e grandiosas, mas que não passam de pequenas coisas, somente pequenas coisas, transitoriedades. Para piorar, algumas dessas pessoas chegam até a achar que pode ser o fim do mundo, que o túnel da boa esperança está sendo fechado por uma enorme pedra que sufoca tudo, deixando tudo negro, tudo apertado, tudo irrevogável.

Eu resolvo todos os meus pequenos atos com outro pequeno ato, tão simples quanto falar um oi em um dia ensolarado ou dizer bom dia para as pessoas que cruzo no caminho ao trabalho. Resolvo uma pequena coisa como, por exemplo, uma conta bancária no vermelho, tomando uma latinha de cerveja. Noutro dia fui ao supermercado e, ao sair, deixei a pizza cair com o recheio para baixo, sendo sugada pelo chão. Na mesma hora, a minha irmã me disse que os recheios são atraídos para o asfalto, pra o chão, para baixo. Fiquei puto da vida, mas também resolvi o problema de forma simples: tomei outra latinha de cerveja. Não deixei uma simples pizza me levar com ela ao chão, me levar para baixo. Isso também tenta acontecer quando meu time perde, mas lá vou eu até a geladeira, pego uma latinha de cerveja e resolvo tudo com alguns pequenos goles desapressados. Até mesmo uma dor de estômago, que me pegou outro dia, deixo boiando no meio de uma latinha de cerveja. E quando menos percebo, lá estão todos os problemas sendo levados pela água, malta e cevada. É, e neste caso, literalmente levados pela água.

Assim, vou pra cama. Durmo e acordo pronto para mais uma maratona de azar, de pequenas coisas me atormentando no ouvido, querendo me assustar e vestindo uma máscara maior do que podem suportar, mas, por uma fração de segundo, lembro que a vida é recheada de pequenas coisas e que não farei dos minutos de sono uma pequena parcela do meu dia, já que, no final, posso escolher a cobertura.

LUA NO CÉU

Por JURA | 6/26/2010 08:13:00 PM em | comentários (1)


O primeiro homem que viu a lua no céu
O caminho que ela faz lá em cima.
Quem acendeu aquela luz?
Como acatou suas fases?
Suas aparições repentinas?
O primeiro homem que viu a lua no céu.

O SOM DA VIDA

Por W.G. | 6/26/2010 12:14:00 PM em , , | comentários (0)

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Novo cacho

Por W.G. | 6/26/2010 12:12:00 PM em , , | comentários (0)


MARÉ CHEIA

Por Adams Alpes | 6/25/2010 12:50:00 PM em , , | comentários (0)

Cresci pescador, meu pai me ensinou assim, não é profissão. E, enquanto meus amigos ficavam impressionando as menininhas da escola e passavam o dia todo com os olhos grudados na tela do computador, eu navegava para o meio do mar com meu pai, ter contato com os animais, a natureza, e controlar meus medos. Ainda lembro quando contava as marés, contava as ondas e suas ressacas. Eu também contava as marcas na areia, que mudavam diariamente por conta do mar. Quanto dei por mim, estava pescando no meio da imensidão azul, sozinho, com a barba grisalha no rosto que um dia já foi de menino, e a vaga lembrança que levo comigo é a de meu pai me ensinando a fazer o que faço hoje: a pesca.

Nunca fui muito dado aos estudos. Enquanto meus amigos estavam na escola, eu estava no oceano tendo outras lições, aprendendo a língua dos peixes, a linguagem do das ondas. Mesmo assim, pedia para que meu filho fosse um homem diferente de mim, queria ser para ele o que meu pai foi para mim: um herói, por isso o incentivei a frequentar a escola, a estudar e fazer uma faculdade, a falar a língua dos homens, ser alguém na vida, mas sem esquecer de onde veio, de onde é a sua origem: do mar, porque além de ser a minha vida, também foi onde conheci a mãe dele. Nós dois éramos muito jovens, tínhamos apenas 11 anos de idade. Ainda lembro o dia em que a vi pela primeira vez como se tivesse sido ontem. Eu estava chegando à praia com meu pai, quando avistei uma garota correndo solta, de braços abertos, ao lado do irmão e do pai nas areias. Eu vi o seu olhar de lado, e também não tirei os olhos dela. Também vi os cabelos dela se fixando no meu olhar, enquanto navegavam no ar, banhados pela maresia e que, revoltados, não obedeciam aos seus caprichos. Depois desse dia, não a vi mais. Só voltei a reencontrá-la anos depois, quando contava com 19 anos. Achei que não se lembraria de mim, mas lembrou. Conversamos. Nos beijamos e, alguns meses depois, começamos a namorar. Seis anos mais tarde, casamos. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. O pescador e a princesa.


