FRIO

Por Pedro Du Bois | 11/21/2014 05:09:00 PM em | comentários (0)

frio
ambiente hostil
rasgo indelével

    sou restrito em medos
    e sinceros pedidos de desculpas

no gelo em que me cerco
espero o ataque

              escuras formas
              me agridem
              entredentes me socorro
              em gritos e atos de contrição

sou o congelado espírito
enregelado em tosca vitória
pífia de ignorados hinos

deslizo o corpo na direção infinda
onde escondo meus restos ressurgidos

na distância entendo o respeito
de quem me cerca em proteção.

(Pedro Du Bois, inédito)

Cárcere

Por Pedro Du Bois | 11/13/2014 05:13:00 PM em | comentários (0)

O cárcere
recalca velha ideias

rabisca na parede a data
da chegada

o ambiente (hostil) o cerca
em bicho apanhado na maldade

olha para fora
sonha a saída
repetida nas palavras
                 que jurou

             um dia
                   um dia
                         um dia
                         (depois do outro).

(Pedro Du Bois, inédito)

GRANDEZA

Por Pedro Du Bois | 11/06/2014 12:21:00 AM em | comentários (0)

Grandeza decomposta
na miudeza exata
do mínimo rentável
no verme ressurgido
enquanto o corpo
decompõe sua grandeza

o ímpar número exibe
impossibilidades
contidas no átomo
do subproduto recomposto
na inteireza do gesto

mínimo acordado em sobressalto
de amigos cantando sob a janela

enormes as amizades
expostas.

(Pedro Du Bois, inédito)

PAIXÕES

Por Pedro Du Bois | 10/24/2014 08:27:00 AM em | comentários (0)

O frio da noite esconde o calor
dos corpos sobrepostos. Luxúria
nas entregas dos opostos
em esquinas. Na procura reside
o despertar. O frêmito jorra
sangue em dilatadas artérias.
A caverna recebe o líquido
e se expande na aproximação
do que procura. Acondicionado
e protegido retorna e o frio
se apresenta estéril. Horas
trazem a sensação
de outrora.  O calor afaga
o ânimo desconsiderado
em corpos separados
nos quadrantes dispersos.
No frio da noite o exagero.

(Pedro Du Bois, inédito)




HORAS

Por Pedro Du Bois | 10/16/2014 04:06:00 PM em | comentários (0)

Hora tardia das confissões
          no conhecimento dos erros
          arremetidos contra vidas
          diuturnas dos arruaceiros
          feitos estátuas vivas
                     sob o vento
                     em cálidas manhãs
                      de entretenimento e saudades

horas irresolutas de segredos em abertos
coros: a coroa simboliza o mito

                   árbitros determinam encerramentos
                   em campos opostos
                                     na passagem do andor

ardores corroem o corpo em vontades
e excessos purgam imagens

após a hora a história se repete
em trovões tardios os raios apagados
em céus atormentados
                      correntes prendem o espírito
                      em que o sempre serpenteia luzes.

(Pedro Du Bois, inédito)

IRA

Por Pedro Du Bois | 10/08/2014 12:52:00 PM em | comentários (0)

queria o vinho
a vinha
adivinhada
na ira
escondida
em bagos
espremidos

pés
pisoteiam
onde o sumo
aflora


o vinho a vinha
na raiva escondida
em canções ancestrais.

(Pedro Du Bois, inédito)


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