PAIXÕES

Por Pedro Du Bois | 10/24/2014 08:27:00 AM em | comentários (0)

O frio da noite esconde o calor
dos corpos sobrepostos. Luxúria
nas entregas dos opostos
em esquinas. Na procura reside
o despertar. O frêmito jorra
sangue em dilatadas artérias.
A caverna recebe o líquido
e se expande na aproximação
do que procura. Acondicionado
e protegido retorna e o frio
se apresenta estéril. Horas
trazem a sensação
de outrora.  O calor afaga
o ânimo desconsiderado
em corpos separados
nos quadrantes dispersos.
No frio da noite o exagero.

(Pedro Du Bois, inédito)




HORAS

Por Pedro Du Bois | 10/16/2014 04:06:00 PM em | comentários (0)

Hora tardia das confissões
          no conhecimento dos erros
          arremetidos contra vidas
          diuturnas dos arruaceiros
          feitos estátuas vivas
                     sob o vento
                     em cálidas manhãs
                      de entretenimento e saudades

horas irresolutas de segredos em abertos
coros: a coroa simboliza o mito

                   árbitros determinam encerramentos
                   em campos opostos
                                     na passagem do andor

ardores corroem o corpo em vontades
e excessos purgam imagens

após a hora a história se repete
em trovões tardios os raios apagados
em céus atormentados
                      correntes prendem o espírito
                      em que o sempre serpenteia luzes.

(Pedro Du Bois, inédito)

IRA

Por Pedro Du Bois | 10/08/2014 12:52:00 PM em | comentários (0)

queria o vinho
a vinha
adivinhada
na ira
escondida
em bagos
espremidos

pés
pisoteiam
onde o sumo
aflora


o vinho a vinha
na raiva escondida
em canções ancestrais.

(Pedro Du Bois, inédito)

FACES

Por Pedro Du Bois | 9/28/2014 03:53:00 PM em | comentários (0)

Recebe na face
o soco da agressão

oferece a outra
ao beijo de reconciliação

a submissão demonstrada
nas faces da moeda

dá
e recebe
coloca
e retira
é
e desaparece

a face nas razões
desavindas em águas
não poluídas.

(Pedro Du Bois, inédito)

IR

Por Pedro Du Bois | 9/18/2014 10:35:00 PM em | comentários (0)

no início
a porta entreaberta

sequência disponibilizada
em espiralada escada

o triunfo do infortúnio
no recomeçar a peça


o marco na redoma
opalina dos recados

na metade do trajeto
a desistência força
a passagem

o fim do caminho
em inscrição rupestre
de mero aparato.

(Pedro Du Bois, inédito)

A CASA DIVERSA

Por Pedro Du Bois | 9/07/2014 02:21:00 PM em | comentários (0)


A casa esvaziada de pertences
não me pertencem suas paredes
portas janelas arcos cozinhas
prédio abandonado entre tantos
argamassa concretada fria

paredes em tintas descascadas
portas de cores desbotadas

vãos desvãos escuros cantos
frágeis memórias deslembranças

entra e sai batendo a porta
o estranho bate à porta
novidades entrevistas pelas janelas

chuva frio calor sol
hora certa de passar
intermitente lembrança
em alterações passadas
dispostas no futuro agora

a casa esvazia sentidos
despersonifica o cansaço
mistura a vida no esquecimento
desmorona suas paredes.

(Pedro Du Bois, em A CASA DIVERSA, último poema, edição do Autor, 2005)


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