No ponto de ônibus, dois cristãos. Assento, apenas um. Ambos pensaram: “Ame o próximo como a si mesmo”. Um deles então disse: “Pode se sentar”. O outro prontamente respondeu: “Faço questão que você se sente”. O ônibus passou e eles passaram a eternidade oferecendo um ao outro o assento.
Andava sempre com a cabeça nas nuvens. Um dia, tropeçou em uma pedra e arrebentou o dedo. Além da dor, o sangue saltou-lhe aos olhos. Desde então, passou a andar com a cabeça nos pés.
Ela vinha de longe, entoada pelo vento, multicolorida, serpenteando, rasgando o céu e causando fascínio nos olhos dos meninos. Um deles saiu em disparada e ali na frente, na esquina, foi esmagado pelo caminhão-pipa.
Não espero
aguardo que aconteçam
na hora certa.
Faço a hora:
abstraio o Vandré.
Espero
não aguardo que aconteçam
na hora incerta.
Não espero acontecer:
de novo o Vandré.
A culpa me aguarda
quando perco
a hora da espera.
(Pedro Du Bois, AS PESSOAS NOMINADAS)
tenho corrido riscos
tenho parado pra pensar
tenho feito, segurado ansiedades.
tenho aceito, afastado liberdades.
CHEGADA A MIM MESMO
Por Unknown | 11/02/2009 11:35:00 PM em Adams Alpes, Caçapava, Crônicas | comentários (0)
Em um sábado fui à Big Apple brasuca. Perdi-me. Encontrei-me e perdi-me novamente. A cidade me fascina ao mesmo tempo em que me assusta. Não sou eu quem passa por São Paulo. Eu apenas corto e costuro os vários tecidos vindos de todo os lugares do mundo e que desembocam e constroem suas teias na cidade. Eu não falo o R do paulista. Tenho o R do caipira, mas, ainda assim, admiro a magnitude que essa floresta de concreto exerce sobre mim.
No caminho ao município infestado com casas erguidas como varais, durmo enquanto não me encontro nos braços dos faróis, árvores, paredes, prédios e tantos outros limites da cidade que não dorme e que me acolhe friamente. E fria, a mente me tortura com imagens que me levam aos campos e descampados onde eu andava descalço nos tempos de peralta, mas que tive de abandonar para vestir sapatos de couro e all star. Tive que me reeducar, refazer a barba e o cabelo. Hoje, o passado não define quem sou e o futuro também não me mostra o que serei.
Dessa maneira, sou mais um sem rosto que chega à Avenida Paulista, mas que assume a única identidade que me resta incorporar: a de um turista de mim mesmo, a de um sujeito desterritorializado de seu mundo encantado pela Emília, pelo Saci-Pererê, pelos animais falantes, reis e magos.



