QUALQUER COISA DE EGOÍSMO

Por Poeta Clebber Bianchi | 7/31/2009 05:12:00 PM em | comentários (0)

Meu egoísmo tomou-me logo pela manhã
Escovei meus dentes
Tomei meu banho
Olhei-me no espelho
Arrumei meu cabelo
Fiz minha barba
Engraxei meus sapatos
Passei minha camisa de seda
Tomei meu café
Li meu jornal

Antes de ir para o meu trabalho
Olhei da minha sacada e
avistei:

Nos degraus da igreja matriz
o homem contava algumas poucas moedas
A prole, em volta, esperava qualquer coisa de alimento

Havia qualquer coisa de tristeza em seu sorriso
Havia qualquer coisa de esperança em seus olhos
Havia qualquer coisa de egoísmo no meu dia

só me regue

Por valéria tarelho | 7/29/2009 12:04:00 PM em , , | comentários (0)

eu não te peço muita coisa, honey
apenas um par de
polaroides de viagem
e um help que traduza minha
semi-virgem vertigem
na ponta de outra
[tonta] língua

para que eu capte
no zoom [in]
o oculto sob o azul
da superfície

para que eu intercepte
[e soletre à tez da letra]
a palavra-chave, meu bem
que num passe de
real insensatez

te abre


valéria tarelho
(ao som de Zelia Duncan - nos lençóis desse reggae)

*aproveito para convidá-los ao lançamento de meu livro "Sol a Cio", no próximo dia 29 de agosto, na Casa das Rosas-SP.
detalhes sobre o livro e lançamento estão disponíveis em
http://solacio.blogspot.com .

TEMPO DE REZA

Por Poeta Clebber Bianchi | 7/28/2009 11:01:00 PM em | comentários (0)

TEMPO DE REZA


Eu era um descaso do acaso,
angariado na contramão de uma grande avenida
Os brilhos dos olhos lagrimantes de saudade
de um tempo escorrido nos relógios
refletiam a esperança do passado,
apagada na realidade de um presente sério.

Sou um verso solto,
uma estrofe desconexa,
um tom sem intenção.
Sou um eu lírico pouco idealizado,
idealizador,
desaliterado.
A melodia não me encontra,
e entre mim e ela
só a vontade de ser um pouco mais sonoro.
Armstrong soprar-me-ia entre notas
melodicamente melancólicas
La vie en rose.
O toque das teclas do piano
teria funções tristes de acompanhares,
intrínsecas em saudade.

O sol brilha belo
e entre as frestas da janela apodrecida pelos dias
entra a luz quente, ultraviolentamente,
alumiando os olhos amarelados do porta-retrato.

Nostalgia é ouvir o barulho que o silêncio faz
no tic tac do relógio.
Eu não. Sou mais do que isso.
Sou a saudade que a lembrança tem,
sou os sonoros passos lentos, quase mancos,
de entes que se foram já, tão cedo de minha vida.
Sou os credos, os padres-nossos...
Egoistamente,
amém.

XADREZ

Por Pedro Du Bois | 7/27/2009 07:59:00 PM em , , | comentários (0)

A arrogância terça armas
a ganância invade o tabuleiro

a rainha se evade
o rei lerdo
se entrega

a empáfia perdura
no discurso de posse

o peão se esconde
a torre é bombardeada
o cavalo empina o corpo
derrubando o bispo
no sacrilégio da chegada

a ignorância permanece
em cada casa.

(Pedro Du Bois, em A HORA SUSPENSA)

SERES

Por Pedro Du Bois | 7/26/2009 07:02:00 PM em , , | comentários (0)

Somos nós
avessos aos compromissos
externos
eternos descompromissados
ávidos pelos encontros

ou seremos agora
feitas as contas
descontos concedidos
por obra e graça.

(Pedro Du Bois, em DESENREDOS)

Um maratonista brasileiro corre para superar obstáculos e os seus próprios limites. Corre por esporte. Corre pelo gosto de trazer uma medalha de ouro pendurada no pescoço. Corre pelo orgulho de ser patriota. Corre pelo orgulho que a família traz em seu seio.
Um trabalhador de uma grande cidade, uma metrópole como São Paulo, com seus braços e pernas engarrafadas e as artérias entupidas até às bocas, corre para atropelar os ponteiros do relógio, que batem fortes e impacientes. Corre para ser mais rápido que a bala de um revólver, que do outro lado da cidade ou do país, atinge um inocente ou simplesmente um viciado em crack. Corre para não deixar as suas demais bocas secas. Corre para a sua família não ouvir os cantos dos parasitas sugando-lhes as energias, a vida.
No sertão, nossos irmãos abandonados correm para não servirem de espantalhos para os grandes donos de postos de gasolinas ou de fazendas. No sertão, nossos irmãos marginalizados correm para não servirem de comida aos urubus, que competem com as moscas para saberem quem é o dono do ar, já que no chão alaranjado não há frutas e nem sinal de sementes de esperanças. No sertão, nossos irmãos desamparados sofrem com as leis, que ainda são as do Coronelismo e as do jagunço, do lampião. No entanto, agora, não se usam cavalos e garruchas de calibre 38, mas sim, automóveis e metralhadoras automáticas. No sertão, os homens acompanham, seguem e são massacrados pela modernização. Somente as leis continuam paradas nas linhas mortas e silenciosas de um livro amarelado, empoeirado e coberto de traças. Traças cabeludas, carecas, com bigodes ou sem bigodes. Há traças para todos os tipos de livros e leis.
Ainda assim, há pelo menos dois motivos que faz todo brasileiro correr com um sorriso estampado no rosto, de orelha a orelha e sem medo nenhum rastreando e vagando pelo corpo: o carnaval (rico em hormônios e feromônios) e o futebol (a paixão nacional!). Dá-lhe o Rio de Janeiro! Dá-lhe a Bahia! Dá-lhe a CBF! Dá-lhe o Pelé!
Somente assim, o povo corre contente, sorridoente, mesmo que seja para daqui a nove meses correr para lotar os hospitais até o teto, ou para nadar e morrer na praia, em um país qualquer, numa competição qualquer, numa copa qualquer, e não voltar nem com uma medalha de ouro no peito.
Dá-lhe o Brasil! Dá-lhe o brasileiro!
Samba, Brasil, que o samba é doce.
(Adams Alpes, 24 de julho de 2009)


O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Feeds RSS

Receba as novidades do Vale em Versos em seu e-mail

Livros do Vale

Apoiamos

Adicione

Arquivos