frio
ambiente hostil
rasgo indelével
sou restrito em medos
e sinceros pedidos de desculpas
no gelo em que me cerco
espero o ataque
escuras formas
me agridem
entredentes me socorro
em gritos e atos de contrição
sou o congelado espírito
enregelado em tosca vitória
pífia de ignorados hinos
deslizo o corpo na direção infinda
onde escondo meus restos ressurgidos
na distância entendo o respeito
de quem me cerca em proteção.
(Pedro Du Bois, inédito)
O cárcere
recalca velha ideias
rabisca na parede a data
da chegada
o ambiente (hostil) o cerca
em bicho apanhado na maldade
olha para fora
sonha a saída
repetida nas palavras
que jurou
um dia
um dia
um dia
(depois do outro).
(Pedro Du Bois, inédito)
Grandeza decomposta
na miudeza exata
do mínimo rentável
no verme ressurgido
enquanto o corpo
decompõe sua grandeza
o ímpar número exibe
impossibilidades
contidas no átomo
do subproduto recomposto
na inteireza do gesto
mínimo acordado em sobressalto
de amigos cantando sob a janela
enormes as amizades
expostas.
(Pedro Du Bois, inédito)
O frio da noite esconde o calor
dos corpos sobrepostos. Luxúria
nas entregas dos opostos
em esquinas. Na procura reside
o despertar. O frêmito jorra
sangue em dilatadas artérias.
A caverna recebe o líquido
e se expande na aproximação
do que procura. Acondicionado
e protegido retorna e o frio
se apresenta estéril. Horas
trazem a sensação
de outrora. O calor afaga
o ânimo desconsiderado
em corpos separados
nos quadrantes dispersos.
No frio da noite o exagero.
(Pedro Du Bois, inédito)
Hora tardia das confissões
no conhecimento dos erros
arremetidos contra vidas
diuturnas dos arruaceiros
feitos estátuas vivas
sob o vento
em cálidas manhãs
de entretenimento e saudades
horas irresolutas de segredos em abertos
coros: a coroa simboliza o mito
árbitros determinam encerramentos
em campos opostos
na passagem do andor
ardores corroem o corpo em vontades
e excessos purgam imagens
após a hora a história se repete
em trovões tardios os raios apagados
em céus atormentados
correntes prendem o espírito
em que o sempre serpenteia luzes.
(Pedro Du Bois, inédito)
queria o vinho
a vinha
adivinhada
na ira
escondida
em bagos
espremidos
pés
pisoteiam
onde o sumo
aflora
o vinho a vinha
na raiva escondida
em canções ancestrais.
(Pedro Du Bois, inédito)



