no encerramento
MAR AZUL ▲ SILVA // "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo"
Por Jura | 6/09/2015 07:52:00 PM em | comentários (0)
Pela passagem inócua
no caminho a percorrer
(bicho) inferior ao intelecto em curvas
e meandros: encruzilhada
em braçadas de conquistas
ao desconhecido entrega a vida inglória
e se dedica a desconstruir certos e errados
(o bicho) merece o oportuno emaranhado
florestal no ressurgirem corpos
e almas adulterados
saber entre o aprendizado e a vida: razões
de contenda em trechos de novas batalhas
reencontro no espanto com a imagem
onde se deposita (o bicho) feito homem na perdição
do tempo.
(Pedro Du Bois, inédito)
não canto aos pássaros
a imitação malévola da igualdade
pseuda em reconhecimento e demora
reflito o canto através da janela
e está preso o pássaro à gaiola
prende a liberdade na condição
histórica da hipocrisia
refaço o trajeto em silêncio e o pássaro se cala
ao ouvir meus passos pesarosos na impotência
de abrir a porta metalizada em trancas e tramelas
repito a maneira desonrosa da batalha
escondido em trincheiras indecorosas
(Pedro Du Bois, inédito)
avanço
encontro a porta
retorno na incerteza
vívida do recomeço
caminho ambicioso da infância
sufocada no choro adulto da esperança
- aval atravessado na garganta
o outro lado é a diferença entre palavras
(ditas e simuladas) em esforços menores
de decorados textos inoportunos (verdades)
recuo
desencontro no porto
a longínqua fumaça
- o futuro queima
em móveis caldeiras
em descaminho refaço a ventura
entregue ao desespero do retorno
(Pedro Du Bois, inédito)
A morte é esquecimento
relembrado em efemérides
sucessão de erros
em incômodos discursos
de aproveitamento
o corpo em ossos e cabelos
sob a terra: o enterro é espetáculo
resguardado na imaginação
de patéticas cenas
prantos guardam o espírito
renunciado ao corpo: amigos
desabrigados da companhia: transeuntes
cansados das notícias
o despropósito amainado em promessas
descumpridas em vida.
(Pedro Du Bois, inédito)



