No mês passado escrevi uma crônica sobre os Realities Shows e ao final sugeri que se utilizasse com os nossos políticos, o mesmo processo de eliminação dos concorrentes, motivado pelas denúncias contra nosso El Bigodon, José Sarney. Não é que isso pode ser verdade?
Tramita na Câmara, já aprovada pelo Senado, o Recall Eleitoral, que é submeter os mandatos políticos de parlamentares ou chefes do poder executivo a um referendo para o eleitorado decidir se os mantêm ou não. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), com o apoio da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) e da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) faz campanha em seu site para a aprovação da Proposta de Emenda Constituicional 73/2005, percebe-se pela data, que minha crônica foi posterior a sua criação.
Funcionaria desta forma: O referendo pode ser convocado com um pedido de 2% do eleitorado nacional, após, pelo menos, um ano do mandato, com isso a população poderia revogar e substituir os mandatos de vereadores, deputados e senadores, bem como de prefeito, governador e presidente da República. Assim a população não precisaria esperar até a próxima eleição para retirar do poder os corruptos e toda a corja de péssimos políticos que temos.
O Recall pode ser uma grande novidade por aqui, mas é muito antigo, o primeiro aconteceu em 1903 em Los Angeles, EUA. Os contrários a essa medida argumentam que não é justo com os mandatários, por não dar tempo suficiente, e de direito adquirido, para o exercício das funções e a chance de recuperação e reparação de alguns deslizes como inoperância ou incompetência.
Resta saber se um telespectador de reality show, que não sabe escolher um candidato e, pior ainda, nem se lembra dos parlamentares em quem votou, estará preparado para a eliminação.
Vamos colocar os políticos no paredão?
Por Fabiano Fernandes Garcez | 9/30/2009 02:56:00 PM em Crônicas, Fabiano Fernandes Garcez, São Paulo | comentários (0)
O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS
Por Pedro Du Bois | 9/28/2009 08:27:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
1.
...
Habita seu mundo interior, não será encontrado.
O dia multiplicado em haveres: sonhos irrealizados
cobram substância: cores e o ar da montanha.
O branco e o negro toldam a vista: não verá após
o bastante da coragem consumida na oração final.
...
(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS,
Vol. I, fragmento)
O COLETOR DE RUÍNAS
Por Pedro Du Bois | 9/24/2009 10:20:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
A civilização anterior
ao tempo
das contagens: recoberta em terras
e matas recebe a mão atual
que lhe descerra a vida
(a casa, o solo, o resto de comida,
a petrificação da face encoberta)
o instrumento da caça
o trabalho
o utensílio dentro de casa
(não há a palavra dita e a escuta
desenha paredes apagadas)
a mão cata o resto
e o ensaca - a tarja
identifica local e data.
(Pedro Du Bois, O COLETOR DE RUÍNAS, 1)
A unanimidade comercial
Por Fabiano Fernandes Garcez | 9/23/2009 08:43:00 PM em Crônicas, Fabiano Fernandes Garcez, São Paulo | comentários (0)
Existem algumas normas, que não estão escritas em lugar algum. Fui a uma pizzaria nesse fim de semana e a televisão estava ligada na rede globo, (escrevo assim mesmo no minúsculo!) ninguém a assistia, estava para as paredes, porém na rede globo. Por quê? Porque existe a regra que “todos” assistem a essa emissora, mesmo quem a detesta, como eu.
Você já ouviu alguém falando que se não for coca-cola não é refrigerante? Garanto que sim. Baseado nesta “norma” a coca-cola fez uma série de anúncios contra os refrigerantes mais baratos de pequenas empresas, por ela, chamado de refrigereco.
Esses dois exemplos são apenas ilustrativos, não vou ficar fazendo propaganda para essas nem outras empresas, pois o espaço desta crônica não é para isso, o leitor mais atento perceberá que de propaganda aqui não tem nada, mas há um ditado que diz: Fale mal, mas fale de mim. Para isso é utilizado o axioma: Se todos falam de um determinado produto, logo ele se torna conhecido e se tornando conhecido, é bom. Com isso cria-se o padrão, e tudo que não foge: Não é bom, claro!
De onde tiramos isso? Dos Slogans criados nas agências de propagandas, que pregam conceitos exclusivistas e, por vezes preconceituosos. E infestam toda mídia. O apelo à unanimidade, que referenda a qualidade (segundo esses slogans), não se restringe a apenas produtos, mas a tudo que é comerciável, como programas de televisão, (Você não assiste a novela? Não acredito!) cantores e bandas, (Você não gosta do Calipso?) inclusive as pessoas, (aqueles populares dos filmes americanos e nossos Big Brothers).
É sempre bom lembrar de que a pluralidade é muito bem vinda em todos os lugares e situações, até na área comercial e, também, da famosa frase de Nelson Rodrigues: Toda unanimidade é burra!
PAREDES
Por Pedro Du Bois | 9/22/2009 08:38:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
...
culmina o pecado em ações concatenadas
de futuros assoberbados em castigos
nas inúmeras cenas gravadas
ao mesmo tempo
...
(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, Vol. V, fragmento)
A LEVEZA DO TRAÇO
Por Pedro Du Bois | 9/21/2009 09:44:00 PM em Itapema, Pedro Du Bois, Poesias | comentários (0)
Traço abstrato,
impressionista, cubista,
dadaísta, minimalista,
a certeza da mão firme
realizando o desenho,
fotográfico.
Poesia clássica,
métrica exata,
versos rimados,
a importância vista:
descoberta da condição
para libertar palavras.
Versos loucos,
rimas livres,
leves traços.
(Pedro Du Bois, A LEVEZA DO TRAÇO)



