A morte antecipada
traz a dor da descoberta
a faz próxima
e inexata ao entender
não serem necessárias
razões para a contenda
tristes na antecipação
da orfandade do amor
seja nossa permanência o escopo
de estarmos aqui: vivas figurações
opostas no universo dimensionado
como o todo no lado conhecido
da racionalidade (e estigma)
privações incomodam lembranças
e nossos lamentos ecoam gritos
lancinantes de desconhecimento.
(Pedro Du Bois, inédito)
Melhor ficar quieto
(cantarolar canções
sobre conquistas amorosas)
nenhum som na permissão da noite
desencadeada ao todo
(tosco som das guitarras
em dueto de vozes)
a quietude beatifica a hora
destinada ao retorno: ciência
do padrão obscurecido
na cena milagrosa
(milagre no ouvir as canções)
na escuridão a voz
se faz sussurros: o medo
em ocupações temerárias.
(Pedro Du Bois, inédito)
Qual o rei que ao avançar
suas tropas
não sente tropeçar
em erros
no sentido esforço
com que seus soldados
(apreensivos)
esperam a ordem contrária:
parar e retornar
e voltar a ter a vida
insípida dos afazeres?
Reis não se enquadram
entre quem busca
palavras de consolo
(e fraqueza).
No tempo em que reis eram suas estratégias
táticas e ataques na frente das tropas.
(Pedro Du Bois, inédito)
primeiro transbordamos
a água
em segundo salgamos
a terra
na sequência proibimos
o voo
seguimos no esquecimento
da festa
emendamos o renascimento
na morte
conseguimos proibir
a palavra
encerramos o horizonte
visível
cercamos as cores
vivas
terminamos atrás
da porta
(Pedro Du Bois, inédito)