Além da minha esposa, no dia do meu casamento, meu pai foi marcante para mim, assim como foi até o seu último suspiro. Antes de abraçar a morte, chamou-me ao hospital. As lágrimas começaram a correr do meu rosto ao vê-lo na cama, entrevado, com olhos pregados no teto. Aposto que se imaginava no mar. Antes de fechar seus olhos para a eternidade disse que tinha muito orgulho de mim, que era para cuidar bem de minha mãe e de toda a nossa família, e para que eu conversasse todos os dias com o mar, e ainda afirmava: ele está lá, não deixe de falar com ele; agradeça-o sempre, agradeça-o... Não deu tempo de perguntar ele quem, e sai do leito aos prantos. O enterro foi do jeito como meu velho pai queria: ao mar, com as cinzas navegando nas espumas das ondas, sendo oferecidas para os peixes que sustentaram nossa família durante anos e anos.


Uma semana depois, peguei meu barco e o puxei para a beirada da praia. Olhei para o horizonte, respirei fundo, abaixei a cabeça e fugi para o mar. Fiquei o dia inteiro, e nada. Nem um peixinho, nenhum camarão. E assim se repetiram os dias, semanas após semanas. No final do mês, eu estava em alto mar, sendo empurrado pela maré, quando me lembrei de meu pai e de como seria diferente a pescaria se ele ainda estivesse comigo. Lembrei das nossas últimas palavras, que ressoavam em meus ouvidos como uma música de marinheiro. De repente, tive um estalo. Meus olhos pararam no horizonte, mas não estavam ali. Levantei, fechei meus olhos, inclinei a cabeça aos céus, levantei as mãos e comecei a rezar, agradecendo por tudo, mesmo sabendo que fazia semanas que voltava com as mãos vazias. Depois de alguns minutos, não aconteceu nada. Nenhuma imagem, nenhum cheiro, nenhum som. Olhei para todos os lados e não vi nenhum camarão saltando e muito menos algum peixinho rondando meu barquinho. Sentei decepcionado com as minhas orações e do milagre que esperava e que não veio. No final do dia, comecei a puxar as redes e percebi que algo estava diferente. Com muito esforço eu suava enquanto puxava a primeira rede e, com muita dificuldade, consegui enxergar os peixes e camarões que enchiam a minha rede de ponta a ponta. Ao terminar todo o trabalho e separar em baldes os peixes dos camarões, dei partida no motor e, virando o rosto para trás, pude ver a imagem de meu pai. Ele estava lá, olhando para mim, velando-me com um sorriso que demonstrava estar em algum lugar bom. Agradeci, continuei com a minha partida em direção à terra firme e despedi-me com um sorriso e uma aceno tímido.


Não tive dúvidas. Para mim, meu pai era a pessoa de quem ele tanto falou no dia de sua morte e, antes dele, seu pai, e assim por diante, como uma tradição seguida pela família, mas que não contou para não me assustar, por eu ser pequeno na época. Diferente de meu pai, contei a história ao meu filho, que estava distante de mim, mas que depois se aproximou e começou a pescar comigo, levando a pescaria a sério, como se cada vez que embrenhássemos o mar fosse a última. Quando meu filho completou 18 anos, ele embarcou no ônibus para a capital, enquanto eu estava aos prantos, para ingressar na faculdade que tanto procurou durante a adolescência e disse as seguintes palavras: pai, não se preocupe, sempre voltarei para poder pescar com você, porque pescar para mim é uma maneira de reencontrar o vovô, a minha família, você, a minha origem e também de reencontrar a mim mesmo.


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